terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (12)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. Desta vez, este orgulho é conhecido através da forma de se conduzirem durante o jejum.

O Jejum
16 “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.17 Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto,18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.

O jejum era o terceiro exemplo da “retidão” farisaica. Os Fariseus amavam poder jejuar para serem notados pelas pessoas e que estas os olhassem como muito “espirituais”. O jejum enfatiza a mortificação da carne, porém, o Fariseus glorificavam a carne ao atrair a atenção para eles mesmos. O Senhor, por outro lado, enfatiza que tais atos de contrição deveriam ser feitos para Deus, “em secreto”. Ninguém deveria seguir o exemplo dos Fariseus de recusar óleo sobre a sua cabeça. Esta seria a tradução literal do lavar o rosto. o óleo aqui traz uma conotação de alegria e desviaria a atenção das pessoas. Afinal, contrição e dor são mais observáveis como sinais de espiritualidade do que festa e alegria.
O jejum é algo praticado por inúmeras religiões como forma de se aproximar da divindade. A compreensão de que a carne é má não é completa, na verdade, é limitada e primitiva do ponto de vista religioso. Igualmente errada é a idéia de merecimento através do sofrimento. Nada disso se sustenta biblicamente. O jejum bíblico tem como motivação levar-nos a uma predisposição mental para as coisas relativas ao nosso vínculo espiritual com o nosso Deus. Um Deus pessoal, mas que é tornado impessoal pelas coisas materiais ao nosso redor.
O tempo do jejum é uma questão muito mais pessoal do que técnica. Porém, como disse Davi, “Não oferecerei ao SENHOR, o meu Deus, holocaustos (ofertas) que não me custem nada”. Desta forma, o Jejum deve respeitar nossos limites físicos, porém, sem trapaça. Pode-se começar com um jejum parcial cobrindo apenas algumas horas do dia. Porém, isso deve ser estendido quando percebermos que não significa nenhum esforço pessoal.
O jejum também pode ou não ter um propósito prático além da consagração pessoal. Buscar uma resposta da parte de Deus ou alcançar um vitória na vida podem ser reforçadas pelo jejum acompanhando a oração. Mas, sempre tendo em mente, não se trata de uma troca, de uma barganha com Deus. De maneira alguma.
De qualquer maneira, jejuar pelo menos uma vez por mês é algo que deve fazer parte de nossas vidas. Sempre tendo o Senhor como centro e não nós.
Nos três exemplos da “retidão” dos Fariseus - oferta (v.1-4), oração (5-15) e jejum (16-18) - Jesus usa hipócritas (v. 2, 5, 16), ostentação pública (v. 1, 2, 5 e 16), receber sua recompensa diante dos homens (v. 2, 5 e 16), agir em secreto (v. 4, 6 e 18), e ser recompensado pelo Pai que vê em secreto (v. 4, 6, 8 e 18). Obviamente, isso não é uma coincidência; o Senhor estava querendo nos ensinar algo com muita ênfase.
Será que aprendemos? Será que isso é apenas nestas três áreas?
Quantas vezes vemos tanta vaidade por causa dos dons que recebemos ou dos talentos que temos? Quanto orgulho porque “nós temos a interpretação bíblica correta”? Sem mencionar as vezes que nos comparamos uns aos outros ou valorizamos mais ao que demonstram uma espiritualidade exterior que tanto nos atrai.
Creio firmemente que apenas a eternidade vai revelar o nome de homens e mulheres de Deus que serão grandemente recompensadas porque fizeram “em secreto”, apenas para o Senhor. Enquanto que os holofotes se apagarão de sobre aqueles que já receberam a sua recompensa das mãos e olhares dos homens.
Quanto a nós, o que faremos diante deste ensino de Jesus? Quero sugerir uma resposta prática e mensurável... vamos jejuar. Simples assim. Quero desafiar você a ESTA SEMANA separar diante do Senhor um tempo de jejum e oração. Se precisar, busque ajuda e orientação, mas não deixe que a falta de informação se torne uma desculpa para não obedecer à Palavra de Deus. Creia, a recompensa é garantida.
Então os discípulos de João vieram perguntar-lhe: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?” Jesus respondeu: “Como podem os convidados do noivo ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão. (Mateus 9.14-15)
Até que o noivo volte, nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 08/04/07

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