domingo, 25 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (4)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Homicídio
21 “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.23 “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, 24 deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.25 “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. 26 Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo.”
As pessoas na época de Jesus tinham a tendência a achar que os mandamentos eram apenas o que eles diziam e que detalhes mais práticos da vida cotidiana não importavam. Assim, desde que você não literalmente mate, tire a vida de alguém, você poderia tratar a outra pessoa como um lixo, ou com desprezo, ou mesmo com violência verbal. Afinal, nada disso era fatal, não é mesmo?
Porém, com a sua contra-cultura, Jesus muda a forma das pessoas verem tudo. Ele nos ensina coisas preciosas que às vezes preferimos fingir para nós mesmo que não sabemos.
Em primeiro lugar, precisamos lembrar que os padrões de Deus têm como alvo muito mais o nosso coração do que apenas as nossas ações. As nossas motivações também são importantes. Não basta fazer o correto, precisamos estar fazendo o bem dentro de nós. Alías, sobre fazer, precisamos fazer o bem e não apenas não fazer o mal.
Em segundo lugar, nossos problemas de relacionamento atrapalham nossas ofertas ao Senhor. E não apenas ofertas financeiras. Ofertas de louvor, por exemplo, também estão incluídas. Como adorar ao Senhor se duas fileiras atrás está um irmão em Cristo Jesus com quem não tenho comunhão espiritual, ou até mesmo, com quem estou em conflito? Adoração é algo pessoal, mas também é uma experiência comunitária. Ao mesmo tempo que é “eu e Deus”, também é “nós e Deus”. Procure hoje ainda a pessoa ou pessoas que você tem tido dificuldade no relacionamento, e zere este débito em sua vida.
Um aspecto interessante no versículo 23 é que podem haver casos em que o irmão tenha algo contra mim, e mesmo que eu não ache que devo nada a ninguém, é meu papel buscar aquela pessoa e reconciliar-me. Jesus, de forma muito inteligente, “amarra” a situação de ambos os lados. Creio que na esperança que a dureza do coração de um ou de outro fosse quebrada, e alguém desse o primeiro passo.
Precisamos sempre supor que nosso irmão pode genuinamente não saber que nos magoou de alguma forma. Resista a supor o contrário, pois é exatamente isso que a carne deseja de nós. Ela deseja que pensemos “se ele não veio falar comigo, eu que não vou falar com ele”. Criando assim um impasse e criando dois ofertantes defeituosos.
A liberdade de falarmos francamente uns aos outros é algo fundamental em nossa vida em igreja, em nosso vida como irmãos em Cristo. Satanás sabe disso. Então, toda a vez que ele perceber um caminho livre e sem obstáculos entre mim e você, entre você e eu, Satanás tentará jogar entulhos de sentimentos feridos e mal-entendidos no caminho. Acabando assim com nossa comunhão.
Em terceiro e último lugar, o final do texto nos transmite a noção de urgência, “entre em acordo depressa”. A preocupação de Jesus é a nossa procastinação, ou seja, nosso eterno “deixa pra depois”. De alguma forma, achamos que o tempo cura tudo. Contudo, algumas coisas o tempo piora. Mágoas, por exemplo, podem se tornar amargura. Aborrecimento bobos podem se tornar raiva. Assim, é preciso tomar o conselho do apóstolo Paulo, “Quando vocês ficarem irados, não pequem”. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo.” (Efésios 4.26-27). Notemos bem que o diferencial entre pecarmos ou não pecarmos não são nossos sentimentos principalmente, mas, sim, o que fazemos com eles. Ou melhor, quando fazemos algo a respeito deles. Realmente não sei se Jesus quis dizer até o pôr-do-sol realmente, ou até o final de um dia (24 horas), ou algo diferente. O que podemos saber com certeza é que é muito menos tempo do que geralmente nós levamos para consertar uma situação errada em nossos relacionamentos.
E quanto a nós... e quanto a você? Estamos dispostos a viver a contra-cultura de Jesus e talvez até mesmo nos humilharmos para obedecer ao Senhor? Tire um tempo hoje para orar pelas lições que a Palavra de Jesus nos ensinou aqui hoje. Isso será fonte de libertação, bênção e graça, não apenas na sua vida, mas nas vidas de todos ao redor de você... nas vidas de todos a começar nas vidas da Comunidade Batista Videira.

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12.14
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 04/02/07

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