quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (19)

Chegamos a nossa última etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Terminando seu longo sermão, hoje veremos Jesus oferecendo um último aviso àqueles que gostam de ouvir a Palavra de Deus, mas, nõa necessariamente, de atendê-la.

O Prudente e o Insensato

24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Para ilustrar nosso texto de hoje, quero lembrar duas situações de nosso mundo moderno. De um lado, vemos muitas vezes pessoas vivendo em áreas de risco, próximas a encostas, por exemplo. Todo ano em minha cidade, testemunhamos pessoa sendo soterradas, perdendo tudo o que tem ou mesmo ente-queridos. Mas, mesmo assim, continuam vivendo em áreas perigosas, mesmo depois de avisadas pelas autoridades. Alguns até dizem não ter pra onde ir. Bem, nenhum lugar pra ir ainda é melhor que o cemitério, não é mesmo. Contudo, não adianta. E assim acontecem as tragédias em tempos de chuva, tal como aquela que ceifou a vida dos quatro filhos de um pedreiro no Rio de Janeiro. Um enorme tristeza.
Por outro lado, os japoneses pararam de lutar contra a natureza e perceberam que precisavam de resursos para manter seus prédios em pé em meio aos constantes terremotos. Hoje em dia, nenhum prédio é erguido no Japão sem que tenha medidas anti-terremotos.
Na última parte desta mensagem de Jesus, Ele aplica a mesma lógica. Como diz o ditado em inglês, “Better be sure than sorry”, “É melhor está seguro do que lamentar”. Ou como dissemos, “Melhor prevenir do que remediar”!
A “casa” é uma óbvia metáfora da nossa vida. E construir a sua casa é o mesmo de estabelecer todas as estruturas e recursos necessários para o seu crescimento. E coisa terrível seria perder TUDO depois ou no processo de completar os objetivos em sua vida.
Os rios transbordantes e ventos retratados por Jesus são as lutas e as surpresas em nossas vidas. Aquelas do dia-a-dia já são muitas vezes desafio o suficiente pra muitos desistirem, porém, outras vezes temos coisas que não esperávamos e tentam nos derrubar completamente. O Senhor nos afirma que nada disso é suficiente quando estamos “na Rocha”, ou seja, quando construímos com cautela e segurança.
Então, temos o último elemento da metáfora: a Rocha. A Bíblia traz várias ocasiões em que o Senhor é identificado como sendo “a Rocha”. “pela mão do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,” (Gn 49.24), “Proclamarei o nome do SENHOR. Louvem a grandeza do nosso Deus! Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é.” (Dt 32.3-4). O Salmista chega a chamá-lO assim três vezes apenas no Salmo 18 (2, 31 e 46): “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus é o meu rochedo, em quem me refugio. Ele é o meu escudo e o podera que me salva,a minha torre alta.Pois quem é Deus além do Senhor? E quem é rocha senão o nosso Deus? O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja Deus, o meu Salvador!
Não havendo sombra de dúvida, resta perguntar: “O que fazer para ter sempre a nossa casa firme na Rocha? Nossa vontade precisa ser colocada em segundo lugar. E para que a vontade dEle seja a nossa, precisamos conhecê-la através da Palavra. Precisa saber o que Ele pensa e deseja... precisamos conviver com o Senhor Deus, com Seu Filho Jesus e com Seu Santo Espírito. As coisas temporárias precisam realmente ser deixadas para trás, e a permanentes e eternas precisam assumir controle da nossa vida.
A contra-cultura do Reino ensinada no sermão da montanha só é possível assim que tomarmos este estilo de vida como o ÚNICO que nos trará real satisfação e realização. Apenas quando o lá e então da eternidade com Deus seja mais real que a própria realidade que vemos diante dos nossos olhos, que, aliás, é passageira e breve. Diferente dAquele que é a nossa Rocha e Refúgio, Eterno socorro, sempre presente na hora da tribulação. Rocha de proteção e libertação. Quem nEle confiar, jamais ficará confundido!
Qual área de sua vida, neste exato momento, você pode largar a posse do controle, e deixar nas mãos dEle? Pense nisso, aja assim.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 27/05/07

Nadando contra a correnteza (18)

Chegamos a nossa penúltima etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos Jesus demonstrando seu cuidado para com seu rebanho, para conosco.

A Árvore e seu Fruto
15 “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. 16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? 17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18 A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ 23 Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!

Este texto tem sido usado das mais diversas maneiras em nosso meio e fora dele. Alguns ultra-tradicionalistas até o usam para advogar que as igrejas mais recentes são nada mais do que a mais pura expressão de falsidade ensinada neste texto. Especialmente porque eles usam (às vezes, exageradamente) os dons de profecia e línguas para autenticar seu trabalho.
Outros usam este texto para apontar aqueles que não “andam na nossa visão”, excluindo a possibilidade de Deus falar de forma diferente àquela com a qual lhes tem falado.
A verdade é que todo texto bíblico precisa ser examinado primeiro no que significava na época em que foi escrito, depois se extrai o princípio eterno e finalmente se aplica ao nosso tempo moderno. É a ponte entre o “lá e então” e o “aqui e agora”. E nosso texto, avaliado desta forma, demonstra que na época de Jesus existiam falsos profetas (e até falsos Messias) que expulsavam demônios, curavam, e faziam muitas outras coisas. Contudo, não tinham nenhum relacionamento com Deus.
O princípio, portanto, por trás deste texto é a avaliação dos frutos. O nosso problema hoje em dia é que o Diabo tem misturado a verdade com a mentira (lobos com pele de ovelha?), mesmo em meio às nossas igrejas. São igrejas envolvidas com sociedades secretas, com política e com pecados escondidos. São crentes tão arraigados neste mundo que parece que o Arrebatamento e a volta de Jesus nunca de fato acontecerá. Eu, pessoalmente, não creio que Satanás queira necessariamente matar ou acabar com as igrejas. Para ele, é mais vantajoso destituir-nos de nosso poder e autoridade e nos colocar tão mais interessados em “ganhar a vida” e atacar uns aos outros. Porque assim, cada vez mais pessoas interessadas em uma “religião apenas” se juntarão às nossas igrejas, apenas porque a religião de onde vieram não apresentava nenhuma satisfação. E a nossa... nenhuma real diferença da vida do mundo.
Hoje, a análise dos frutos é muito mais difícil, creio eu. Se tomarmos a questão de caráter, veremos algumas pessoas muito religiosas e igualmente zelosas quanto a retidão em suas vidas, enquanto muitos cristãos não o são. Da mesma maneira quanto ao crescimento. Vemos grupos sem nenhum ou pelo menos muito pouca fundamentação e seriedade bíblica crescendo numericamente, e por outro lado, grupos zelosos com a Palavra de Deus, porém, com resultados pífios.
É minha forte convicção, que hoje em dia sem um exame minucioso, não conseguiremos discernir entre o bom e o mau fruto, entre a boa e a má árvore. Também creio que encontraremos em muitos grupos, as duas coisas presentes, mas, não misturadas. Congregações sem poder, mas com alguns indivíduos com profundo relacionamento com Deus. E também ao contrário. Também encontraremos grupos que beiram a heresia, mas que abrigam pessoas zelosas pela Santidade do Senhor.
Um último ponto precisa ser examinado. E se tivermos em nós, áreas que tem se disfarçado de ovelha, mas são lobos? Áreas nas quais a verdade de Deus tem se disfarçado com uma roupagem de espiritualidade, mas na verdade é tudo falso? Trata-se apenas de religiosidade. Na noite em que Jesus foi julgado, nem todos os membros do Sinédrio foram convocados. Certamente, eles chamaram apenas aqueles da “mesma espécie”.Aqueles que concordariam com o julgamento mais absurdo da história da humanidade.
Muitas vezes, nós agimos como lobos, mas não percebemos. Somos movidos pela carne, incentivados pelo Inimigo e apoiados pelo Mundo. E, agimos fora da vontade de Deus e os frutos acompanham, sendo maus e sem valor.
Não viva sua vida espiritual apenas no domingo ou nas reuniões, mas sempre e a toda hora, cada dia. Creia, a cultura dos lobos odeia isso e é afastada por tal disciplina e zelo espirituais. O que restará em nós será apenas o caráter de ovelha, prontos a seguir o Bom Pastor de nossas almas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*Pr. J. é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 20/05/07

Nadando contra a correnteza (17)

Em dois artigos mais, terminaremos nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos um dos textos mais famosos do mundo e suas implicações para nossa vida prática.

A Porta Estreita e a Porta Larga

13 “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. 14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.

Eu já ouvi muito um ditado que as pessoas dizem quando lhes é oferecido alguma coisa amarga ou azeda, “de amarga (ou azeda) basta a vida!”. Mesmo não concordando, compreendo que a maioria das pessoas gostariam de uma vida sem problemas, sem lutas e dificuldades e com o máximo de tranqüilidade possível. Em resumo, ninguém quer sofrimento, pelo menos não as pessoas mais normais.
Se aproximando do final do Seu sermão, Jesus toma o tempo para dizer que sabe que as coisas que ensinou não são fáceis, são todas “caminhos estreitos”. Reveja os capítulos 5, 6 e 7 e você verá a lista de coisas difíceis, e, às vezes, muito difíceis de serem praticadas. É como se o Senhor estivesse dizendo “se fosse fácil, não seria mérito algum”, por isso, é um caminho estreito e apertado.
Muitos crêem que este caminho estreito significa apenas o contrário de largo. Ou seja, um tem vários metros e o outro tem uns 3 ou 5 metros. Eu creio que é mais do que isso. Ele é escarpado, irregular, cheio de espinhos e cantos perigosos, enfim, um terror da engenharia natural! Para passarmos por um caminho assim, precisamos de perícia, preparo, ajuda de outros e ferramentas. Não é tarefa para desistidores! E ainda por cima, com tão pouco espaço, muitas vezes estaremos sozinhos!
Que contraste o caminho largo! Este sim, oferece a “vida que se pediu a Deus!” É amplo, reto, sem buracos, cheio de “ amigos” e facilidades. Lá você não precisa lutar segundo as regras e nem muito menos nadar contra a correnteza. É só deixar a vida te levar! Tudo é mais fácil e você pode ser o centro de tudo.
Se é verdade que a viagem, ou seja, o percurso, é tão importante quanto o destino, então, o caminho largo ganha com folga. Afinal, quem gostaria de uma viagem difícil e acidentada, em lugar de uma confortável e com uma bela vista? Ninguém, é claro. Porém, a viagem é importante, mas não se ignorarmos o destino. O que neste caso é absolutamente fundamental: perdição ou vida!
Jesus oferece na conclusão dos caminhos um tremendo contraste. Se escolhermos o caminho largo da vida mais fácil e sem obstáculos, já usufruímos aqui todo o benefício que podíamos, pois na chegada restará apenas perdição, e perdição eterna. É claro que para a maioria, este caminho largo não significará dinheiro ou poder, mas ainda assim, significará uma vida voltada ao redor do “eu”; porque vencê-lo é o que torna o caminho da nossa vida em um caminho estreito.
Por outro lado, se escolhermos o caminho estreito e mais difícil, ele nos levará à vida, e vida eterna! E a lógica funciona ao contrário. Após termos aberto mão de direitos e de prazeres, receberemos o melhor de Deus para nós. Por isso, Paulo nos diz em Filipenses 1.29, “pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele”. A máxima irá sempre funcionar: quanto mais abrirmos mão segundo o mandato do Senhor, mais receberemos depois.
A questão dos dois caminhos passa pelo dilema do imediatismo. Agora ou depois? A Palavra de Deus é recheada de ensinamentos dizendo que devemos esperar, confiar, aguardar, repousar, e etc. Mas, como? No mundo do calmante e do stress, como podemos apenas orar e não fazer nada? Além disso, o mundo cobra sucesso e independência. Como vou encaixar na minha vida a conformidade ao propósito de Deus e a dependência de Sua vontade? Como? Impossível.
Muito pelo contrário, é perfeitamente possível! Quando usamos armas espirituais e confiamos em Deus. Vamos logo tomar o Senhor Jesus como exemplo. Ele poderia simplesmente ter tomado o caminho largo e se libertado de Seus opressores. Poderia usar do Seu poder infinito e exterminar os Seus opositores. Ficaria muito mais fácil apenas com pessoas que concordassem com o que Ele tinha a dizer, não é mesmo? Porém, no mesmo contexto em que Paulo trata o sofrer por Ele como um privilégio, Paulo nos ensina sobre os sacrifícios realizados por Jesus, por amor a nós, até ao ponto de ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8)! E como Ele conseguiu? Da mesma maneira que nós podemos. Aprendendo passo a passo os ensinamentos do caminho estreito, e amadurecendo a medida que o caminho vai se tornando mais difícil e os desafios mais tenazes! Assim mesmo aconteceu com o Senhor Jesus, “Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,” (Hb 5.8-9). A pessoa que entra no caminho estreito nunca será a mesma pessoa que sai dele no final; sempre será uma pessoa mais semelhante ao Senhor Jesus... ainda bem!
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 13/05/07

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (16)

Andar na contra-mão não é fácil. Nem tão pouco... nadar contra a correnteza. Temos estudado isso há 15 semanas, e aprendido o que Jesus nos ensina a fazer quando temos a cultura deste mundo em contraste com a cultura do Reino. Oração é algo completamente alienígena a este mundo. Mesmo que muitos pensem que a praticam, na verdade, é muito mais reza que acontece ao redor do mundo, do que verdadeira oração. Logo veremos o porquê.

A Persistência na Oração
7 “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.8 Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.9 “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11 Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.

Este texto lembra quase exatamente Lucas 11.9-13. Algumas diferenças porém existem. Em Mateus a relação é “pão/pedra” e “peixe/cobra”, enquanto em Lucas é “peixe/cobra” e “ovo/escorpião”, apesar de alguns manuscritos também conterem “pão/pedra”. Outra diferença é Lucas substituir a expressão “coisas boas” por algo muito mais específico, a saber, o “Espírito Santo”!
De qualquer maneira, Jesus estabelece no nosso texto algumas condições para a mera existência da oração, sem mencionar a sua eficácia, ou seja, que ela exista.
Em primeiro lugar, a oração precisa pura e simplesmente acontecer. A esmagadora maioria das pessoas que dizem não ter experiências de oração significativas é por apenas oram pouco ou nada em absoluto. Não possuem disciplina e planejamento em sua vida de oração. Dizem “estou orando por isso”, mas muitas vezes significa apenas que “desejaram espiritualmente” uma vez ou outra. “Desejar espiritualmente” é quando dizemos “se Deus quiser vai acontecer”, mas não colocamos isso debaixo de oração que busca a vontade de Deus, nem entramos em batalha espiritual para arrancar das mãos do Inimigo o que o Senhor deseja nos dar.
Em segundo lugar, a oração precisa ser algo insistente e perseverante. Pedir, buscar, bater... insistir! Tal como ligamos repetidas vezes para um número que insiste em não nos atender ou que está ocupado devido à nossa necessidade de falar com aquele número de telefone, igualmente precisamos insistir e insistir até sermos atendidos. No texto de Lucas 11 no versículo 8, lemos: “Eu lhes digo: Embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que precisar.”. O Senhor nos ensina o segredo, insista até sermos respondidos. Novamente isso requer de nós disciplina e planejamento. Uma lista de oração com datas e dados acompanhada de um tempo separado e protegido de interrupções. Tal como Jesus, precisamos achar o nosso monte e subir nele em busca de tempo com o Pai.
Em terceiro lugar, a oração só existe onde há relacionamento. Sem querer “espremer” demais do texto bíblico, ainda assim creio que existe o objetivo do Senhor em usar a palavra Pai para Deus em relação ao que ora. Não é alguém distante ou estranho com quem desejamos entrar em contato. De forma alguma, se trata de nosso Pai, que nos ama e nos conhece... e a Quem conhecemos. Ou será? Tempo de oração é tempo investido com o Pai. Quanto mais o temos, mais O conhecemos. Simples assim. Oração intercessória, contemplativa, de adoração, de súplica, de qualquer tipo... melhor, de todos os tipos, nos fazem compreender (juntamente com a Palavra de Deus) o caráter e a personalidade do nosso Deus.
Finalmente, em quarto lugar, a oração deve ser gerada em mutualidade com o próximo. Fazer aos outros como desejo que seja feito a mim, neste contexto, certamente significa termos uma rede de intercessão mútua. Em cada grupo cristão que você pertencer: família, células, discipulado, igreja; sempre criarmos uma teia de proteção e suprimento espiritual de mim para os outros e dos outros para mim.
Em resumo, a questão é simples... sem oração, veremos em breve a estagnação e a completa ausência de poder espiritual. O que pedirmos nos será negado, o que buscarmos não encontraremos e as portas nas quais batermos, continuarão fechadas. Tudo o que acontece no mundo natural, primeiro se torna realidade no mundo espiritual. Ora, se tudo é espiritual, sermos “pegos” em meio ao fogo cruzado, sem poder algum, sem munição espiritual, não deve ser muito bom... não é mesmo?
Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho,pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.” Efésios 6.18-20
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 06/05/07

Nadando contra a correnteza (15)

Chegamos finalmente ao último capítulo do sermão do Monte, o capítulo 7, onde Jesus começa ensinando algo extremamente importante quanto às relações humanas. Certamente o será para a convivência em nossos lares e em nossa igreja.

O Julgamento ao Próximo
1 “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2 Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.3 “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? 4 Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?5 Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.6 “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.

O capítulo 7 começa com mais uma acusação contra a falsa justiça dos Fariseus: o julgamento das pessoas. Eles estavam julgando a Jesus e achando-o inadequado para o “papel”de Messias. Ele não estava oferecendo o tipo de reino que eles esperavam nem estava buscando o tipo de “justiça” que eles tinham para oferecer. Então, era mais fácil apenas rejeitá-lO. Jesus, por outro lado, os avisava sobre o julgamento hipócrita.
Este texto não ensina que nunca se pode julgar, de maneira alguma, é preciso compreender todo o contexto. Na verdade, Jesus também disse, “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (João 7.24). Portanto, a explicação é outra, e esta no restante do texto.
O texto fala sobre “tirar o cisco do olho do seu irmão”, se julgamento fosse totalmente proibido, o versículo 5 não existiria. Assim, o que o Senhor está ensinado não é na verdade sobre nunca julgar, mas, sim, sobre julgar antes de fazer um auto-exame. Nunca devemos ser habitualmente julgativos e crítivos quanto ao que está na vida de outrem, quando aquela área ainda não está sobre tratamento em nossa. Apesar de julgamento ser algumas vezes necessário, aquele que o estiver fazendo precisa estar seguro de sua situação.
Entretanto, um última precaução deve ser tomada. Quando alguém estiver buscando ajudar outrem, ele deve ter cuidado quanto à recepção de sua atitude. Isso se faz examinando o que se deve falar e se é benéfico e apreciável pela parte confrontada. Portanto, não devemos jogar coisas sagradas a pessoas não-santificadas (“cães”) e “pérolas aos porcos”. É bem seguro dizer que o princípio implícito aqui é em relação àqueles que não desejam obedecer à verdade, tal como os Fariseus e mesmo os Gentios, contudo, certamente, podemos extrair um princípio secundário sobre os nossos irmãos e irmãs em Cristo. Muitas vezes apenas não é o momento correto, ou, outras vezes, nós ainda não possuímos o tato para a abordagem necessária. Boa intenção não basta, precisamos ser sensíveis ao momento que a pessoa está passando. Caso contrário, poderemos ser usados pelo Inimigo para endurecer ainda mais o coração que deveria ser tratado e a alma que deveria ser curada.
Paulo nos alerta sobre o cuidado com nossas palavras: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.” (Ef 4.29). Queridos, relacionamentos são um grande alvo do Diabo. Porém, quando nos deixamos ser usados e instruídos por Deus e quando agimos por amor não por orgulho ou vaidade, o Senhor pode nos usar poderosamente e desmascarar todo o engano do inferno.
Assim, somos colocados diante de uma situação complicada. Devemos nos dispor a tirar noss irmão do erro. E isso, ao olhos do mundo, é uma posição de superioridade. Porém, devemos ao mesmo tempo, fazer isso como quem serve ao outro e, ainda, considerando-o superior a nós mesmos!!! (Fp 2.3) Isso, igreja, é a maturidade dos filhos de Deus que o Senhor espera ver em nós.
Então? Vamos começar a praticar? O começo é uma vida sem pendências com o Senhor. Não uma vida perfeita, mas uma vida tratada e em tratamento constante. Um coração arrependido e em arrependimento. Assim, discernimento, entendimento e sabedoria virão do Senhor, além da sua graça para falarmos apenas aquilo que edifica aos meus irmão de sangue, sangue do Senhor!
Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.” Tiago 4.17
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 29/04/07

Nadando contra a correnteza (14)

Pra você que chegou agora ou se perdeu em nossa jornada, estamos há vários domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 6, encontraremos a Jesus após ensinar sobre prioridades, ensinando que quando elas estão corretas, temos menos preocupações em nossa vida.

As Preocupações da Vida
25 “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? 26 Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? 27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?28 “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. 29 Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. 30 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? 31 Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ 32 Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. 33 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.34 Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.

Se uma pessoa está ocupada com as coisas de Deus, o verdadeiro Mestre, como irá cuidar de suas necessidades da vida, tais como comida, roupas e abrigo? Os Fariseus em busca de coisas materiais nunca aprenderam a viver pela fé. Jesus diz a eles e a nós para não nos preocuparmos com essas coisas, pois a vida é mais importante do que coisas materiais. Ele cita diversas ilustrações para provar esse argumento. As aves do céus são alimentadas pelo Pai Celestial e os lírios do campo crescem de uma maneira a serem mais esplendorosos do que o próprio Salomão.
Jesus estava dizendo que Deus havia embutido em sua criação todos os meios pelos quais todas as coisas são cuidadas. As aves são alimentadas porque elas trabalham diligentemente para manter as suas vidas. Elas não estocam grandes quantidades de comida, mas trabalham continuamente. E nós, Seus filhos, somos muito mais valiosos do que as aves! Os lírios crescem diariamente através de um processo natural. Assim, ninguém precisa ficar ansioso pela sua existência, pois a preocupação nunca acrescentará uma hora que seja à duração de sua vida. Ao invés de sermos como os descrentes que se preocupam com coisas materiais e suas necessidades físicas, os discípulos do Senhor deveriam estar ocupados com as coisas do Reino, as coisas do seu Senhor.
O texto anterior que fala quanto aos tesouros no céus e este aqui são, na verdade, duas metades de um só texto. Tudo é a respeito das prioridades e suas conseqüências. Nós, cristão, somos chamados a enxergar que o tempo está terminando em dois sentidos. Primeiro, porque o relógio regressivo da duraçõa da nossa vida é oculto a nós. Não sabemos quanto tempo viveremos. Minha avó já passou dos 80 anos, mas tenho certeza que se perguntassem, ela diria que não achava que chegaria a tanto. A verdade é que pra morrer, conforme dizem, basta estar vivos. E segundo, porque também não conhecemos o relógio regressivo para a volta de Jesus. Pode acontecer antes de você terminar este texto! De uma maneira ou outra, tudo que priorizamos em nossa vida material não compartilhará da eternidade conosco! Tudo ficará! E quanto tempo e energia Satanás rouba de nós quando nos concentramos em uma visão tão mediocre da vida correndo atrás apenas do que comer, vestir ou nos abrigar! Isto, ao invés de viver pelá fé.
Vivendo pela fé, compreendemos que todas nossas necessidades serão supridas pelo Senhor, mesmo que não possamos muitas vezes enxergar como. Não é à toa que “não se preocupem” ocorre três vezes neste trecho. O Senhor Jesus conhece, meu amado, a nossa luta em tirar os olhos das ondas e ventos que ameaçam nossas vidas e famílias, e de confiarmos nEle totalmente.
Porém, cuidado! Quando não confiamos, usamos de recursos que não são nossos de verdade. Usamos do tempo de Deus, do dinheiro de Deus, usamos nossa vontade ,e assim por diante. O resultado? Frustração por não experimentar o livramento do Senhor e o Seu poder em suprir nossas necessidades. Feche hoje mesmo as brechas em sua vida e experimente a liberdade da vontade de Deus.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 22/04/07

Nadando contra a correnteza (13)

Pra você que chegou agora ou se perdeu em nossa jornada, estamos há vários domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 6, encontraremos a Jesus e seu ensino sobre prioridades.

Os Tesouros no Céu
19 “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. 20 Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.22 “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. 23 Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!24 “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.

A forma como alguém encara as coisas materiais é um bom “termômetro” de retidão. No qual, novamente, os Fariseus são reprovados. Eles acreditavam que o Senhor abençoava materialmente aos que Ele amava. Assim, seus focos estavam voltados constantemente a construir riquezas para si. E, certamente, era uma preocupação pastoral de Jesus de que esse comportamento não fosse tomado como um exemplo para o povo que ouvia este ensino.
Contudo, algo interessante é que este povo é quase totalmente formado de pessoas pobres, sem quase nada para se apegar. Por que, então a preocupação de Jesus? A razão óbvia é que o Senhor sabe que todo ser humano é atraído pelo sucesso, riqueza e conforto. Ou será que você conhece muitas pessoas que andam por aí distribuindo sua renda ou mesmo recusando um aumento salarial do seu patrão??? Claro que não. Se isso acontece, são excessões ao comportamento natural do ser humano, isto é, querer mais, sempre mais!
Isso explica o fascínio que muitos têm pela vida das celebridades. Você já percebeu quantas revistas mostrando a intimidade dos “ídolos” e suas casas, carros e casamentos? A maioria deseja o lugar destas pessoas.
Quando não somos assim, infelizmente ainda estamos em um nível perigoso, onde nossas decisões ainda são guiadas pelo material e não pelo espiritual.
Conta-se que foi oferecido a um presidiário duas opções. Ele poderia ganhar 100 reais por cada dia de sua sentença de 20 anos, porém, o dinheiro só poderia ser gasto ali dentro da prisão. Todas as facilidades de compra lhe seriam dadas para usufruir do dinheiro, mas, nenhum centavo sairia com ele quando fosse liberto. A outra opção era ganhar apenas 10 reais por dia em sua prisão, e só poderia usufruir daquele dinheiro após a sua libertação, dali a 20 anos. O que você acha que ele escolheu? O que você escolheria? A maioria das pessoas seguiriam o pensamento “melhor um pássaro na mão do que dois voando”, e ficariam com a primeira opção.
Meu irmão, minha irmã, eu e você estamos na mesma situação, metaforicamente falando. O Senhor está nos perguntando o que preferimos, ser ricos aqui, ou na eternidade? Perseguimos o sucesso material durante os poucos anos de nossa vida, ou trabalhar aqui para termos sucesso e riquezas na eternidade? Aquilo que conquistarmos aqui, não será possível usufruirmos delas na eternidade.
Queridos, façamos uma auto-análise hoje diante do que diz a Palavra de Deus. Quantas vezes temos mais desculpas do que soluções par apresentar ao Senhor? Quantos cristão estão com seus dons e talentos “enterrados” sem utilização para glorificar ao Senhor?
Quantas vezes nosso tempo e disposição para o trabalho são quase inesgotáveis, mas para a obra do Senhor e para glorificar àquele que se deu por nós, só temos falta de ambos?
Uma das mentiras que o Diabo tem lançado é nossa obrigação para com nossos filhos. É a idéia falsa que é mais importante sacrificarmos nosso tempo com o Senhor e na realização de Sua vontade do que deixarmos de cuidar das coisas deste mundo. Isso, quando sabemos que a maior herança humana que podemos deixar para os nossos filhos somos nós mesmos, nosso tempo e atenção. Isso, quando sabemos (ou deveríamos saber) que a maior herança eternal que podemos deixar para os nossos filhos é o conhecimento do Senhor e apontar o caminho da salvação para eles.
Onde está o nosso coração? Onde estão nossas prioridades? Onde está o nosso tesouro? Para onde nossos olhos são atraídos?
O Senhor deseja a resposta dessa auto-análise hoje, de mim e de você. Olhe para a sua agenda? Quais têm sido as suas decisões para com o estudo da Palavra, para com a oração, para com o evangelismo? Onde está o centro da sua vida? Bem, ali você encontrará também o seu coração.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 15/04/07

Nadando contra a correnteza (12)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. Desta vez, este orgulho é conhecido através da forma de se conduzirem durante o jejum.

O Jejum
16 “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.17 Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto,18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.

O jejum era o terceiro exemplo da “retidão” farisaica. Os Fariseus amavam poder jejuar para serem notados pelas pessoas e que estas os olhassem como muito “espirituais”. O jejum enfatiza a mortificação da carne, porém, o Fariseus glorificavam a carne ao atrair a atenção para eles mesmos. O Senhor, por outro lado, enfatiza que tais atos de contrição deveriam ser feitos para Deus, “em secreto”. Ninguém deveria seguir o exemplo dos Fariseus de recusar óleo sobre a sua cabeça. Esta seria a tradução literal do lavar o rosto. o óleo aqui traz uma conotação de alegria e desviaria a atenção das pessoas. Afinal, contrição e dor são mais observáveis como sinais de espiritualidade do que festa e alegria.
O jejum é algo praticado por inúmeras religiões como forma de se aproximar da divindade. A compreensão de que a carne é má não é completa, na verdade, é limitada e primitiva do ponto de vista religioso. Igualmente errada é a idéia de merecimento através do sofrimento. Nada disso se sustenta biblicamente. O jejum bíblico tem como motivação levar-nos a uma predisposição mental para as coisas relativas ao nosso vínculo espiritual com o nosso Deus. Um Deus pessoal, mas que é tornado impessoal pelas coisas materiais ao nosso redor.
O tempo do jejum é uma questão muito mais pessoal do que técnica. Porém, como disse Davi, “Não oferecerei ao SENHOR, o meu Deus, holocaustos (ofertas) que não me custem nada”. Desta forma, o Jejum deve respeitar nossos limites físicos, porém, sem trapaça. Pode-se começar com um jejum parcial cobrindo apenas algumas horas do dia. Porém, isso deve ser estendido quando percebermos que não significa nenhum esforço pessoal.
O jejum também pode ou não ter um propósito prático além da consagração pessoal. Buscar uma resposta da parte de Deus ou alcançar um vitória na vida podem ser reforçadas pelo jejum acompanhando a oração. Mas, sempre tendo em mente, não se trata de uma troca, de uma barganha com Deus. De maneira alguma.
De qualquer maneira, jejuar pelo menos uma vez por mês é algo que deve fazer parte de nossas vidas. Sempre tendo o Senhor como centro e não nós.
Nos três exemplos da “retidão” dos Fariseus - oferta (v.1-4), oração (5-15) e jejum (16-18) - Jesus usa hipócritas (v. 2, 5, 16), ostentação pública (v. 1, 2, 5 e 16), receber sua recompensa diante dos homens (v. 2, 5 e 16), agir em secreto (v. 4, 6 e 18), e ser recompensado pelo Pai que vê em secreto (v. 4, 6, 8 e 18). Obviamente, isso não é uma coincidência; o Senhor estava querendo nos ensinar algo com muita ênfase.
Será que aprendemos? Será que isso é apenas nestas três áreas?
Quantas vezes vemos tanta vaidade por causa dos dons que recebemos ou dos talentos que temos? Quanto orgulho porque “nós temos a interpretação bíblica correta”? Sem mencionar as vezes que nos comparamos uns aos outros ou valorizamos mais ao que demonstram uma espiritualidade exterior que tanto nos atrai.
Creio firmemente que apenas a eternidade vai revelar o nome de homens e mulheres de Deus que serão grandemente recompensadas porque fizeram “em secreto”, apenas para o Senhor. Enquanto que os holofotes se apagarão de sobre aqueles que já receberam a sua recompensa das mãos e olhares dos homens.
Quanto a nós, o que faremos diante deste ensino de Jesus? Quero sugerir uma resposta prática e mensurável... vamos jejuar. Simples assim. Quero desafiar você a ESTA SEMANA separar diante do Senhor um tempo de jejum e oração. Se precisar, busque ajuda e orientação, mas não deixe que a falta de informação se torne uma desculpa para não obedecer à Palavra de Deus. Creia, a recompensa é garantida.
Então os discípulos de João vieram perguntar-lhe: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?” Jesus respondeu: “Como podem os convidados do noivo ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão. (Mateus 9.14-15)
Até que o noivo volte, nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 08/04/07

Nadando contra a correnteza (11)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. O Senhor aproveita e inicia seu ensino sobre a prática de oração que agrada ao Pai.

A Oração
5 “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 9 Vocês, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas.

Logo quando nos convertemos, sentimos certo receio de orar publicamente tendo como maior preocupação o que vamos falar. Será que usaremos as palavras certas, será que usaremos as expressões corretas. Quando ouço pessoas orando assim que se convertem, posso perceber que mesmo esta inquietação não impede a sinceridade das palavras.
Contudo, o problema central apontado por Jesus é na verdade a sua atitude. Em primeiro lugar, direcione para o Senhor as suas palavras. Nunca devemos nos importar em quem está ao nosso redor, nem por reconhecimento, nem mesmo para “mandar recados”. Em segundo lugar, creia que a fonte de poder da oração está também no Senhor e não em nossas palavras. Portanto, não adianta repeti-las como um mantra ou como um encantamento. Constância na oração não é isso, mas, antes, é a perseverância de nossa fé num Deus que “sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem”.
Após apontar a correção da atitude deles, Jesus dá aquela que seria conhecida como a “Oração do Senhor” ou “Pai Nosso”, mas que seria melhor ser conhecida como a “Oração dos Discípulos”. Como modelo, seria assim...
Ela começa com adoração. E chamando-O de “Pai” apontamos a nossa intimidade com Ele. Não é uma adoração religiosa, mas, sim, de quem é chegado ao trono da Graça, mas que mesmo assim é reverente para com Deus!
Segue-se a confiança nas promessas de Deus, “venha o Teu Reino”; o Senhor irá cumprir as suas alianças e as suas promessas. Oramos para um Deus fiel. Essa confiança também é expressada em pedirmos por nossas necessidades, o que demonstra nossa dependência do Pai. “De cada dia” (gr. epiousion, usado apenas aqui em todo N.T.), siginifica “o suficiente para hoje”! Exatamente no mesmo espírito em que o Maná foi dado, o Senhor espera de nós esta dependência apenas pelo dia de hoje, até que amanhã chegue.
A questão do perdão e da confissão de pecados pode ser a mais difícil na oração. Não apenas devido ao exercício de humildade e humilhação de reconhecer e se arrepender de nossos pecados, mas, porque este precisa ser precedido do exercício de restituição àqueles para com quem temos falhado! Apesar do perdão dos pecados não ser baseado no nosso perdão para outros e sim em nosso arrependimento genuíno, a recusa em perdoar aponta uma falha em nosso caráter a qual é dada muita importância pelo Senhor (v.14-15).
Uma vida sem pendências é de grande ajuda na batalha espiritual. Flertar com pecado e pedir libertação do mesmo é no mínimo contraditório. A doração final termina como o outro pão em um sanduíche de uma oração bem feita, e, mas importante, aceita pelo Pai.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 01/04/07

Nadando contra a correnteza (10)

Enquanto chegamos ao nosso décimo domingo, entramos no capítulo 6 de Mateus. Aqui Jesus aponta um problema clássico, a auto-glorificação.

A Ajuda aos Necessitados
1 “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.2 “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.3 Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.

A partir deste ponto, o Senhor deixa de examinar os ensinos dos Fariseus e passa a examinar a hipocrisia das obras deles.
Jesus primeiro fala das ofertas dos Fariseus. Justiça não é uma questão primordialmente entre uma pessoas e os outros, antes entre a pessoa e Deus. Portanto, seus atos não deveriam ser demonstrados diante das pessoas porque assim a sua recompensa viria dessas pessoas (v.1-2). Os Fariseus faziam um grande “show” quando iam ofertar para os pobres ,tanto nas sinagogas quanto nas ruas, achando que assim estariam provando o quão justos eles seriam. Mas, em resposta a isso, o Senhor ensina que quando esti ver dando nem mesmo a sua mão esquerda saiba o que está fazendo a direita, ou seja, deveria ser algo tão secreto, tão interior, tão voltado para Deus que o ofertante mesmo esquece o que ofertou!
Desta maneira, ele demonstraria verdadeira justiça diante de Deus e não diante dos homens, e assim, ser recompensado por Deus. Não é possível alguém receber a recompensa dos homens e de Deus ao mesmo tempo. Principalmente o recebimento da primeira cancela a possibilidade da segunda.
Alguns questionamentos a mais podemos fazer diante deste texto.
Reafirmamos tanto o valor insubstitutível da graça na salvação que esquecemos o papel das obras na santificação! O próprio texto chama de “obras de justiça”, ou seja, tudo que nos fazemos que pertence à justiça que recebemos ao aceitar a Jesus como Senhor e Salvador. Uma coisa não pode andar sem a outra. Sim, somos salvos pela graça, mas as obras são a moldura da linda pintura que a graça fez em nossas vidas.
Amados, nunca aceitemos a mesmice e a omissão da proposta de vida religiosa. Nunca aceitemos que estar na igreja é apenas o que o Senhor espera de nós. De jeito nenhum!
Precisamos então compreender o desafio total deste texto, isto é, fazermos aquilo que o Senhor deseja, porém sem nenhum sinal de auto-promoção ou auto-justiça. Como dizia o compositor sacro quando exaltavam as suas maravilhosas sinfonias e óperas, Soli Deo Gloria, “Apena a Deus a glória”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

domingo, 20 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (9)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há nove domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 5, veremos a questão do que fazer quantos aos nossos opositores.

O Amor aos Inimigos
43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. 44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, 45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.

Os Fariseus ensinavam que as pessoas deveriam amor aqueles que eram próximos delas e queridos por elas (Lv 19.18), e que os inimigos de Israel deveriam ser odiados. Alguns Salmos deixam isso muito claro quando pedem que os inimigos de Israel sejam esmagados. Por causa disso tudo, os Fariseus deduziram que o ódio deles era a maneira de Deus julgar os seus inimigos. Mas Jesus declarou que Israel deveria demonstrar o amor de Deus mesmo para com seus inimigos - uma prática que nem sequer havia sido ordenada no Antigo Testamento! Deus os ama; Ele faz raiar o seu sol e derrama a chuva para produzir colheita. Uma vez que o Seu amor se estende a todos, Israel deveria também ser um canal do Seu amor amando a todos. Tal amor demonstraria que eles eram filhos de Deus (cf. Mt 5.16). Amar apenas aqueles que nos amam e saudar apenas seus irmãos era equiparar-se aos “detestáveis” cobradores de impostos e gentios - algo inimaginável para um Fariseus! E certamente também para nós. Quando nosso comportamento é comparado com sendo próximo demais ao comportamento daqueles que não conhecem ao Senhor, que coisa incômoda. Como tem sido a sua relação com os seus opositores? Talvez seja um pouco forte demais usar a palavra “inimigo”. Contudo, todos nós nos defrontamos aqui ou acolá com situações nas quais somos colocados diante de pessoas que desejam nos prejudicar de alguma maneira, mesmo quando não percebem. Nosso desafio desta semana é analisar qual tem sido nossas reações quando estamos nesta situação. Pode ser de um desconhecido no trânsito ou mesmo de um colega de trabalho ou chefe que encontramos todo dia. De qualquer maneira, precisamos levar a sério a palavra do Senhor Jesus: “‘Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

sábado, 12 de maio de 2007

Quando Deus intervém!

Muitas vezes em nossas vidas precisamos de que Deus seja Deus e faça o que nós não podemos fazer, pois o que nos resta é apenas confiar. Era quinta-feira, dia 26 de abril. No fim-de-semana seguinte, eu estaria pregando num acampamento e planejava levar toda a família para um tempo de descanso. Mas, nada saiu como planejado. No final da tarde, Joshua, nosso caçula de 2 anos e 11 meses, começou a tossir um pouco. Acostumados que somos com as crises respiratórias dos nossos filhos, fizemos a nebulização e pronto. Perto das 22:45, Leila percebeu que ele estava febril. Eu não havia percebido porque havia tocado apenas os braços e as pernas, os quais estavam frios; porém, a cabeça dele estava muito quente. Mais tarde, como a febre subia, demos Dipirona, porque não tínhamos Tilenol. Ele até que tomou, mesmo com o gosto ruim. Porém, devido à tosse, uns 30 minutos depois ele vomitou. Pensei logo que a Dipirona tinha saído também. Então, após ele dormir no nosso quarto de assistir televisão, deixei a Leila estudando em nosso quarto e fui atrás de uma farmácia 24 horas para comprar outro anti-térmico. Já era mais de meia-noite. Fui rápido, mas não rápido o suficiente. Leila conta agora o que aconteceu em minha ausência.
Estava no quarto preparando-me para dormir , quando senti a necessidade de voltar ao lugar que deixamos nosso bebê dormindo até Joe chegar com os medicamentos. Percebi quando cheguei à porta do quarto que ele estava tremendo e logo corri para ver de perto o que de fato estava acontecendo.Na verdade, ele já estava em crise de convulsão. Neste momento sem saber o que fazer, pois ele não mais me respondia, gritei por ajuda ao rapaz que está morando conosco há algum tempo, Jonathan já se encontrava dormindo, quando bati bem forte na porta do quarto dizendo: "Jonathan, acorde, o Prezinho está morrendo", e no meio daquela desesperadora situação, Asaph acordou em meio ao choro de desespero meu que certamente o levou a ficar apavorado com toda a situação...Não dá pra esquecer o quanto ele implorou para que seu irmão voltasse e ficasse normal...frases como: “quanto você quer pra viver?” “ Posso te dar todos os brinquedos”... enfim... foram freqüentes na boca de nosso filho mais velho. Neste momento, ele já estava desfalecendo e ficando “roxo”, tentamos apertar o seu peito, mas só o vimos piorar saindo de sua boca uma “estranha espuma”, quando sai correndo para rua com ele no meu colo e fui à casa de nossa vizinha ao lado de nossa casa, que Graças a Deus nos socorreu imediatamente. Ela, Lo-Rhuama, carregou Joshua no colo e tentou soprar na sua boca, que a fez perceber sua respiração muito fraca. Seu filho, Fernando, nos levou no seu carro para o Hospital Infantil de Boa Vista, e quando lá chegamos, Joshua foi levado para a sala do Trauma para receber atendimento. Ele chegou ao Hospital desmaiado.
Enquanto estavam ajudando nosso filho a retornar, Joe chegou ao hospital... sei que daqui pra frente ele mesmo vai falar sobre aquilo que Deus tem nos mostrado com toda essa experiência... Quanto a mim... “O SENHOR, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”. Hb. 2.20 “Bom é confiar no nosso Deus e aguardar em sua salvação, e isso em silêncio.”

Quando eu chegava em frente à nossa casa, dei com o Asaph ao lado do nosso vizinho já na calçada. As palavras, “seu filho”, “muito mal” e “hospital” é tudo que me lembro. Entrei um segundo atrás do meu telefone e sai correndo pro hospital. No caminho comecei a clamar com tudo o que havia em mim, “Deus, não deixe meu filhinho morrer!” Neste meio tempo, o Asaph colocou o vizinho pra orar pelo seu irmãozinho, um fato até engraçado nos acharíamos depois, uma vez que ele não é evangélico. Chegando ao hospital, passei voando por conhecidos e funcionários, e achei Leila na sala de trauma, e meu filho sobre uma maca. Foi grande o impacto. Ele estava sem cor, coberto por um cobertor molhado sobre o corpo e uma toalha sobre a cabeça. A febre havia batido os 39°... por isso, a convulsão.
Imediatamente, comecei a orar impondo as mãos sobre ele. Repreendi todo espírito de morte e enfermidade e pedir especificamente que o Senhor colocasse Seu anjo cobrindo o corpo do meu filho. Liguei também para irmãos de nossa igreja para que orassem e pedissem que outros orassem. Enquanto orava perto do ouvido do Joshua, intercalava com palavras para acalma-lo, porque ele gemia muito.
Pedi à Leila que ficasse no corredor, se acalmasse e orasse. Lá, ao pedir que o Senhor não deixasse nosso filho morrer, ela ouviu de Deus a correção mais difícil pra aquele momento, “Você está me pedindo errado. Você deve pedir pela Minha vontade!”. E assim ela fez.
As próximas horas foram dramáticas enquanto presenciávamos o Senhor agir, e medição após medição, a febre foi baixando. E por volta das 3 horas, Joshua começou a olhar pra nós e conversar conosco. Em meio a muitas palavras, fiz a pergunta que é tipo uma brincadeira entre nós, “Cadê o amor do papai?”. Como foi bom ouvi-lo dizer “Tá ati”. Mesmo agora depois de tantos dias, ainda é difícil segurar a emoção diante do amor de Deus, mas do que o Seu agir.
Mas, o mais importante é que hoje, dia 13 de maio, nosso filho completa 3 anos. Há 3 anos o vimos chegar ao mundo com apenas 7 meses e apenas 1.350 gramas. Há 3 anos o vimos lutar pra viver e vencer. Há 3 anos o chamamos Joshua, “Josué”, “Ieshua”, “Jesus”, ou... “Jeová Salva”.
“Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam.” Isaías 64.4 (este versículo está dentre de nossas alianças.)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (8)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

A Vingança
38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.

As palavras “olho por olho, e dente por dente” vem de diversas passagens no Antigo Testamento (Ex 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21); elas são chamadas de lex talionis, a Lei da Retaliação. Esta lei fora dada para proteger o inocente e para assegurar que retaliação não ocorresse além da ofensa cometida. Jesus, contudo, destacou que enquanto os direitos do inocente eram protegidos pela Lei, o justo não precisava necessariamente exigir seus direitos. Um homem justo seria caracterizado por humildade e altruísmo. Assim, ele andaria a “segunda milha” para manter a paz. Quando injustiçado por ter sido atingido na face, ou processado pela sua túnica (vestimenta interior, a capa era a vestimenta exterior.), ou forçado a viajar com alguém por uma milha, ele não contra atacaria, não exigiria ressarcimento, nem se recusaria acompanhar. Em lugar de retaliar, ele faria o contrário, e ainda deixaria tudo com o Senhor que um dia colocará todas as coisas em ordem (conf. Rm 12.17-21). Tudo isso foi visto ao extremo na própria vida do Senhor Jesus, como foi apontado por Pedro (1 Pe 2.23). Quando lemos tudo isso, certamente achamos tudo muito lindo, porém, olharmos para nossas vidas vem o questionamento: “será possível viver isso?”. E esta é a razão de se tratar de uma contra-cultura. Só com o auxílio de quem já conseguiu concretizar esta vitória é possível para nós alcançarmos o mesmo. Aliás, apenas seguindo os passos do Mestre, podemos ter uma vida magistral.
"Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos. 'Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca.' Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados." (1 Pe 2 .20-24)
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 11/03/07

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Nadando contra a correnteza (7)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

Os Juramentos
33 “Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamentei, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. 34 Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelos céus, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36 E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. 37 Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno.


A questão de fazer juramentos vem na seqüência de ensinamentos do Senhor no sermão do Monte. Os Fariseus eram conhecidos por seus juramentos, os quais eram feitos pelos motivos mais fúteis. Todavia, eles tinham precauções mentais em seus juramentos. Se desejassem ser livres de um juramento que haviam feito “pelos céus”... “pela terra”... “por Jerusalém”... ou pela cabeça de alguém, eles apenas podiam argumentar que uma vez que Deus mesmo não havia sido envolvido naquele juramento, o mesmo não os amarrava. Mas Jesus diz que juramentos nem mesmo deveriam ser necessários: “Não jurem de forma alguma”. O fato de se usar juramentos enfatizava a maldade do coração do homem. Além do mais, jurar “pelos céus”, “pela terra” ou “por Jerusalém” amarrava, sim, aquele que jurava, pois era o “trono”, o “estrado” e a “cidade” de Deus, respectivamente. Até mesmo a cor de nossos cabelos é determinada pela soberania de Deus. Por outro lado, Jesus mais tarde iria responder a um juramento (Mt 26.63-64) e Paulo também (2 Co 1.23). O que o Senhor está dizendo é que a vida de uma pessoa deveria ser suficiente para sustentar a palavra desta pessoa. Um “sim” deveria ser sempre “sim” e um “não” deveria ser sempre um “não”.
Tiago parece estar repetindo as palavras de Jesus em sua epístola (Tg 5.12) Para nós da Videira, a principal aplicação deste texto pode ser a palavra lealdade. Temos sido abençoados e temos abençoado uns aos outros. E precisamos nos ter em alto conceito e cultivar a lealdade em palavras e ações para com nossos irmãos. Há tantas aplicações práticas quanto a isso. Na célula, nos discipulados, nos demais eventos de nossa comunidade. Eu quero viver o que a Palavra nos ensina quanto a isso, “nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.” (Fp 2.3); e assim considerar meus irmãos, discípulos e ovelhas, com lealdade. Para tanto, como Jesus nos ensina, ter uma vida que sustente aquilo que eu falo ou faço.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 04/03/07.

terça-feira, 27 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (6)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há seis domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão do divórcio.


O Divórcio
31 “Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. 32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.

Entre os líderes judeus havia duas correntes de pensamento quanto à questão do divórcio (Dt 24.1). Aqueles que seguiam ao rabino Hillel diziam ser permitido para um marido se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, enquanto o outro grupo, que seguia o rabino Shammai diziam que apenas uma ofensa de grande importância seria motivo para divórcio. Em Sua resposta, Jesus ensina fortemente que o casamento é visto por Deus como uma união indissolúvel e que o casamento não deveria ser terminado pelo divórcio. A “cláusula de exceção”, “exceto por imoralidade sexual” (gr. porneias), é compreendida em diversas maneiras por estudiosos das Escrituras. Quatro dessas maneiras são: (a) um adúltério que aconteça apenas uma vez; (b) infidelidade durante o período de noivado; (c) casamento entre pessoas de parentesco próximo (Lv 18.618); e (d) promiscuidade contínua. Sem entrar na questão entre os dois rabinos, Jesus já no capítulo 19, também de Mateus, lembra os líderes religiosos do propósito original de Deus em estabelecer o laço do casamento. Deus fez as pessoas homem ou mulher (v.4; Gn 1.27). No casamento, Ele junta os dois em uma ligação inseparável. Esta ligação possui um chamado maior do que entre pais e filhos, pois o homem deve deixar pai e mãe e se juntar a sua esposa num relacionamento de uma só carne (Gn 2.24). Assim, o que Deus juntou que nenhum homem separe, ou divorcie. Em resposta aos judeus sobre a “cláusula de exceção”, Jesus diz que foi a resposta de Moisés à dureza do coração do povo. Tal expressão é muito forte. Ela contém a palavra kardia significando “coração” acrescentada da palavra skleros, “dureza”, e de onde vem nossa palavra “esclerose”! Ou seja, apenas para pessoas de coração esclerosado, sem possibilidade de flexibilidade, sem possibilidade de ministrar graça. Mesmo com todas as interpretações, que possibilitam ou não o recasamento da parte traída, o ponto fundamental a ser observado é que o Senhor deixa claro que o propósito inicial de Deus deve ser o mesmo dos Seus filhos. Em outras palavras, nunca considere o divórcio como uma alternativa aberta a todo e qualquer momento. Nem mesmo com a condição de infidelidade. Esta é apenas para aqueles que querem ocupar a categoria de “pessoas de coração endurecido.” Acima disso, a lei do perdão sempre deve prevalecer porque prova a atuação de Deus em nossas vidas e não apenas o exercício de NOSSOS direitos e NOSSAS vontades.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 25/02/07

domingo, 25 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (5)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há cinco domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos um dos assuntos mais doloridos na vida de qualquer pessoa: o adultério.


27 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. 28 Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno."
Jesus usa esta expressão do versículo 27 sempre quando deseja fazer um contraste entre o ensinamento anterior e o Seu. Ou, como é o caso aqui, quando Ele desejava apenas apontar que o entendimento quanto ao que fora ensinado estava errado. Não adulterar para as pessoas que desejam viver uma vida religiosa pode ser apenas não se deitar com uma pessoa que não seja o seu cônjuge, mas para Jesus era mais do apenas isso. Jesus não deseja apenas pureza exterior para os Seus discípulos, antes Ele almeja também pureza interior. E por que será isso? A razão é precaução. Arrisco a dizer que 100% dos casos de adultério começaram com a remoção das cercas de proteção da vida das pessoas. Cercas como o relacionamento físico com seu cônjuge, a intimidade espiritual com o Senhor, a transparência da prestação do contas no discipulado, a confissão de pecados para o Senhor, e etc. Por isso, Jesus diz que não devemos nos preocupar apenas quando estamos já a cair, mas, sim, quando ainda estamos bem de pé, contudo, brincando com o inimigo.
E isso é ainda mais relevante em nosso estado. Há algum tempo atrás, uma conferencista em visita à nossa cidade declarou que no momento em que colocou os pés em nosso solo, ela teve o discernimento espiritual de que a destruição de famílias através do adultério é o maior item na agenda das forças espirituais das trevas que agem por aqui. Isso, na verdade, apenas veio a confirmar o que já achávamos por nós mesmos. Interessante que nem precisa ser cristão para notar isso. Há alguns meses uma das participantes do Casados Para Sempre declarou que uma amiga disse a ela “cuidado com o seu marido aqui”; detalhe, esta amiga nem cristã era!
Por isso, Jesus declara que a palavra de ordem é precaução! Marido, cuide de sua esposa; esposa, cuide do seu marido. Talvez o nosso problema é que realmente achamos que após o casamento, as coisas irão “naturalmente” seguirem o seu curso, que não precisamos investir mais nada... afinal, já casamos, não é mesmo? Confesso que também em alguns momentos pensei ou agi desta maneira. Mas, a verdade é que a negligência é uma das maiores razões que levam cônjuges a serem infiéis. É claro que isso não justifica, mas explica o que acontece em nossas famílias. Portanto, precisamos compreender de uma vez por todas quem são as pessoas mais importantes em nossas vidas, primeiro nosso cônjuge, depois nossos filhos.
Voltando às nossas “cercas de proteção”, a última parte do texto é muito importante. Jesus trata sobre a seriedade com a qual devemos encarar aquilo que alguns chamam de “destruidores de cercas’. Isto é, as coisas, hábitos, eventos, acontecimentos e principalmente pessoas que são usadas para paulatinamente destruir o que foi colocado em nossas vidas por Deus e para nossa proteção. Por isso o Senhor nos adverte que é melhor perdermos algumas coisas das quais achamos que temos direito do que deixá-las nos prejudicar. E Ele é tão sério sobre isso, que usa o exemplo de uma amputação de um braço ou mesmo um olho.
Na verdade, o princípio que Jesus está nos ensinando não é, de maneira alguma, o de auto-mutilação. Isso seria absurdo. Antes, se trata do princípio de abrir mão de sua liberdade. Por exemplo, há alguns anos eu competia em bicicross. Poderia até ser considerado razoável e em crescimento. Tinha razões pra continuar. Mas, de pouquinho em pouquinho, o esporte foi tomando meu tempo. E sem perceber, já estava chegando atrasado nas reuniões de minha igreja e também negligenciando meus compromissos. Eu tinha que tomar uma decisão: poderia manter as duas coisas acontecendo satisfatoriamente? Compreendi que não. Então, “amputei” a prática competitiva daquele esporte de minha vida. Deus e a Sua obra eram mais importantes.
É claro que no caso de ameaças de infidelidade, as ameaças às nossas cercas são mais sérias. Começa com a distância entre marido e mulher, continua com a distância entre a pessoa e o Senhor, e assim, por diante. Ovelha sozinha vira petisco de lobo. E isso é verdade para os grupos pequenos, mas também nos demais relacionamentos. Mantenha pessoas de Deus ao seu redor, mantenha-se protegido.
Paralelamente, mantenha as ameaças longe. Amizades com o sexo oposto precisam ser sempre vistas com reservas e cuidado. Não seja ingênuo. Não seja também arrogante. A aparência do mal (”Afastem-se de toda forma de mal”, 1 Ts 5.22) não é apenas perigosa e não deve apenas ser evitada pelo que as pessoas possam pensar, mas igualmente por aquilo que aquilo pode fazer com as pessoas que estão perto demais. É precisamente por causa disso que Paulo advertiu a Timóteo que trata-se as irmãs mais velhas em sua igreja como mães e as mais novas como irmãs (1 Tm 5.2). Ele sabia que algumas pessoas fracas e fragilizadas poderiam confundir os relacionamentos, em especial com alguém em posição de autoridade.
Enfim, o conselho de Jesus no sermão do monte é importantíssimo. Jesus deseja que o companheirismo e camaradagem entre os membros de Sua Igreja seja sempre crescente no amor fraternal. E que vejamos qualquer ameaça a unidade da Igreja ou de nossos lares como algo digno de ser extirpado de nossas vidas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 11/02/07

Nadando contra a correnteza (4)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Homicídio
21 “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.23 “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, 24 deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.25 “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. 26 Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo.”
As pessoas na época de Jesus tinham a tendência a achar que os mandamentos eram apenas o que eles diziam e que detalhes mais práticos da vida cotidiana não importavam. Assim, desde que você não literalmente mate, tire a vida de alguém, você poderia tratar a outra pessoa como um lixo, ou com desprezo, ou mesmo com violência verbal. Afinal, nada disso era fatal, não é mesmo?
Porém, com a sua contra-cultura, Jesus muda a forma das pessoas verem tudo. Ele nos ensina coisas preciosas que às vezes preferimos fingir para nós mesmo que não sabemos.
Em primeiro lugar, precisamos lembrar que os padrões de Deus têm como alvo muito mais o nosso coração do que apenas as nossas ações. As nossas motivações também são importantes. Não basta fazer o correto, precisamos estar fazendo o bem dentro de nós. Alías, sobre fazer, precisamos fazer o bem e não apenas não fazer o mal.
Em segundo lugar, nossos problemas de relacionamento atrapalham nossas ofertas ao Senhor. E não apenas ofertas financeiras. Ofertas de louvor, por exemplo, também estão incluídas. Como adorar ao Senhor se duas fileiras atrás está um irmão em Cristo Jesus com quem não tenho comunhão espiritual, ou até mesmo, com quem estou em conflito? Adoração é algo pessoal, mas também é uma experiência comunitária. Ao mesmo tempo que é “eu e Deus”, também é “nós e Deus”. Procure hoje ainda a pessoa ou pessoas que você tem tido dificuldade no relacionamento, e zere este débito em sua vida.
Um aspecto interessante no versículo 23 é que podem haver casos em que o irmão tenha algo contra mim, e mesmo que eu não ache que devo nada a ninguém, é meu papel buscar aquela pessoa e reconciliar-me. Jesus, de forma muito inteligente, “amarra” a situação de ambos os lados. Creio que na esperança que a dureza do coração de um ou de outro fosse quebrada, e alguém desse o primeiro passo.
Precisamos sempre supor que nosso irmão pode genuinamente não saber que nos magoou de alguma forma. Resista a supor o contrário, pois é exatamente isso que a carne deseja de nós. Ela deseja que pensemos “se ele não veio falar comigo, eu que não vou falar com ele”. Criando assim um impasse e criando dois ofertantes defeituosos.
A liberdade de falarmos francamente uns aos outros é algo fundamental em nossa vida em igreja, em nosso vida como irmãos em Cristo. Satanás sabe disso. Então, toda a vez que ele perceber um caminho livre e sem obstáculos entre mim e você, entre você e eu, Satanás tentará jogar entulhos de sentimentos feridos e mal-entendidos no caminho. Acabando assim com nossa comunhão.
Em terceiro e último lugar, o final do texto nos transmite a noção de urgência, “entre em acordo depressa”. A preocupação de Jesus é a nossa procastinação, ou seja, nosso eterno “deixa pra depois”. De alguma forma, achamos que o tempo cura tudo. Contudo, algumas coisas o tempo piora. Mágoas, por exemplo, podem se tornar amargura. Aborrecimento bobos podem se tornar raiva. Assim, é preciso tomar o conselho do apóstolo Paulo, “Quando vocês ficarem irados, não pequem”. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo.” (Efésios 4.26-27). Notemos bem que o diferencial entre pecarmos ou não pecarmos não são nossos sentimentos principalmente, mas, sim, o que fazemos com eles. Ou melhor, quando fazemos algo a respeito deles. Realmente não sei se Jesus quis dizer até o pôr-do-sol realmente, ou até o final de um dia (24 horas), ou algo diferente. O que podemos saber com certeza é que é muito menos tempo do que geralmente nós levamos para consertar uma situação errada em nossos relacionamentos.
E quanto a nós... e quanto a você? Estamos dispostos a viver a contra-cultura de Jesus e talvez até mesmo nos humilharmos para obedecer ao Senhor? Tire um tempo hoje para orar pelas lições que a Palavra de Jesus nos ensinou aqui hoje. Isso será fonte de libertação, bênção e graça, não apenas na sua vida, mas nas vidas de todos ao redor de você... nas vidas de todos a começar nas vidas da Comunidade Batista Videira.

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12.14
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 04/02/07

sábado, 24 de março de 2007

Batismos na Videira!

Olha aqui algumas fotos das bênçãos que o Senhor tem dado à Comunidade Batista Videira!
26 de agosto de 2006 (usamos o templo da Igreja Batista Monte Sinai) e 15 novembro de 2006 (em um passeio no igarapé Água Boa).

Nadando contra a correnteza (3)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”.
Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
Jesus Cumpre a Lei
17 “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. 18 Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. 19 Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. 20 Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.”
Algumas pessoas na época de Jesus estavam compreendendo errado a sua vinda. Isso aconteceu por causa das expectativas que muitos tinham a respeito do Messias. Era quase como se cada pessoa tivesse um Messias seu, feito sobre medida.
Assim,esta parte do Sermão do Monte apresenta o coração da mensagem de Jesus, porque ela demostra o relacionamento dEle com a Lei de Deus. Jesus não estava apresentando um sistema rival para a Lei de Moisés e para os ensinos dos profetas, antes era um cumprimento verdadeiro da Lei e dos Profetas - em contraste com a tradição dos Fariseus. “A Lei e os Profetas” se referia a todo o Antigo Testamento.
“Digo-lhes a verdade”, pode ser traduzido, “Verdadeiramente, eu lhes digo”, e desta primeira palavra é o nosso “Amém”.
Jesus nos assegura do cumprimento da Palavra comparando que até cada “yôd”. Em português, poderíamos compreender este texto como dizendo que seria cumprido deste o pingo do “i” até a perninha que diferencia o “P” do “R”! Cada detalhe da Lei seria levado à sua maturação pela vida do Messias. Pela vida de Jesus!
Aliás, a vida é o grande diferencial neste sermão inteiro. Tudo o que Jesus ensinaria, podia ser visto em Sua vida. Em contraste com a vida dos líderes religiosos daquele tempo, os Fariseus, Saduceus e Escribas. A justiça que Deus deseja não era apenas exterior. Não era apenas de aparência. Era uma justiça interior verdadeira baseada na fé na Palavra de Deus, baseada nos ensinos de Jesus.
Novamente, Jesus nos confronta com a questão da religiosidade contra o relacionamento. Ou colocando de outra maneira, o viver apenas exterior, contra o viver interior. O viver de coisas religiosas contra o viver no Espírito.
Mas, por que o viver pela Lei, ou o viver religioso nos atrai muitas vezes?
Em primeiro lugar, viver religiosamente alimenta o nosso ego. Nos dá uma sensação de estar fazendo alguma coisa, ou adquirindo o direito de merecer reconhecimento, quer seja de Deus, quer seja das pessoas.
Em segundo lugar, a religiosidade nos dá a falta sensação de segurança porque estamos (supostamente) em controle. Pensamos conosco mesmo, “basta eu fazer isso ou aquilo e tudo vai bem!”. Basta ir ao culto, basta ter tomado uma decisão pública, basta ler a Bíblia uma vez ou outra, e assim por diante.
Em terceiro lugar, a religiosidade é claramente mais fácil. Mais do que jejuar, mais do que viver em oração, mais do que viver em santidade, mais do que preocupar-se com nossos Natanaéis, mais do que tudo mais que achamos que é apenas para os outros. Convenhamos, para que Satanás iria atacar alguém que não evangeliza, que ora pouco ou nada, enfim, que não oferece “perigo” aos planos dele?
Em quarto lugar, um viver de intimidade com Deus e não por religiosidade requer que abandonemos nossos métodos e aprendamos a depender. Ah, e isso é complicado, não é mesmo? Seria ótimo se pudéssemos abrir o nosso e-mail de manhã cedo e apenas receber a vontade e os pensamentos de Deus para aquele dia. Mas, não acontece assim. É preciso ouvir o sussurar do Espírito Santo e discernir a vontade de Deus em meio a muitas “opções”.
Como foi dito anteriormente, prova de vida (com Deus) foi o grande diferencial apontado na vida de Jesus e neste Sermão do Monte. E é exatamente a nossa vida (ou ausência dela) que impactará as pessoas ao nosso redor. Nada de apenas “glórias a Deus” e “aleluias”, mas antes, demostrações verdadeiras de amor a Deus e pelas pessoas. Enfim, as pessoas precisam reconhecer que temos andando com Jesus e não apenas ouvido falar dEle.
É imperativo abrirmos mão das coisas que nos distraem, abrir mão de tudo que nos atrai ao mundo, e rompermos com nosso viver religioso. E assim, passarmos a cumprir a Lei e os Profetas em nossas vidas também. Viver e não apenas saber!
“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” Atos 4.13

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 28/01/07

Nadando contra correnteza (2)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Sal da Terra e a Luz do Mundo
13 “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.14 “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. 15 E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.

Jesus, magistralmente, usa duas ilustrações para nos ensinar uma única lição: “o discípulo de Jesus é chamado para fazer a diferença.” Simples sentença, mas mesmo assim com muitos princípios poderosos presentes neste texto.
1.) Eu gosto de entender que Jesus não usou o pronome no plural (vocês) por acaso. E não era apenas por que Ele estava se dirigindo a uma multidão de pessoas. Eu creio que existe um significado teológico dizendo que fomos chamados como um corpo para fazer a diferença neste mundo. Apesar do destaque que alguns indivíduos têm na história do cristianismo, o papel do corpo, da coletividade fica acentuado quando“aqueles que “têm causado alvoroço por todo o mundo” eram o motivo de preocupação dos opositores.
2.) Cuidado! O sal pode perder o seu sabor. Este alerta presente nesta passagem é para não nos acomodarmos com nossa posição. Fomos salvos pela graça, mas a vida cristã tem um preço. Você já percebeu para crescermos isso requer muito tempo, mas para esfriarmos, basta negligenciarmos a presença de Deus por alguns dias? E logo estamos frios e desinteressados. Verdadeiramente, como restaurá-lo o sabor?
3.) “Ser jogado fora e ser pisado” é algo terrível. Com certeza, não deve ser agradável. Isso acontece quando nosso testemunho desonra o evangelho e o nome de Jesus. Acontece quando nossa vida não glorifica a Deus através de nossos atos e comportamento. Quando nos assemelhamos ao mundo, de forma alguma podemos mostrar a cultura do Reino.
4.) “uma cidade construída sobre um monte” nos ensina sobre o destaque que temos apenas por pertencermos a Jesus. A Bíblia diz que somos espetáculo ao mundo, ou seja, todos nos observam. Não há como nos escondermos. Pedro tentou ficar oculto em meio ao ajuntamento perto de onde Jesus estava preso, mas as pessoas o reconheceram. Elas também lhe reconhecerão. Então, que nos reconheçam como aqueles que tem sido luz do mundo.
5.) “coloca-a no lugar apropriado” - alguém disse uma vez que o segredo de um negócio bem-sucedido são três coisas: localização, localização e localização. Na vida cristã, como nada é por acaso, você é colocado em determinado lugar para cumprir um propósito de Deus, e não por sua própria vontade. Porém, infelizmente, alguns cristãos decidem a sua vida e o seu futuro da mesma maneira que os não-cristãos. Quero me aposentar assim e assim, com conforto, de frente pra praia, no interior, num sítio, e assim vai. Raros são os casos em que alguém encara sua aposentadoria, por exemplo, como um enorme oportunidade de servir ao Senhor. O lugar apropriado é aquele onde podemos iluminar mais, onde podemos servir mais. Você consegue imaginar como seria se os cristão aposentados, profissionais que tem liberdade de uso do seu tempo, empresários, funcionários públicos de tempo corrido, enfim, todos aqueles mais privilegiados com a flexibilidade de seu tempo, se todos esses usassem este presente de Deus de maneira a servir o Reino? Que revolução seria!
Mas, o lugar apropriado também nos ensina sobre nosso lugar de trabalho, nosso lugar de moradia, enfim, sobre tudo que precisamos confiar que Deus está nos posicionando como peças em um tabuleiro de xadrez, para a Sua glória (v.16).
Conta-se que há muitos anos uma missionária foi presa em um país comunista. O lugar é úmido e fétido, com paredes encardidas. Depois de algum tempo, ela pediu ao guarda sabão, água e um esfregão. Ela passava os dias desencardindo as paredes da sua cela enquanto dizia “desta mesma maneira, Jesus limpou meu coração”. As demais detentas a ouviam e se perguntavam o que ela queria dizer, pois naquele país, quase nada é conhecido sobre Jesus. Quando terminou a sua cela, ela pediu permissão para fazer o mesmo nas demais celas. E assim foi, limpando e declarando “desta mesma maneira, Jesus limpou meu coração”. Passado muitos dias, e com todas as celas limpas, a missionária faleceu. Porém, deixou para trás uma tarefa cumprida: centenas de mulheres transformadas pois encontraram a Luz nas celas escuras e úmidas de uma prisão.
“Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavrad da vida. Assim, no dia de Cristo eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente. Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebidae sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês. Estejam vocês também alegres, e regozijem-se comigo.” Filipenses 2.12-18

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 21/01/07