terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (16)

Andar na contra-mão não é fácil. Nem tão pouco... nadar contra a correnteza. Temos estudado isso há 15 semanas, e aprendido o que Jesus nos ensina a fazer quando temos a cultura deste mundo em contraste com a cultura do Reino. Oração é algo completamente alienígena a este mundo. Mesmo que muitos pensem que a praticam, na verdade, é muito mais reza que acontece ao redor do mundo, do que verdadeira oração. Logo veremos o porquê.

A Persistência na Oração
7 “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.8 Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.9 “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11 Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.

Este texto lembra quase exatamente Lucas 11.9-13. Algumas diferenças porém existem. Em Mateus a relação é “pão/pedra” e “peixe/cobra”, enquanto em Lucas é “peixe/cobra” e “ovo/escorpião”, apesar de alguns manuscritos também conterem “pão/pedra”. Outra diferença é Lucas substituir a expressão “coisas boas” por algo muito mais específico, a saber, o “Espírito Santo”!
De qualquer maneira, Jesus estabelece no nosso texto algumas condições para a mera existência da oração, sem mencionar a sua eficácia, ou seja, que ela exista.
Em primeiro lugar, a oração precisa pura e simplesmente acontecer. A esmagadora maioria das pessoas que dizem não ter experiências de oração significativas é por apenas oram pouco ou nada em absoluto. Não possuem disciplina e planejamento em sua vida de oração. Dizem “estou orando por isso”, mas muitas vezes significa apenas que “desejaram espiritualmente” uma vez ou outra. “Desejar espiritualmente” é quando dizemos “se Deus quiser vai acontecer”, mas não colocamos isso debaixo de oração que busca a vontade de Deus, nem entramos em batalha espiritual para arrancar das mãos do Inimigo o que o Senhor deseja nos dar.
Em segundo lugar, a oração precisa ser algo insistente e perseverante. Pedir, buscar, bater... insistir! Tal como ligamos repetidas vezes para um número que insiste em não nos atender ou que está ocupado devido à nossa necessidade de falar com aquele número de telefone, igualmente precisamos insistir e insistir até sermos atendidos. No texto de Lucas 11 no versículo 8, lemos: “Eu lhes digo: Embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que precisar.”. O Senhor nos ensina o segredo, insista até sermos respondidos. Novamente isso requer de nós disciplina e planejamento. Uma lista de oração com datas e dados acompanhada de um tempo separado e protegido de interrupções. Tal como Jesus, precisamos achar o nosso monte e subir nele em busca de tempo com o Pai.
Em terceiro lugar, a oração só existe onde há relacionamento. Sem querer “espremer” demais do texto bíblico, ainda assim creio que existe o objetivo do Senhor em usar a palavra Pai para Deus em relação ao que ora. Não é alguém distante ou estranho com quem desejamos entrar em contato. De forma alguma, se trata de nosso Pai, que nos ama e nos conhece... e a Quem conhecemos. Ou será? Tempo de oração é tempo investido com o Pai. Quanto mais o temos, mais O conhecemos. Simples assim. Oração intercessória, contemplativa, de adoração, de súplica, de qualquer tipo... melhor, de todos os tipos, nos fazem compreender (juntamente com a Palavra de Deus) o caráter e a personalidade do nosso Deus.
Finalmente, em quarto lugar, a oração deve ser gerada em mutualidade com o próximo. Fazer aos outros como desejo que seja feito a mim, neste contexto, certamente significa termos uma rede de intercessão mútua. Em cada grupo cristão que você pertencer: família, células, discipulado, igreja; sempre criarmos uma teia de proteção e suprimento espiritual de mim para os outros e dos outros para mim.
Em resumo, a questão é simples... sem oração, veremos em breve a estagnação e a completa ausência de poder espiritual. O que pedirmos nos será negado, o que buscarmos não encontraremos e as portas nas quais batermos, continuarão fechadas. Tudo o que acontece no mundo natural, primeiro se torna realidade no mundo espiritual. Ora, se tudo é espiritual, sermos “pegos” em meio ao fogo cruzado, sem poder algum, sem munição espiritual, não deve ser muito bom... não é mesmo?
Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho,pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.” Efésios 6.18-20
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 06/05/07

Nenhum comentário: