terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (15)

Chegamos finalmente ao último capítulo do sermão do Monte, o capítulo 7, onde Jesus começa ensinando algo extremamente importante quanto às relações humanas. Certamente o será para a convivência em nossos lares e em nossa igreja.

O Julgamento ao Próximo
1 “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2 Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.3 “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? 4 Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?5 Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.6 “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.

O capítulo 7 começa com mais uma acusação contra a falsa justiça dos Fariseus: o julgamento das pessoas. Eles estavam julgando a Jesus e achando-o inadequado para o “papel”de Messias. Ele não estava oferecendo o tipo de reino que eles esperavam nem estava buscando o tipo de “justiça” que eles tinham para oferecer. Então, era mais fácil apenas rejeitá-lO. Jesus, por outro lado, os avisava sobre o julgamento hipócrita.
Este texto não ensina que nunca se pode julgar, de maneira alguma, é preciso compreender todo o contexto. Na verdade, Jesus também disse, “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (João 7.24). Portanto, a explicação é outra, e esta no restante do texto.
O texto fala sobre “tirar o cisco do olho do seu irmão”, se julgamento fosse totalmente proibido, o versículo 5 não existiria. Assim, o que o Senhor está ensinado não é na verdade sobre nunca julgar, mas, sim, sobre julgar antes de fazer um auto-exame. Nunca devemos ser habitualmente julgativos e crítivos quanto ao que está na vida de outrem, quando aquela área ainda não está sobre tratamento em nossa. Apesar de julgamento ser algumas vezes necessário, aquele que o estiver fazendo precisa estar seguro de sua situação.
Entretanto, um última precaução deve ser tomada. Quando alguém estiver buscando ajudar outrem, ele deve ter cuidado quanto à recepção de sua atitude. Isso se faz examinando o que se deve falar e se é benéfico e apreciável pela parte confrontada. Portanto, não devemos jogar coisas sagradas a pessoas não-santificadas (“cães”) e “pérolas aos porcos”. É bem seguro dizer que o princípio implícito aqui é em relação àqueles que não desejam obedecer à verdade, tal como os Fariseus e mesmo os Gentios, contudo, certamente, podemos extrair um princípio secundário sobre os nossos irmãos e irmãs em Cristo. Muitas vezes apenas não é o momento correto, ou, outras vezes, nós ainda não possuímos o tato para a abordagem necessária. Boa intenção não basta, precisamos ser sensíveis ao momento que a pessoa está passando. Caso contrário, poderemos ser usados pelo Inimigo para endurecer ainda mais o coração que deveria ser tratado e a alma que deveria ser curada.
Paulo nos alerta sobre o cuidado com nossas palavras: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.” (Ef 4.29). Queridos, relacionamentos são um grande alvo do Diabo. Porém, quando nos deixamos ser usados e instruídos por Deus e quando agimos por amor não por orgulho ou vaidade, o Senhor pode nos usar poderosamente e desmascarar todo o engano do inferno.
Assim, somos colocados diante de uma situação complicada. Devemos nos dispor a tirar noss irmão do erro. E isso, ao olhos do mundo, é uma posição de superioridade. Porém, devemos ao mesmo tempo, fazer isso como quem serve ao outro e, ainda, considerando-o superior a nós mesmos!!! (Fp 2.3) Isso, igreja, é a maturidade dos filhos de Deus que o Senhor espera ver em nós.
Então? Vamos começar a praticar? O começo é uma vida sem pendências com o Senhor. Não uma vida perfeita, mas uma vida tratada e em tratamento constante. Um coração arrependido e em arrependimento. Assim, discernimento, entendimento e sabedoria virão do Senhor, além da sua graça para falarmos apenas aquilo que edifica aos meus irmão de sangue, sangue do Senhor!
Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.” Tiago 4.17
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 29/04/07

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