terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (11)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. O Senhor aproveita e inicia seu ensino sobre a prática de oração que agrada ao Pai.

A Oração
5 “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 9 Vocês, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas.

Logo quando nos convertemos, sentimos certo receio de orar publicamente tendo como maior preocupação o que vamos falar. Será que usaremos as palavras certas, será que usaremos as expressões corretas. Quando ouço pessoas orando assim que se convertem, posso perceber que mesmo esta inquietação não impede a sinceridade das palavras.
Contudo, o problema central apontado por Jesus é na verdade a sua atitude. Em primeiro lugar, direcione para o Senhor as suas palavras. Nunca devemos nos importar em quem está ao nosso redor, nem por reconhecimento, nem mesmo para “mandar recados”. Em segundo lugar, creia que a fonte de poder da oração está também no Senhor e não em nossas palavras. Portanto, não adianta repeti-las como um mantra ou como um encantamento. Constância na oração não é isso, mas, antes, é a perseverância de nossa fé num Deus que “sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem”.
Após apontar a correção da atitude deles, Jesus dá aquela que seria conhecida como a “Oração do Senhor” ou “Pai Nosso”, mas que seria melhor ser conhecida como a “Oração dos Discípulos”. Como modelo, seria assim...
Ela começa com adoração. E chamando-O de “Pai” apontamos a nossa intimidade com Ele. Não é uma adoração religiosa, mas, sim, de quem é chegado ao trono da Graça, mas que mesmo assim é reverente para com Deus!
Segue-se a confiança nas promessas de Deus, “venha o Teu Reino”; o Senhor irá cumprir as suas alianças e as suas promessas. Oramos para um Deus fiel. Essa confiança também é expressada em pedirmos por nossas necessidades, o que demonstra nossa dependência do Pai. “De cada dia” (gr. epiousion, usado apenas aqui em todo N.T.), siginifica “o suficiente para hoje”! Exatamente no mesmo espírito em que o Maná foi dado, o Senhor espera de nós esta dependência apenas pelo dia de hoje, até que amanhã chegue.
A questão do perdão e da confissão de pecados pode ser a mais difícil na oração. Não apenas devido ao exercício de humildade e humilhação de reconhecer e se arrepender de nossos pecados, mas, porque este precisa ser precedido do exercício de restituição àqueles para com quem temos falhado! Apesar do perdão dos pecados não ser baseado no nosso perdão para outros e sim em nosso arrependimento genuíno, a recusa em perdoar aponta uma falha em nosso caráter a qual é dada muita importância pelo Senhor (v.14-15).
Uma vida sem pendências é de grande ajuda na batalha espiritual. Flertar com pecado e pedir libertação do mesmo é no mínimo contraditório. A doração final termina como o outro pão em um sanduíche de uma oração bem feita, e, mas importante, aceita pelo Pai.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 01/04/07

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