domingo, 20 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (9)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há nove domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 5, veremos a questão do que fazer quantos aos nossos opositores.

O Amor aos Inimigos
43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. 44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, 45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.

Os Fariseus ensinavam que as pessoas deveriam amor aqueles que eram próximos delas e queridos por elas (Lv 19.18), e que os inimigos de Israel deveriam ser odiados. Alguns Salmos deixam isso muito claro quando pedem que os inimigos de Israel sejam esmagados. Por causa disso tudo, os Fariseus deduziram que o ódio deles era a maneira de Deus julgar os seus inimigos. Mas Jesus declarou que Israel deveria demonstrar o amor de Deus mesmo para com seus inimigos - uma prática que nem sequer havia sido ordenada no Antigo Testamento! Deus os ama; Ele faz raiar o seu sol e derrama a chuva para produzir colheita. Uma vez que o Seu amor se estende a todos, Israel deveria também ser um canal do Seu amor amando a todos. Tal amor demonstraria que eles eram filhos de Deus (cf. Mt 5.16). Amar apenas aqueles que nos amam e saudar apenas seus irmãos era equiparar-se aos “detestáveis” cobradores de impostos e gentios - algo inimaginável para um Fariseus! E certamente também para nós. Quando nosso comportamento é comparado com sendo próximo demais ao comportamento daqueles que não conhecem ao Senhor, que coisa incômoda. Como tem sido a sua relação com os seus opositores? Talvez seja um pouco forte demais usar a palavra “inimigo”. Contudo, todos nós nos defrontamos aqui ou acolá com situações nas quais somos colocados diante de pessoas que desejam nos prejudicar de alguma maneira, mesmo quando não percebem. Nosso desafio desta semana é analisar qual tem sido nossas reações quando estamos nesta situação. Pode ser de um desconhecido no trânsito ou mesmo de um colega de trabalho ou chefe que encontramos todo dia. De qualquer maneira, precisamos levar a sério a palavra do Senhor Jesus: “‘Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

sábado, 12 de maio de 2007

Quando Deus intervém!

Muitas vezes em nossas vidas precisamos de que Deus seja Deus e faça o que nós não podemos fazer, pois o que nos resta é apenas confiar. Era quinta-feira, dia 26 de abril. No fim-de-semana seguinte, eu estaria pregando num acampamento e planejava levar toda a família para um tempo de descanso. Mas, nada saiu como planejado. No final da tarde, Joshua, nosso caçula de 2 anos e 11 meses, começou a tossir um pouco. Acostumados que somos com as crises respiratórias dos nossos filhos, fizemos a nebulização e pronto. Perto das 22:45, Leila percebeu que ele estava febril. Eu não havia percebido porque havia tocado apenas os braços e as pernas, os quais estavam frios; porém, a cabeça dele estava muito quente. Mais tarde, como a febre subia, demos Dipirona, porque não tínhamos Tilenol. Ele até que tomou, mesmo com o gosto ruim. Porém, devido à tosse, uns 30 minutos depois ele vomitou. Pensei logo que a Dipirona tinha saído também. Então, após ele dormir no nosso quarto de assistir televisão, deixei a Leila estudando em nosso quarto e fui atrás de uma farmácia 24 horas para comprar outro anti-térmico. Já era mais de meia-noite. Fui rápido, mas não rápido o suficiente. Leila conta agora o que aconteceu em minha ausência.
Estava no quarto preparando-me para dormir , quando senti a necessidade de voltar ao lugar que deixamos nosso bebê dormindo até Joe chegar com os medicamentos. Percebi quando cheguei à porta do quarto que ele estava tremendo e logo corri para ver de perto o que de fato estava acontecendo.Na verdade, ele já estava em crise de convulsão. Neste momento sem saber o que fazer, pois ele não mais me respondia, gritei por ajuda ao rapaz que está morando conosco há algum tempo, Jonathan já se encontrava dormindo, quando bati bem forte na porta do quarto dizendo: "Jonathan, acorde, o Prezinho está morrendo", e no meio daquela desesperadora situação, Asaph acordou em meio ao choro de desespero meu que certamente o levou a ficar apavorado com toda a situação...Não dá pra esquecer o quanto ele implorou para que seu irmão voltasse e ficasse normal...frases como: “quanto você quer pra viver?” “ Posso te dar todos os brinquedos”... enfim... foram freqüentes na boca de nosso filho mais velho. Neste momento, ele já estava desfalecendo e ficando “roxo”, tentamos apertar o seu peito, mas só o vimos piorar saindo de sua boca uma “estranha espuma”, quando sai correndo para rua com ele no meu colo e fui à casa de nossa vizinha ao lado de nossa casa, que Graças a Deus nos socorreu imediatamente. Ela, Lo-Rhuama, carregou Joshua no colo e tentou soprar na sua boca, que a fez perceber sua respiração muito fraca. Seu filho, Fernando, nos levou no seu carro para o Hospital Infantil de Boa Vista, e quando lá chegamos, Joshua foi levado para a sala do Trauma para receber atendimento. Ele chegou ao Hospital desmaiado.
Enquanto estavam ajudando nosso filho a retornar, Joe chegou ao hospital... sei que daqui pra frente ele mesmo vai falar sobre aquilo que Deus tem nos mostrado com toda essa experiência... Quanto a mim... “O SENHOR, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”. Hb. 2.20 “Bom é confiar no nosso Deus e aguardar em sua salvação, e isso em silêncio.”

Quando eu chegava em frente à nossa casa, dei com o Asaph ao lado do nosso vizinho já na calçada. As palavras, “seu filho”, “muito mal” e “hospital” é tudo que me lembro. Entrei um segundo atrás do meu telefone e sai correndo pro hospital. No caminho comecei a clamar com tudo o que havia em mim, “Deus, não deixe meu filhinho morrer!” Neste meio tempo, o Asaph colocou o vizinho pra orar pelo seu irmãozinho, um fato até engraçado nos acharíamos depois, uma vez que ele não é evangélico. Chegando ao hospital, passei voando por conhecidos e funcionários, e achei Leila na sala de trauma, e meu filho sobre uma maca. Foi grande o impacto. Ele estava sem cor, coberto por um cobertor molhado sobre o corpo e uma toalha sobre a cabeça. A febre havia batido os 39°... por isso, a convulsão.
Imediatamente, comecei a orar impondo as mãos sobre ele. Repreendi todo espírito de morte e enfermidade e pedir especificamente que o Senhor colocasse Seu anjo cobrindo o corpo do meu filho. Liguei também para irmãos de nossa igreja para que orassem e pedissem que outros orassem. Enquanto orava perto do ouvido do Joshua, intercalava com palavras para acalma-lo, porque ele gemia muito.
Pedi à Leila que ficasse no corredor, se acalmasse e orasse. Lá, ao pedir que o Senhor não deixasse nosso filho morrer, ela ouviu de Deus a correção mais difícil pra aquele momento, “Você está me pedindo errado. Você deve pedir pela Minha vontade!”. E assim ela fez.
As próximas horas foram dramáticas enquanto presenciávamos o Senhor agir, e medição após medição, a febre foi baixando. E por volta das 3 horas, Joshua começou a olhar pra nós e conversar conosco. Em meio a muitas palavras, fiz a pergunta que é tipo uma brincadeira entre nós, “Cadê o amor do papai?”. Como foi bom ouvi-lo dizer “Tá ati”. Mesmo agora depois de tantos dias, ainda é difícil segurar a emoção diante do amor de Deus, mas do que o Seu agir.
Mas, o mais importante é que hoje, dia 13 de maio, nosso filho completa 3 anos. Há 3 anos o vimos chegar ao mundo com apenas 7 meses e apenas 1.350 gramas. Há 3 anos o vimos lutar pra viver e vencer. Há 3 anos o chamamos Joshua, “Josué”, “Ieshua”, “Jesus”, ou... “Jeová Salva”.
“Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam.” Isaías 64.4 (este versículo está dentre de nossas alianças.)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (8)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

A Vingança
38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.

As palavras “olho por olho, e dente por dente” vem de diversas passagens no Antigo Testamento (Ex 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21); elas são chamadas de lex talionis, a Lei da Retaliação. Esta lei fora dada para proteger o inocente e para assegurar que retaliação não ocorresse além da ofensa cometida. Jesus, contudo, destacou que enquanto os direitos do inocente eram protegidos pela Lei, o justo não precisava necessariamente exigir seus direitos. Um homem justo seria caracterizado por humildade e altruísmo. Assim, ele andaria a “segunda milha” para manter a paz. Quando injustiçado por ter sido atingido na face, ou processado pela sua túnica (vestimenta interior, a capa era a vestimenta exterior.), ou forçado a viajar com alguém por uma milha, ele não contra atacaria, não exigiria ressarcimento, nem se recusaria acompanhar. Em lugar de retaliar, ele faria o contrário, e ainda deixaria tudo com o Senhor que um dia colocará todas as coisas em ordem (conf. Rm 12.17-21). Tudo isso foi visto ao extremo na própria vida do Senhor Jesus, como foi apontado por Pedro (1 Pe 2.23). Quando lemos tudo isso, certamente achamos tudo muito lindo, porém, olharmos para nossas vidas vem o questionamento: “será possível viver isso?”. E esta é a razão de se tratar de uma contra-cultura. Só com o auxílio de quem já conseguiu concretizar esta vitória é possível para nós alcançarmos o mesmo. Aliás, apenas seguindo os passos do Mestre, podemos ter uma vida magistral.
"Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos. 'Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca.' Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados." (1 Pe 2 .20-24)
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 11/03/07