Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há cinco domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos um dos assuntos mais doloridos na vida de qualquer pessoa: o adultério.
27 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. 28 Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno."
Jesus usa esta expressão do versículo 27 sempre quando deseja fazer um contraste entre o ensinamento anterior e o Seu. Ou, como é o caso aqui, quando Ele desejava apenas apontar que o entendimento quanto ao que fora ensinado estava errado. Não adulterar para as pessoas que desejam viver uma vida religiosa pode ser apenas não se deitar com uma pessoa que não seja o seu cônjuge, mas para Jesus era mais do apenas isso. Jesus não deseja apenas pureza exterior para os Seus discípulos, antes Ele almeja também pureza interior. E por que será isso? A razão é precaução. Arrisco a dizer que 100% dos casos de adultério começaram com a remoção das cercas de proteção da vida das pessoas. Cercas como o relacionamento físico com seu cônjuge, a intimidade espiritual com o Senhor, a transparência da prestação do contas no discipulado, a confissão de pecados para o Senhor, e etc. Por isso, Jesus diz que não devemos nos preocupar apenas quando estamos já a cair, mas, sim, quando ainda estamos bem de pé, contudo, brincando com o inimigo.
E isso é ainda mais relevante em nosso estado. Há algum tempo atrás, uma conferencista em visita à nossa cidade declarou que no momento em que colocou os pés em nosso solo, ela teve o discernimento espiritual de que a destruição de famílias através do adultério é o maior item na agenda das forças espirituais das trevas que agem por aqui. Isso, na verdade, apenas veio a confirmar o que já achávamos por nós mesmos. Interessante que nem precisa ser cristão para notar isso. Há alguns meses uma das participantes do Casados Para Sempre declarou que uma amiga disse a ela “cuidado com o seu marido aqui”; detalhe, esta amiga nem cristã era!
Por isso, Jesus declara que a palavra de ordem é precaução! Marido, cuide de sua esposa; esposa, cuide do seu marido. Talvez o nosso problema é que realmente achamos que após o casamento, as coisas irão “naturalmente” seguirem o seu curso, que não precisamos investir mais nada... afinal, já casamos, não é mesmo? Confesso que também em alguns momentos pensei ou agi desta maneira. Mas, a verdade é que a negligência é uma das maiores razões que levam cônjuges a serem infiéis. É claro que isso não justifica, mas explica o que acontece em nossas famílias. Portanto, precisamos compreender de uma vez por todas quem são as pessoas mais importantes em nossas vidas, primeiro nosso cônjuge, depois nossos filhos.
Voltando às nossas “cercas de proteção”, a última parte do texto é muito importante. Jesus trata sobre a seriedade com a qual devemos encarar aquilo que alguns chamam de “destruidores de cercas’. Isto é, as coisas, hábitos, eventos, acontecimentos e principalmente pessoas que são usadas para paulatinamente destruir o que foi colocado em nossas vidas por Deus e para nossa proteção. Por isso o Senhor nos adverte que é melhor perdermos algumas coisas das quais achamos que temos direito do que deixá-las nos prejudicar. E Ele é tão sério sobre isso, que usa o exemplo de uma amputação de um braço ou mesmo um olho.
Na verdade, o princípio que Jesus está nos ensinando não é, de maneira alguma, o de auto-mutilação. Isso seria absurdo. Antes, se trata do princípio de abrir mão de sua liberdade. Por exemplo, há alguns anos eu competia em bicicross. Poderia até ser considerado razoável e em crescimento. Tinha razões pra continuar. Mas, de pouquinho em pouquinho, o esporte foi tomando meu tempo. E sem perceber, já estava chegando atrasado nas reuniões de minha igreja e também negligenciando meus compromissos. Eu tinha que tomar uma decisão: poderia manter as duas coisas acontecendo satisfatoriamente? Compreendi que não. Então, “amputei” a prática competitiva daquele esporte de minha vida. Deus e a Sua obra eram mais importantes.
É claro que no caso de ameaças de infidelidade, as ameaças às nossas cercas são mais sérias. Começa com a distância entre marido e mulher, continua com a distância entre a pessoa e o Senhor, e assim, por diante. Ovelha sozinha vira petisco de lobo. E isso é verdade para os grupos pequenos, mas também nos demais relacionamentos. Mantenha pessoas de Deus ao seu redor, mantenha-se protegido.
Paralelamente, mantenha as ameaças longe. Amizades com o sexo oposto precisam ser sempre vistas com reservas e cuidado. Não seja ingênuo. Não seja também arrogante. A aparência do mal (”Afastem-se de toda forma de mal”, 1 Ts 5.22) não é apenas perigosa e não deve apenas ser evitada pelo que as pessoas possam pensar, mas igualmente por aquilo que aquilo pode fazer com as pessoas que estão perto demais. É precisamente por causa disso que Paulo advertiu a Timóteo que trata-se as irmãs mais velhas em sua igreja como mães e as mais novas como irmãs (1 Tm 5.2). Ele sabia que algumas pessoas fracas e fragilizadas poderiam confundir os relacionamentos, em especial com alguém em posição de autoridade.
Enfim, o conselho de Jesus no sermão do monte é importantíssimo. Jesus deseja que o companheirismo e camaradagem entre os membros de Sua Igreja seja sempre crescente no amor fraternal. E que vejamos qualquer ameaça a unidade da Igreja ou de nossos lares como algo digno de ser extirpado de nossas vidas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 11/02/07

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