sábado, 24 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (3)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”.
Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
Jesus Cumpre a Lei
17 “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. 18 Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. 19 Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. 20 Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.”
Algumas pessoas na época de Jesus estavam compreendendo errado a sua vinda. Isso aconteceu por causa das expectativas que muitos tinham a respeito do Messias. Era quase como se cada pessoa tivesse um Messias seu, feito sobre medida.
Assim,esta parte do Sermão do Monte apresenta o coração da mensagem de Jesus, porque ela demostra o relacionamento dEle com a Lei de Deus. Jesus não estava apresentando um sistema rival para a Lei de Moisés e para os ensinos dos profetas, antes era um cumprimento verdadeiro da Lei e dos Profetas - em contraste com a tradição dos Fariseus. “A Lei e os Profetas” se referia a todo o Antigo Testamento.
“Digo-lhes a verdade”, pode ser traduzido, “Verdadeiramente, eu lhes digo”, e desta primeira palavra é o nosso “Amém”.
Jesus nos assegura do cumprimento da Palavra comparando que até cada “yôd”. Em português, poderíamos compreender este texto como dizendo que seria cumprido deste o pingo do “i” até a perninha que diferencia o “P” do “R”! Cada detalhe da Lei seria levado à sua maturação pela vida do Messias. Pela vida de Jesus!
Aliás, a vida é o grande diferencial neste sermão inteiro. Tudo o que Jesus ensinaria, podia ser visto em Sua vida. Em contraste com a vida dos líderes religiosos daquele tempo, os Fariseus, Saduceus e Escribas. A justiça que Deus deseja não era apenas exterior. Não era apenas de aparência. Era uma justiça interior verdadeira baseada na fé na Palavra de Deus, baseada nos ensinos de Jesus.
Novamente, Jesus nos confronta com a questão da religiosidade contra o relacionamento. Ou colocando de outra maneira, o viver apenas exterior, contra o viver interior. O viver de coisas religiosas contra o viver no Espírito.
Mas, por que o viver pela Lei, ou o viver religioso nos atrai muitas vezes?
Em primeiro lugar, viver religiosamente alimenta o nosso ego. Nos dá uma sensação de estar fazendo alguma coisa, ou adquirindo o direito de merecer reconhecimento, quer seja de Deus, quer seja das pessoas.
Em segundo lugar, a religiosidade nos dá a falta sensação de segurança porque estamos (supostamente) em controle. Pensamos conosco mesmo, “basta eu fazer isso ou aquilo e tudo vai bem!”. Basta ir ao culto, basta ter tomado uma decisão pública, basta ler a Bíblia uma vez ou outra, e assim por diante.
Em terceiro lugar, a religiosidade é claramente mais fácil. Mais do que jejuar, mais do que viver em oração, mais do que viver em santidade, mais do que preocupar-se com nossos Natanaéis, mais do que tudo mais que achamos que é apenas para os outros. Convenhamos, para que Satanás iria atacar alguém que não evangeliza, que ora pouco ou nada, enfim, que não oferece “perigo” aos planos dele?
Em quarto lugar, um viver de intimidade com Deus e não por religiosidade requer que abandonemos nossos métodos e aprendamos a depender. Ah, e isso é complicado, não é mesmo? Seria ótimo se pudéssemos abrir o nosso e-mail de manhã cedo e apenas receber a vontade e os pensamentos de Deus para aquele dia. Mas, não acontece assim. É preciso ouvir o sussurar do Espírito Santo e discernir a vontade de Deus em meio a muitas “opções”.
Como foi dito anteriormente, prova de vida (com Deus) foi o grande diferencial apontado na vida de Jesus e neste Sermão do Monte. E é exatamente a nossa vida (ou ausência dela) que impactará as pessoas ao nosso redor. Nada de apenas “glórias a Deus” e “aleluias”, mas antes, demostrações verdadeiras de amor a Deus e pelas pessoas. Enfim, as pessoas precisam reconhecer que temos andando com Jesus e não apenas ouvido falar dEle.
É imperativo abrirmos mão das coisas que nos distraem, abrir mão de tudo que nos atrai ao mundo, e rompermos com nosso viver religioso. E assim, passarmos a cumprir a Lei e os Profetas em nossas vidas também. Viver e não apenas saber!
“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” Atos 4.13

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
publicado originalmente em 28/01/07

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