terça-feira, 27 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (6)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há seis domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão do divórcio.


O Divórcio
31 “Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. 32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.

Entre os líderes judeus havia duas correntes de pensamento quanto à questão do divórcio (Dt 24.1). Aqueles que seguiam ao rabino Hillel diziam ser permitido para um marido se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, enquanto o outro grupo, que seguia o rabino Shammai diziam que apenas uma ofensa de grande importância seria motivo para divórcio. Em Sua resposta, Jesus ensina fortemente que o casamento é visto por Deus como uma união indissolúvel e que o casamento não deveria ser terminado pelo divórcio. A “cláusula de exceção”, “exceto por imoralidade sexual” (gr. porneias), é compreendida em diversas maneiras por estudiosos das Escrituras. Quatro dessas maneiras são: (a) um adúltério que aconteça apenas uma vez; (b) infidelidade durante o período de noivado; (c) casamento entre pessoas de parentesco próximo (Lv 18.618); e (d) promiscuidade contínua. Sem entrar na questão entre os dois rabinos, Jesus já no capítulo 19, também de Mateus, lembra os líderes religiosos do propósito original de Deus em estabelecer o laço do casamento. Deus fez as pessoas homem ou mulher (v.4; Gn 1.27). No casamento, Ele junta os dois em uma ligação inseparável. Esta ligação possui um chamado maior do que entre pais e filhos, pois o homem deve deixar pai e mãe e se juntar a sua esposa num relacionamento de uma só carne (Gn 2.24). Assim, o que Deus juntou que nenhum homem separe, ou divorcie. Em resposta aos judeus sobre a “cláusula de exceção”, Jesus diz que foi a resposta de Moisés à dureza do coração do povo. Tal expressão é muito forte. Ela contém a palavra kardia significando “coração” acrescentada da palavra skleros, “dureza”, e de onde vem nossa palavra “esclerose”! Ou seja, apenas para pessoas de coração esclerosado, sem possibilidade de flexibilidade, sem possibilidade de ministrar graça. Mesmo com todas as interpretações, que possibilitam ou não o recasamento da parte traída, o ponto fundamental a ser observado é que o Senhor deixa claro que o propósito inicial de Deus deve ser o mesmo dos Seus filhos. Em outras palavras, nunca considere o divórcio como uma alternativa aberta a todo e qualquer momento. Nem mesmo com a condição de infidelidade. Esta é apenas para aqueles que querem ocupar a categoria de “pessoas de coração endurecido.” Acima disso, a lei do perdão sempre deve prevalecer porque prova a atuação de Deus em nossas vidas e não apenas o exercício de NOSSOS direitos e NOSSAS vontades.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 25/02/07

domingo, 25 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (5)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há cinco domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos um dos assuntos mais doloridos na vida de qualquer pessoa: o adultério.


27 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. 28 Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno."
Jesus usa esta expressão do versículo 27 sempre quando deseja fazer um contraste entre o ensinamento anterior e o Seu. Ou, como é o caso aqui, quando Ele desejava apenas apontar que o entendimento quanto ao que fora ensinado estava errado. Não adulterar para as pessoas que desejam viver uma vida religiosa pode ser apenas não se deitar com uma pessoa que não seja o seu cônjuge, mas para Jesus era mais do apenas isso. Jesus não deseja apenas pureza exterior para os Seus discípulos, antes Ele almeja também pureza interior. E por que será isso? A razão é precaução. Arrisco a dizer que 100% dos casos de adultério começaram com a remoção das cercas de proteção da vida das pessoas. Cercas como o relacionamento físico com seu cônjuge, a intimidade espiritual com o Senhor, a transparência da prestação do contas no discipulado, a confissão de pecados para o Senhor, e etc. Por isso, Jesus diz que não devemos nos preocupar apenas quando estamos já a cair, mas, sim, quando ainda estamos bem de pé, contudo, brincando com o inimigo.
E isso é ainda mais relevante em nosso estado. Há algum tempo atrás, uma conferencista em visita à nossa cidade declarou que no momento em que colocou os pés em nosso solo, ela teve o discernimento espiritual de que a destruição de famílias através do adultério é o maior item na agenda das forças espirituais das trevas que agem por aqui. Isso, na verdade, apenas veio a confirmar o que já achávamos por nós mesmos. Interessante que nem precisa ser cristão para notar isso. Há alguns meses uma das participantes do Casados Para Sempre declarou que uma amiga disse a ela “cuidado com o seu marido aqui”; detalhe, esta amiga nem cristã era!
Por isso, Jesus declara que a palavra de ordem é precaução! Marido, cuide de sua esposa; esposa, cuide do seu marido. Talvez o nosso problema é que realmente achamos que após o casamento, as coisas irão “naturalmente” seguirem o seu curso, que não precisamos investir mais nada... afinal, já casamos, não é mesmo? Confesso que também em alguns momentos pensei ou agi desta maneira. Mas, a verdade é que a negligência é uma das maiores razões que levam cônjuges a serem infiéis. É claro que isso não justifica, mas explica o que acontece em nossas famílias. Portanto, precisamos compreender de uma vez por todas quem são as pessoas mais importantes em nossas vidas, primeiro nosso cônjuge, depois nossos filhos.
Voltando às nossas “cercas de proteção”, a última parte do texto é muito importante. Jesus trata sobre a seriedade com a qual devemos encarar aquilo que alguns chamam de “destruidores de cercas’. Isto é, as coisas, hábitos, eventos, acontecimentos e principalmente pessoas que são usadas para paulatinamente destruir o que foi colocado em nossas vidas por Deus e para nossa proteção. Por isso o Senhor nos adverte que é melhor perdermos algumas coisas das quais achamos que temos direito do que deixá-las nos prejudicar. E Ele é tão sério sobre isso, que usa o exemplo de uma amputação de um braço ou mesmo um olho.
Na verdade, o princípio que Jesus está nos ensinando não é, de maneira alguma, o de auto-mutilação. Isso seria absurdo. Antes, se trata do princípio de abrir mão de sua liberdade. Por exemplo, há alguns anos eu competia em bicicross. Poderia até ser considerado razoável e em crescimento. Tinha razões pra continuar. Mas, de pouquinho em pouquinho, o esporte foi tomando meu tempo. E sem perceber, já estava chegando atrasado nas reuniões de minha igreja e também negligenciando meus compromissos. Eu tinha que tomar uma decisão: poderia manter as duas coisas acontecendo satisfatoriamente? Compreendi que não. Então, “amputei” a prática competitiva daquele esporte de minha vida. Deus e a Sua obra eram mais importantes.
É claro que no caso de ameaças de infidelidade, as ameaças às nossas cercas são mais sérias. Começa com a distância entre marido e mulher, continua com a distância entre a pessoa e o Senhor, e assim, por diante. Ovelha sozinha vira petisco de lobo. E isso é verdade para os grupos pequenos, mas também nos demais relacionamentos. Mantenha pessoas de Deus ao seu redor, mantenha-se protegido.
Paralelamente, mantenha as ameaças longe. Amizades com o sexo oposto precisam ser sempre vistas com reservas e cuidado. Não seja ingênuo. Não seja também arrogante. A aparência do mal (”Afastem-se de toda forma de mal”, 1 Ts 5.22) não é apenas perigosa e não deve apenas ser evitada pelo que as pessoas possam pensar, mas igualmente por aquilo que aquilo pode fazer com as pessoas que estão perto demais. É precisamente por causa disso que Paulo advertiu a Timóteo que trata-se as irmãs mais velhas em sua igreja como mães e as mais novas como irmãs (1 Tm 5.2). Ele sabia que algumas pessoas fracas e fragilizadas poderiam confundir os relacionamentos, em especial com alguém em posição de autoridade.
Enfim, o conselho de Jesus no sermão do monte é importantíssimo. Jesus deseja que o companheirismo e camaradagem entre os membros de Sua Igreja seja sempre crescente no amor fraternal. E que vejamos qualquer ameaça a unidade da Igreja ou de nossos lares como algo digno de ser extirpado de nossas vidas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 11/02/07

Nadando contra a correnteza (4)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Homicídio
21 “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.23 “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, 24 deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.25 “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. 26 Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo.”
As pessoas na época de Jesus tinham a tendência a achar que os mandamentos eram apenas o que eles diziam e que detalhes mais práticos da vida cotidiana não importavam. Assim, desde que você não literalmente mate, tire a vida de alguém, você poderia tratar a outra pessoa como um lixo, ou com desprezo, ou mesmo com violência verbal. Afinal, nada disso era fatal, não é mesmo?
Porém, com a sua contra-cultura, Jesus muda a forma das pessoas verem tudo. Ele nos ensina coisas preciosas que às vezes preferimos fingir para nós mesmo que não sabemos.
Em primeiro lugar, precisamos lembrar que os padrões de Deus têm como alvo muito mais o nosso coração do que apenas as nossas ações. As nossas motivações também são importantes. Não basta fazer o correto, precisamos estar fazendo o bem dentro de nós. Alías, sobre fazer, precisamos fazer o bem e não apenas não fazer o mal.
Em segundo lugar, nossos problemas de relacionamento atrapalham nossas ofertas ao Senhor. E não apenas ofertas financeiras. Ofertas de louvor, por exemplo, também estão incluídas. Como adorar ao Senhor se duas fileiras atrás está um irmão em Cristo Jesus com quem não tenho comunhão espiritual, ou até mesmo, com quem estou em conflito? Adoração é algo pessoal, mas também é uma experiência comunitária. Ao mesmo tempo que é “eu e Deus”, também é “nós e Deus”. Procure hoje ainda a pessoa ou pessoas que você tem tido dificuldade no relacionamento, e zere este débito em sua vida.
Um aspecto interessante no versículo 23 é que podem haver casos em que o irmão tenha algo contra mim, e mesmo que eu não ache que devo nada a ninguém, é meu papel buscar aquela pessoa e reconciliar-me. Jesus, de forma muito inteligente, “amarra” a situação de ambos os lados. Creio que na esperança que a dureza do coração de um ou de outro fosse quebrada, e alguém desse o primeiro passo.
Precisamos sempre supor que nosso irmão pode genuinamente não saber que nos magoou de alguma forma. Resista a supor o contrário, pois é exatamente isso que a carne deseja de nós. Ela deseja que pensemos “se ele não veio falar comigo, eu que não vou falar com ele”. Criando assim um impasse e criando dois ofertantes defeituosos.
A liberdade de falarmos francamente uns aos outros é algo fundamental em nossa vida em igreja, em nosso vida como irmãos em Cristo. Satanás sabe disso. Então, toda a vez que ele perceber um caminho livre e sem obstáculos entre mim e você, entre você e eu, Satanás tentará jogar entulhos de sentimentos feridos e mal-entendidos no caminho. Acabando assim com nossa comunhão.
Em terceiro e último lugar, o final do texto nos transmite a noção de urgência, “entre em acordo depressa”. A preocupação de Jesus é a nossa procastinação, ou seja, nosso eterno “deixa pra depois”. De alguma forma, achamos que o tempo cura tudo. Contudo, algumas coisas o tempo piora. Mágoas, por exemplo, podem se tornar amargura. Aborrecimento bobos podem se tornar raiva. Assim, é preciso tomar o conselho do apóstolo Paulo, “Quando vocês ficarem irados, não pequem”. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo.” (Efésios 4.26-27). Notemos bem que o diferencial entre pecarmos ou não pecarmos não são nossos sentimentos principalmente, mas, sim, o que fazemos com eles. Ou melhor, quando fazemos algo a respeito deles. Realmente não sei se Jesus quis dizer até o pôr-do-sol realmente, ou até o final de um dia (24 horas), ou algo diferente. O que podemos saber com certeza é que é muito menos tempo do que geralmente nós levamos para consertar uma situação errada em nossos relacionamentos.
E quanto a nós... e quanto a você? Estamos dispostos a viver a contra-cultura de Jesus e talvez até mesmo nos humilharmos para obedecer ao Senhor? Tire um tempo hoje para orar pelas lições que a Palavra de Jesus nos ensinou aqui hoje. Isso será fonte de libertação, bênção e graça, não apenas na sua vida, mas nas vidas de todos ao redor de você... nas vidas de todos a começar nas vidas da Comunidade Batista Videira.

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12.14
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 04/02/07

sábado, 24 de março de 2007

Batismos na Videira!

Olha aqui algumas fotos das bênçãos que o Senhor tem dado à Comunidade Batista Videira!
26 de agosto de 2006 (usamos o templo da Igreja Batista Monte Sinai) e 15 novembro de 2006 (em um passeio no igarapé Água Boa).

Nadando contra a correnteza (3)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”.
Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
Jesus Cumpre a Lei
17 “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. 18 Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. 19 Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. 20 Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.”
Algumas pessoas na época de Jesus estavam compreendendo errado a sua vinda. Isso aconteceu por causa das expectativas que muitos tinham a respeito do Messias. Era quase como se cada pessoa tivesse um Messias seu, feito sobre medida.
Assim,esta parte do Sermão do Monte apresenta o coração da mensagem de Jesus, porque ela demostra o relacionamento dEle com a Lei de Deus. Jesus não estava apresentando um sistema rival para a Lei de Moisés e para os ensinos dos profetas, antes era um cumprimento verdadeiro da Lei e dos Profetas - em contraste com a tradição dos Fariseus. “A Lei e os Profetas” se referia a todo o Antigo Testamento.
“Digo-lhes a verdade”, pode ser traduzido, “Verdadeiramente, eu lhes digo”, e desta primeira palavra é o nosso “Amém”.
Jesus nos assegura do cumprimento da Palavra comparando que até cada “yôd”. Em português, poderíamos compreender este texto como dizendo que seria cumprido deste o pingo do “i” até a perninha que diferencia o “P” do “R”! Cada detalhe da Lei seria levado à sua maturação pela vida do Messias. Pela vida de Jesus!
Aliás, a vida é o grande diferencial neste sermão inteiro. Tudo o que Jesus ensinaria, podia ser visto em Sua vida. Em contraste com a vida dos líderes religiosos daquele tempo, os Fariseus, Saduceus e Escribas. A justiça que Deus deseja não era apenas exterior. Não era apenas de aparência. Era uma justiça interior verdadeira baseada na fé na Palavra de Deus, baseada nos ensinos de Jesus.
Novamente, Jesus nos confronta com a questão da religiosidade contra o relacionamento. Ou colocando de outra maneira, o viver apenas exterior, contra o viver interior. O viver de coisas religiosas contra o viver no Espírito.
Mas, por que o viver pela Lei, ou o viver religioso nos atrai muitas vezes?
Em primeiro lugar, viver religiosamente alimenta o nosso ego. Nos dá uma sensação de estar fazendo alguma coisa, ou adquirindo o direito de merecer reconhecimento, quer seja de Deus, quer seja das pessoas.
Em segundo lugar, a religiosidade nos dá a falta sensação de segurança porque estamos (supostamente) em controle. Pensamos conosco mesmo, “basta eu fazer isso ou aquilo e tudo vai bem!”. Basta ir ao culto, basta ter tomado uma decisão pública, basta ler a Bíblia uma vez ou outra, e assim por diante.
Em terceiro lugar, a religiosidade é claramente mais fácil. Mais do que jejuar, mais do que viver em oração, mais do que viver em santidade, mais do que preocupar-se com nossos Natanaéis, mais do que tudo mais que achamos que é apenas para os outros. Convenhamos, para que Satanás iria atacar alguém que não evangeliza, que ora pouco ou nada, enfim, que não oferece “perigo” aos planos dele?
Em quarto lugar, um viver de intimidade com Deus e não por religiosidade requer que abandonemos nossos métodos e aprendamos a depender. Ah, e isso é complicado, não é mesmo? Seria ótimo se pudéssemos abrir o nosso e-mail de manhã cedo e apenas receber a vontade e os pensamentos de Deus para aquele dia. Mas, não acontece assim. É preciso ouvir o sussurar do Espírito Santo e discernir a vontade de Deus em meio a muitas “opções”.
Como foi dito anteriormente, prova de vida (com Deus) foi o grande diferencial apontado na vida de Jesus e neste Sermão do Monte. E é exatamente a nossa vida (ou ausência dela) que impactará as pessoas ao nosso redor. Nada de apenas “glórias a Deus” e “aleluias”, mas antes, demostrações verdadeiras de amor a Deus e pelas pessoas. Enfim, as pessoas precisam reconhecer que temos andando com Jesus e não apenas ouvido falar dEle.
É imperativo abrirmos mão das coisas que nos distraem, abrir mão de tudo que nos atrai ao mundo, e rompermos com nosso viver religioso. E assim, passarmos a cumprir a Lei e os Profetas em nossas vidas também. Viver e não apenas saber!
“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” Atos 4.13

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 28/01/07

Nadando contra correnteza (2)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Sal da Terra e a Luz do Mundo
13 “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.14 “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. 15 E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.

Jesus, magistralmente, usa duas ilustrações para nos ensinar uma única lição: “o discípulo de Jesus é chamado para fazer a diferença.” Simples sentença, mas mesmo assim com muitos princípios poderosos presentes neste texto.
1.) Eu gosto de entender que Jesus não usou o pronome no plural (vocês) por acaso. E não era apenas por que Ele estava se dirigindo a uma multidão de pessoas. Eu creio que existe um significado teológico dizendo que fomos chamados como um corpo para fazer a diferença neste mundo. Apesar do destaque que alguns indivíduos têm na história do cristianismo, o papel do corpo, da coletividade fica acentuado quando“aqueles que “têm causado alvoroço por todo o mundo” eram o motivo de preocupação dos opositores.
2.) Cuidado! O sal pode perder o seu sabor. Este alerta presente nesta passagem é para não nos acomodarmos com nossa posição. Fomos salvos pela graça, mas a vida cristã tem um preço. Você já percebeu para crescermos isso requer muito tempo, mas para esfriarmos, basta negligenciarmos a presença de Deus por alguns dias? E logo estamos frios e desinteressados. Verdadeiramente, como restaurá-lo o sabor?
3.) “Ser jogado fora e ser pisado” é algo terrível. Com certeza, não deve ser agradável. Isso acontece quando nosso testemunho desonra o evangelho e o nome de Jesus. Acontece quando nossa vida não glorifica a Deus através de nossos atos e comportamento. Quando nos assemelhamos ao mundo, de forma alguma podemos mostrar a cultura do Reino.
4.) “uma cidade construída sobre um monte” nos ensina sobre o destaque que temos apenas por pertencermos a Jesus. A Bíblia diz que somos espetáculo ao mundo, ou seja, todos nos observam. Não há como nos escondermos. Pedro tentou ficar oculto em meio ao ajuntamento perto de onde Jesus estava preso, mas as pessoas o reconheceram. Elas também lhe reconhecerão. Então, que nos reconheçam como aqueles que tem sido luz do mundo.
5.) “coloca-a no lugar apropriado” - alguém disse uma vez que o segredo de um negócio bem-sucedido são três coisas: localização, localização e localização. Na vida cristã, como nada é por acaso, você é colocado em determinado lugar para cumprir um propósito de Deus, e não por sua própria vontade. Porém, infelizmente, alguns cristãos decidem a sua vida e o seu futuro da mesma maneira que os não-cristãos. Quero me aposentar assim e assim, com conforto, de frente pra praia, no interior, num sítio, e assim vai. Raros são os casos em que alguém encara sua aposentadoria, por exemplo, como um enorme oportunidade de servir ao Senhor. O lugar apropriado é aquele onde podemos iluminar mais, onde podemos servir mais. Você consegue imaginar como seria se os cristão aposentados, profissionais que tem liberdade de uso do seu tempo, empresários, funcionários públicos de tempo corrido, enfim, todos aqueles mais privilegiados com a flexibilidade de seu tempo, se todos esses usassem este presente de Deus de maneira a servir o Reino? Que revolução seria!
Mas, o lugar apropriado também nos ensina sobre nosso lugar de trabalho, nosso lugar de moradia, enfim, sobre tudo que precisamos confiar que Deus está nos posicionando como peças em um tabuleiro de xadrez, para a Sua glória (v.16).
Conta-se que há muitos anos uma missionária foi presa em um país comunista. O lugar é úmido e fétido, com paredes encardidas. Depois de algum tempo, ela pediu ao guarda sabão, água e um esfregão. Ela passava os dias desencardindo as paredes da sua cela enquanto dizia “desta mesma maneira, Jesus limpou meu coração”. As demais detentas a ouviam e se perguntavam o que ela queria dizer, pois naquele país, quase nada é conhecido sobre Jesus. Quando terminou a sua cela, ela pediu permissão para fazer o mesmo nas demais celas. E assim foi, limpando e declarando “desta mesma maneira, Jesus limpou meu coração”. Passado muitos dias, e com todas as celas limpas, a missionária faleceu. Porém, deixou para trás uma tarefa cumprida: centenas de mulheres transformadas pois encontraram a Luz nas celas escuras e úmidas de uma prisão.
“Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavrad da vida. Assim, no dia de Cristo eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente. Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebidae sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês. Estejam vocês também alegres, e regozijem-se comigo.” Filipenses 2.12-18

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 21/01/07

Nadando contra a correnteza (1)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”.
Vejamos hoje por exemplo, os versículos de 1 a 12 do capítulo 5: as Bem-aventuranças. Jesus profere nove “razões de felicidade” para uma multidão desesperançada e cansada de tantos sofrimentos. Todos sabemos que quando lidamos com pessoas entristecidas, precisamos ter cuidado para não proferir palavras vazias e que possam aumentar ainda mais o sofrimentos delas. Jesus também sabia.
As Bem-aventuranças
1 Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, 2 e ele começou a ensiná-los, dizendo:3 “Bem-aventuradosa os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.4 Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.5 Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.7 Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.8 Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.9 Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.11 “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. 12 Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
Primeiro, a pobreza social pode ser penosa, mas a pobreza espiritual é motivo de felicidade. Significa o reconhecimento pessoal de não somos nada diante da grandeza do nosso Deus, e que precisamos do insumo dEle em nós, caso contrário, nosso espírito permanece vazio.
Segundo, o choro é uma declaração de que, de alguma forma, está doendo. Significa que a ordem da normalidade foi alterada e isso me encomoda. Mas, o choro que vale a pena é aquele que espera pelo consolo do alto, e não das soluções próprias. É o choro dependente como o da criança que quer apenas os braços do pai.
Terceiro, humildade é algo constantemente confundido com moleza ou mesmo alguém com vocação pra capacho. Ledo engano. Humildade é a capacidade de submeter-se a Deus mesmo nas questões mais humanas. É sofrer o dano mesmo estando com a razão, e confiar que o Senhor restituirá nossa herança no final.
Quarto, vivemos em uma sociedade na qual se alguma coisa não é ilegal, tudo bem, mesmo que não seja moral ou mesmo ético. Nosso “senso de justiça” é algo torcido para os nossos interesses. A mesma sociedade que aplaude a prisão de políticos corruptos, faria o mesmo se estivesse no lugar deles! Mas, aquele com sede real de justiça almeja a chegada do dia em que o mundo se curvará diante do Filho de Deus, o Sol da justiça, a Estrela da Manhã.
Quinto, misericórdia pedimos, mas oferecemos também? Esta é a preocupação deste ensino do Senhor. Advertir-nos de uma atitude de apenas tomar, mas não dar. Misericórdia, a propósito, é quando não recebemos o que merecemos, por exemplo, a disciplina na mesma proporção do nosso pecado; em contraste com a graça que é recebermos o que não mereçemos, por exemplo, a nossa salvação.
Sexto, eis aqui uma coisa rara: pureza de coração. Essa é a qualidade que faz a pessoa sempre esperar o melhor dos outros, bem como desejar o melhor para os outros. Também é não buscar sempre o que é de seu interesse apenas ou aquilo que pode lhe trazer benefícios, mas olhar com olhos de bondade ao seu redor.
Sétimo, a vez dos pacificadores... Aqueles que buscam sempre a conciliação, o acordo o acerto. Espécime rara e que parece em extinção em nosso mundo. Hoje ao lado dos encrenqueiros e dos que se-me-cutucar-você-vai-ver, você acha muitos espectadores passivos, porém, muito poucos dispostos a “sujar as mãos” e buscar a paz entre as partes. Somos chamados para isso. Inclusive quando estamos aconselhando ou discipulando, muitas vezes seremos colocados diante de uma situação de discórdia. Não tome o lado de ninguém, antes, promova a paz.
Oitavo, por vivermos nun mundo injusto, promover a justiça poderá chatear algumas pessoas. Prepare-se para ser perseguido. Levantar-se pelo que é certo pode ser difícil muitas vezes, mas é algo pelo qual seremos recompensados pelo Senhor.
Nono, Jesus sabia que em meio àquela multidão se encontravam alguns dos que seriam seus discípulos mais fiéis. Ali estavam os que mudariam o mundo. Mas, mudanças não vêm sem preço. Eles pagariam alto. Por isso, Jesus lhes diz que o preço da mudança pode ser o sofrimento pessoal e a perseguição, mas a recompensa é real e grandiosa para nós. Na verdade, quando somos perseguidos, nós entramos numa galeria muito especial na companhia de profetas do passado. Lá encontramos Elias, Eliseu, Jeremias e outros. Que enorme honra!
Por outro lado, que contraste com o que muitas vezes almejamos para nós. Queremos conforto, queremos ser aceitos e amados, queremos aplausos, queremos paz! Realmente parece que lemos um evangelho diferente do que Jesus pregou. Ora, se já no início do Seu ministério Ele nos adverte que seremos felizes por sermos perseguidos, porque esperamos felicidade por sermos bem-sucedido, por tudo dar certo em nossas vidas, por termos paz e tranqüilidade?
O grandioso contraste das bem-aventuranças é que elas não batem com aquilo que o homem comum entende como motivo de felicidade. Ser humilde? Ser pobre? Chorar? Sofrer perseguição? Bah! Isso é para os coitados. Nós? Nós somos “mas que vencedores!!!”
Amados, o que não compreendemos é que temos olhado a vitória que a Palavra de Deus nos coloca com olhos mundanos, olhos carnais. Quando olharmos com olhos espirituais veremos que mesmo injustiçados, somos vitoriosos, mesmo sofrendo, somos vitoriosos, mesmo humilhados, somos vitoriosos,.... somos bem-aventurados, somos mais do que vencedores. Apenas vencer no âmbito humano é apenas ser vencedor. Vencer, mesmo quando colocam uma cruz nas suas costas, isso sim, é ser mais do que vencedor.
Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo.” (2 Coríntios 4.7-10)


Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 14/01/07