quarta-feira, 27 de junho de 2018

Como a Igreja Católica se tornou Romana


Como a Igreja Católica se tornou Romana

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Eu edificarei a minha igreja”, declarou Jesus (Mateus 16:18). E que processo magnífico e agonizante tem se desenrolado por dois milênios. Essencial para este trabalho é a formação de pedras vivas - homens e mulheres retirados da pedreira do pecado, cujas vidas agora testificam da graça do evangelho.

Mas como Cristo edifica Sua igreja? Uma resposta é sugerida dentro da cúpula da Basílica de São Pedro em Roma, em letras de dois metros de altura, onde a promessa de Cristo está escrita em latim: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.". Iluminadas por janelas circundantes, essas palavras se colocam como uma coroa no alto da cripta do próprio apóstolo, que está escondido bem abaixo do altar-mor, uma lembrança da autoridade dada ao herdeiro de Pedro que está sentado no trono papal.

Martinho Lutero não foi o primeiro a questionar a autoridade papal, mas seu argumento foi especialmente incisivo. Quando as idéias de Lutero começaram a se
solidificar em 1520, ele articulou suas preocupações em um trabalho seminal: À Nobreza Cristã. Este tratado foi ocasionado por ataques do teólogo do papa, Sylvester Prierias, que afirmou o absolutismo papal com tal bravata que Lutero chamou de "manifesto infernal". Convencido da suprema autoridade das Escrituras, e acreditando que a nobreza alemã era simpática à sua posição, Lutero, à luz do precedente histórico, instou os nobres a abraçar a responsabilidade da reforma da igreja.

O tratado de Lutero colocou um machado na instituição romana - as convenções sociais, políticas, legais e religiosas que sustentavam a cristandade ocidental. De preocupação central era a alegação papal (defendida por Prierias) de que somente o papa pode interpretar as Escrituras de maneira confiável e falar sem erros. Lutero via tais tradições como acréscimos religiosos que ameaçavam a integridade da igreja se não erradicadas.

Olhando para trás, às vezes nos perguntamos como o acúmulo da tradição romana se desenvolveu desde o barco de pesca do Galileu até os dias de Lutero; isto é, desde o dia de Pentecostes até o século XVI. Embora a história seja demorada e complexa, a visão geral a seguir tentará oferecer alguma perspectiva, dando particular atenção ao desenvolvimento da autoridade eclesial no ofício papal.

Primeiro papa
Nossa história começa com um lembrete de Lord Acton, que sugeriu que a melhor maneira de garantir a coerência de sua posição é fazer o melhor argumento possível para aqueles que acreditamos estarem errados. Embora a narrativa a seguir não seja um argumento em si, pretende-se demonstrar que a trajetória equivocada da autoridade papal se desenvolveu naturalmente no escopo e sequência da história ocidental, um desenvolvimento que adverte os seguidores de Cristo em todas as épocas.

Os historiadores católicos geralmente reconhecem que não há uma linha reta do atual papa para o apóstolo Pedro. Nas palavras de Eamon Duffy, “Não há, portanto, nada que se aproxime diretamente de uma teoria papal nas páginas do Novo Testamento”, e de todas as indicações, “não houve um único bispo de Roma por quase um século após as mortes do apóstolos ”.

Foi por volta de 150 d.C., que o padrão solto da autoridade presbiteriana começou a dar lugar a um único bispo romano, um cargo que acabou se tornando monárquico sob o comando do bispo Victor (189-198) e, em maior grau, do bispo
Estêvão I (254 –257) que reivindicou alguns dos poderes e honras atribuídas ao apóstolo Pedro. A invocação de Mateus 16 por Estêvão foi o primeiro exemplo de um bispo de Roma tentando se elevar sobre outros bispos com uma autoridade qualitativamente superior.

A conversão de Constantino e seu subsequente investimento em instituições eclesiásticas colocaram os bispos romanos no centro da vida imperial. Eles logo se tornaram autoridades influentes e politicamente engajados, adquirindo as armadilhas urbanas da aristocracia. A influência política do bispo aumentou quando Constantino transferiu a capital do império para Constantinopla em 330, um movimento que deixou o bispo de Roma como o indivíduo mais importante da cidade. Mas qual desses bispos deve ser considerado o primeiro papa?

A maioria dos historiadores olha para Leão I, que ocupou o trono episcopal em Roma de 440 a 461. Um líder espiritual e administrador capaz,
Leão famosamente persuadiu Átila, o Huno, a deixar a cidade de Roma em paz, um dos muitos atos que o levaram a ganhar o título “Grande”. Ele gostava de ser chamado de “Papa”(pai em latim), do qual deriva a palavra "Papa", um título que era tipicamente usado por bispos, mas terminou sendo confinado apenas ao bispo de Roma no sexto século. Leão, que se entendia como um canal da autoridade apostólica de Pedro, insistiu que os apelos aos tribunais da igreja fossem trazidos a ele. Como “pontifex maximus” (o sumo sacerdote de uma cidade), suas decisões deveriam ser ouvidas como finais.

Desenvolvimento da Função Pontíficie
Com o colapso do governo romano no Ocidente e o afluxo de tribos germânicas durante o quinto século, era natural que o papa servisse como principal governante de Roma. Ele foi cada vez mais chamado a promover justiça, defesa e provisões durante a fome - funções que alguém poderia chamar de “seculares”. Enquanto isso, os governantes cristãos continuavam a conceder propriedades e construir grandes igrejas. O acúmulo desses bens pela igreja era uma função natural do vácuo de poder deixado pelo Império Romano, mas exigia que os líderes da igreja administrassem grandes quantidades de terra e riqueza, e praticassem a desagradável intermediação de poder que os acompanhava.

Foi nessa época que a autocompreensão teológica do papado deu outro passo significativo. Gelásio I (492–496) foi além da pretensão de Leão à jurisdição sobre outros bispos ao afirmar que o poder do papa era superior aos reis. Essa distinção entre poder papal e autoridade temporal seria significativa nos próximos séculos, quando papa e imperador se depararam com a questão de quem por direito liderava a Cristandade. De acordo com Gelásio, uma vez que os papas teriam que prestar contas a Deus pelos reis, seu poder sagrado superava a autoridade imperial de qualquer imperador ou governante temporal.

Uma série de pessoas e eventos significativos pertencem aos anos seguintes: o legado de Gregório I (540-604), especialmente sua teoria missiológica; a doação de Pepino do Short do território que cerca Roma no que se tornaria os estados papais (756); a chamada Doação de Constantino; a icônica coroação de Carlos Magno por Leão III no dia de Natal (800); a intervenção de Henrique III quando havia três pretendentes diferentes ao trono papal (1046); as reformas do Papa Leão IX (1049-1054), que proibiam os padres de se casarem, e sua mobilização do Colégio dos Cardeais; oposição à “investidura leiga” - a prática de governantes seculares escolherem os bispos e investi-los com os símbolos de sua autoridade; as Cruzadas (começando em 1095); e a compilação do direito canônico de Gratian (c. 1140). Por mais variada que seja essa breve amostragem, cada evento de alguma forma contribuiu para o poder consolidado do papado medieval e sua complexa relação com os estados-nação emergentes.

O pontificado de Inocêncio III (1198-1216) é corretamente visto como o auge do poder e da prerrogativa papal. Foi Inocêncio que se viu operando acima do homem e abaixo de Deus, e especificamente “acreditava que Deus dera ao sucessor de Pedro a tarefa de 'governar o mundo inteiro' assim como a igreja”. Identificando-se como o “Vigário de Cristo”, ele reivindicou ter poder supremo na terra e considerou a autoridade de estados-nação como derivando da sua própria. Em 1215, ele chamou o Quarto Concílio de Latrão, que estabeleceu o dogma da transubstanciação, entre outras reformas doutrinárias e pastorais.

Mesmo que o poder papal tivesse atingido seu apogeu sob Inocêncio III, logo começaria a diminuir. Uma crescente tensão entre o papado e os estados-nação acabou levando a um conflito entre o Bonifácio VIII (1294-1303) e o governante da França, Felipe, o Justo. Em uma disputa de poderes que faz lembrar o "Manneken Pis de Bruxelas", Felipe acabou sendo vitorioso. Tendo sido superado, Bonifácio, então, emitiu a bula papal conhecida como "Unam Sanctam", onde afirmou que “é totalmente necessário para a salvação que toda criatura humana seja sujeita ao Pontífice
Romano”. Bonifácio, no entanto, não pôde apoiar suas reivindicações usando forças militares. Felipe, portanto, fez dele um prisioneiro, um precursor do que seria do papado em poucos anos.

Igreja em cativeiro
Quando o recém-eleito papa, Clemente V, foi impedido de retornar a Roma pelo rei da França em 1305, ele finalmente mudou sua corte papal para Avignon. Assim começou o chamado Cativeiro Babilônico do Papado, um período de 1309 a 1376, quando sete papas sucessivos viveram no exílio de Roma, a poucos passos da fronteira francesa. Quando o papa Gregório XI finalmente retornou a Roma em 1377 e morreu ali, o colégio de cardeais majoritariamente francês reuniu-se no conclave em meio a multidões enfurecidas que exigiam um papa italiano. As massas alcançaram seu objetivo com Urbano VI, mas os cardeais rapidamente sentiram remorso da concessão e elegeram um papa francês (alegando ter tomado sua decisão inicial sob pressão). Havia agora dois pretendentes ao trono papal.

O Grande Cisma do Ocidente durou quarenta anos. As nações se reuniram em apoio a um papa ou outro, mais ou menos com base em suas relações com a França. O Concílio de Pisa foi chamado em 1408 e tentou resolver o assunto escolhendo um novo papa, chegando a João XIII. Isso, no entanto, apenas agravou o problema, pois agora havia três pretendentes papais. Foi preciso o Concílio de Constança em 1414 para solucionar o impasse, depondo os três papas antes de eleger um novo em 1417, Martinho V. Como uma maneira de subjugar o poder papal, Constança também decretou manter um conselho geral como o supremo corpo governante da Igreja. Mas papas subseqüentes derrubaram essa resolução e devolveram o ofício papal à sua posição de supremacia.

Nossa história termina pouco antes do surgimento da Reforma, no Quinto Concílio de Latrão (1512-1517), onde o papa Júlio II, vestido como um imperador romano, vestindo uma espada e uma capa amarela, anulou a superioridade dos concílios em favor do poder papal. Mas, ironicamente, foi nesse mesmo contexto que Giles de Viterbo afirmou: "Os homens devem ser mudados pela religião e não a religião pelos homens".

Poder Absoluto Corrompe Absolutamente
Tendo começado com Lorde Acton, vamos concluir com suas palavras mais famosas: "O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente". O que muitas vezes é esquecido é que Acton estava falando sobre o absolutismo papal, uma preocupação que motivou os reformadores cristãos ao longo dos séculos.

Mas esse perigo não é exclusivo daqueles que usam o anel papal ou estão inclinados a beijá-lo. No fundo, a trajetória de todo coração pecaminoso é ser como o Papa Júlio II, exibindo nossas esplêndidas capas amarelas e procurando um trono para sentar. Mas há apenas um Senhor que se senta no trono, o Cordeiro a quem damos louvor e honra e glória para todo o sempre.

Autor: Chris Castaldo (PhD, Escola de Teologia de Londres) serve como pastor principal da Igreja da Nova Aliança em Naperville, Illinois. Ele é o autor de "Conversando com Católicos sobre o Evangelho" e co-autor do recém-lançado "A Reforma Incacabada: O que une e divide católicos e protestantes depois de 500 anos."

Chris blogs em www.chriscastaldo.com.

Fonte original:
https://www.desiringgod.org/articles/how-the-catholic-church-became-roman

sábado, 16 de maio de 2015


ELE DESCEU AO INFERNO?

(por Joe Rigney)

 
 
Então José comprou um lençol de linho, baixou o corpo da cruz, envolveu-o no lençol e o colocou num sepulcro cavado na rocha. Depois, fez rolar uma pedra sobre a entrada do sepulcro. (Marcos 15.46)

Nós todos sabemos que Jesus morreu. "‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’. Tendo dito isso, expirou." (Lucas 23.46). Mas o que aconteceu depois que ele morreu? Sabemos que o seu corpo foi colocado no sepulcro de José, mas e quanto à sua alma humana?

Refletir sobre esta questão não só lança luz sobre o ensino da Bíblia sobre a morte e a vida após a morte, mas também é um grande incentivo para nós, que teremos que enfrentar a morte e devemos fazê-lo sem medo.

 
O que é a morte?

Em primeiro lugar, o que exatamente é a morte? A morte é a separação, a divisão das coisas que devem estar unidas. Fundamentalmente, é a separação de Deus. Paulo sugere isso em Efésios 2.1-2a: " Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados nos quais costumavam viver". Viver no pecado é estar morto, é ser escravizados pelos poderes das trevas, é estar separado de Deus, é ser filhos da sua ira. Este tipo de separação é um estranhamento, uma hostilidade, uma alienação da vida e da esperança do Deus vivo. Neste sentido, todos nós, por natureza, nascemos mortos; e é essa a morte que Jesus sofreu em seu sofrimento na cruz.

Mas, claro, a morte é mais do que apenas a separação de Deus. Morte também marca a separação de alma e corpo. Deus fez os seres humanos para serem almas incorporadas e corpos “almados”, e a morte rasga esta união em pedaços. Mas o que acontece com essas duas partes depois que são separadas? O Salmo 16.10 nos dá uma janela para o ensino bíblico.

           Tu não me abandonarás no sepulcro (Sheol),

                    nem permitirás que o teu santo sofra decomposição.

Esta passagem nos direciona para o relato normal do que acontecia quando um ser humano morria antes da morte e ressurreição de Jesus. A alma fera abandonada "à sepultura", e o corpo experimentou corrupção ou deterioração.

Em Atos 2.29-31, Pedro nos diz que Davi, ao ter escrito este salmo, previu a ressurreição de Cristo, “que não foi abandonado no sepulcro (ou seja, sua alma não foi), cujo corpo não sofreu decomposição” (perceba que Pedro lê a segunda linha como uma referência ao corpo ou à carne de Jesus). Assim, antes de Jesus, na hora da morte, as almas normalmente iriam para o Sheol (Sepultura), e os corpos (carne) deterioravam. Estamos todos familiarizados com o último, mas o primeiro é mais opaco. Um estudo bíblico rápido vai nos mostrar porque Peter pensa que a profecia de Davi no Salmo 16 é uma boa notícia.

 O que é Sheol?

 No Antigo Testamento, Sheol é o lugar das almas dos mortos, tanto de justos (como Jacó, Genesis 37.35, e Samuel, 1 Samuel 28.13-14) como de ímpios (Salmo 31.17). No Novo Testamento, a palavra hebraica Sheol é traduzida como Hades, e a descrição do Sheol no Antigo e no Novo Testamento tem algumas semelhanças com o Hades da mitologia grega. É debaixo da terra (Números 16.30-33) e é como uma cidade com portões (Isaías 38.10) e barras (ou portas) (Jó 17.16). É uma terra de escuridão, um lugar onde as sombras, as almas sombrias dos homens, habitam (Isaías 14. 9; 26.14). É a terra do esquecimento (Salmo 88.12), onde nenhum trabalho é feito e nenhuma sabedoria existe (Eclesiastes 9.10). Mais significativamente, Sheol é um lugar onde ninguém louva a Deus (Salmo 6.5; 88.10-11; 115. 17; Isaías 38.18).

 No Novo Testamento, a representação mais ampla da vida após a morte é encontrada em Lucas 16.19-31. Ali ficamos sabendo que, como o Hades da mitologia grega, o Sheol bíblico tem dois compartimentos: Hades em si (onde o homem rico é enviado, Lucas 16.23) e "seio de Abraão" (onde os anjos levam a Lázaro, Lucas 16.22 ). O Hades em si é um lugar de tormento, onde o fogo provoca angústia para as almas encarceradas lá. O “seio de Abraão”, por outro lado, mesmo que ao alcance dos gritos vindos do Hades, é separado por um grande abismo (Lucas 16.26), e é, como o grego Elysium, um lugar de conforto e descanso.

 Embora muito do mistério permaneça, a imagem começa a tomar forma. Todas as almas mortas descem ao Sheol / Hades, mas o Sheol é dividido em duas partes distintas, uma para os justos e outra para os ímpios. Os justos que morreram antes de Cristo habitavam no Sheol com Abraão, e embora eles tenham sido cortados da terra dos viventes (e, portanto, do culto do Senhor na terra), eles não foram atormentados como os ímpios foram.

 
Para onde Jesus foi quando ele morreu?

O que, então, que isso nos diz sobre o local onde Jesus foi no Sábado Santo? Com base nas palavras de Jesus ao ladrão na cruz em Lucas 23.43, alguns cristãos acreditam que após a sua morte, a alma de Jesus foi para o céu para estar na presença do Pai. Mas Lucas 23.43 não diz que Jesus estaria na presença de Deus; diz que ele estaria na presença do ladrão ("Hoje estarás comigo no Paraíso"), e com base no Antigo Testamento e Lucas 16, parece provável que o ladrão (agora arrependido) estaria ao lado de Abraão, um lugar de conforto e descanso para os justos mortos, que aqui Jesus chama de "Paraíso".

 Depois de sua morte pelo pecado, então, Jesus viaja para o Hades, à cidade da Morte, e arranca das dobradiças os seus portões. Ele liberta Abraão, Isaque, Jacó, Davi, João Batista, e o resto de fiéis do Antigo Testamento, resgatando-os do poder do Sheol (Salmo 49.15; 86.13; 89.48). Eles haviam esperado lá por tanto tempo, sem terem recebido o que foi prometido, para que assim seus espíritos fossem aperfeiçoados juntamente com os santos da Nova Aliança (Hebreus 11.39-40; Hebreus 12.23).

Depois de sua ressurreição, Jesus sobe ao céu e traz os mortos resgatados consigo, de modo que agora o Paraíso não é mais para baixo perto do lugar de tormento, mas está no terceiro céu, o mais alto dos céus, onde Deus habita (2 Coríntios 12.2-4).

 Agora, na era da igreja, quando os justos morrem, eles não são meramente levado pelos anjos para o seio de Abraão; eles partem para estar com Cristo, que é muito melhor (Filipenses 1.23). Os ímpios, no entanto, permanecem no Hades em tormento, até o julgamento final, quando o Hades dá os mortos que habitam ali, e eles são julgados de acordo com as suas obras, e, em seguida, a Morte e o Hades são jogados no inferno, no lago de fogo (Apocalipse 20.13-15).

 
Boa notícia para nós

Que implicações que isso tem para a Semana Santa? A jornada de Cristo ao Hades demonstra que ele foi de fato feito semelhante a nós em todos os sentidos. Não só ele realmente suportou a ira de Deus em nosso favor; ele suportou a morte, a separação de sua alma de seu corpo. Seu corpo estava na tumba de José (Lucas 23.50-53) e sua alma esteve três dias no Sheol, no coração da terra (Mateus 12.40).

Mas como o Salmo 16 deixa claro, Jesus não é apenas como nós, mas diferente. O corpo de Jesus foi sepultado, como o nosso, mas não apodreceu. A alma de Jesus foi para o Hades, como os santos do Antigo Testamento, mas não foi abandonada lá. Deus o ressuscitou dentre os mortos, reuniu sua alma com um corpo glorificado, de modo que ele é as primícias da colheita da ressurreição.

E isso é uma boa notícia para nós porque aqueles que estão em Cristo agora “pulam” a terra do esquecimento, onde ninguém louva a Deus. Em vez disso, quando morremos, nós nos juntamos com o coro angelical e os santos do passado para cantar louvores ao Cordeiro que foi morto por nós e pela nossa salvação.

O Senhor ressuscitou. O Senhor ressuscitou verdadeiramente.
 
Joe Rigney (@joe_rigney) é Professor Assistente de Teologia e Cosmovisão Cristã na Bethlehem College and Seminary e autor de Live Like a Narnian: Christian Discipleship in Lewis’s Chronicles (Viva como um narniano: O Discipulado Cristão nas Crônicas de Lewis) e The Things of Earth: Treasuring God by Enjoying His Gifts (As coisas da Terra: Valorizando Deus ao Desfrutar dos Seus Dons). Ele é pastor na Cities Church.
 
 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 21)

Caminhando no Salmo 119

161 Os poderosos perseguem-me sem motivo, mas é diante da tua palavra que o meu coração treme.
162 Eu me regozijo na tua promessa como alguém que encontra grandes despojos.
163 Odeio e detesto a falsidade, mas amo a tua lei.
164 Sete vezes por dia eu te louvo por causa das tuas justas ordenanças.
165 Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há que os faça tropeçar.
166 Aguardo a tua salvação, Senhor, e pratico os teus mandamentos.
167 Obedeço aos teus testemunhos; amo-os infinitamente!
168 Obedeço a todos os teus preceitos e testemunhos, pois conheces todos os meus caminhos.

Na penúltima parte do Salmo 119, o salmista continua fazendo comparações entre supostos absolutos da experiência humana (mestres e idosos como mais sábios, pessoas prósperas como mais tranquilas) e a realidade de quem vive debaixo do absoluto da Palavra de Deus.
Ele começa declarando que pessoas com poder (autoridade) o perseguem injustamente (v.161). Uma situação de medo para a maioria das pessoas, se torna uma declaração que mais do que o temor dos homens, ele teme a Palavra de Deus, claramente, por causa do Deus da Palavra. Ela que determina nossa justiça e expõe nosso pecado. E diante das suas promessas, encontramos a alegria eterna que as coisas deste mundo, as conquistas deste mundo só podem tentar emular e imitar, mas nunca reproduzir (v.162). Imitações de felicidade deveriam nos trazer desgosto (v.163) em comparação com a alegria real que encontramos nas verdades da Palavra de Deus. Abandonemos as sombras deste mundo! A realidade é Cristo revelado em Sua bendita Palavra!
“Sete vezes” não se trata de um número místico ou uma fórmula a ser seguida (v.164). “Sete” nas Escrituras é o número de Deus, o número de algo perfeito, no qual nada precisa ser adicionado. O louvor perfeito vem de uma vida impactada pela absoluta justiça encontrada nos ensinamentos de Deus. Olhamos ao nosso redor e vemos depravação e injustiça; o que pode trazer até desespero. Mas, na revelação de Deus encontramos motivo de adoração, de paz e de estabilidade (v.165). Oh, o que mais pode nosso coração querer desde que ele dê às costas a este mundo e suas ofertas?
A vida com Cristo não é monótona e tediosa como este mundo deseja apontá-la. É um ciclo seguro de obediência e salvação (isto é graça); às vezes, salvação mesmo em meio à desobediência (isto é misericórdia). O salmista aguarda a salvação de Deus quanto aos seus inimigos e ilustra como nos demais versos: “pratico os teus mandamentos”, “pratico os teus mandamentos”, “obedeço aos teus testemunhos”, “amo-os infinitamente”, “obedeço a todos os teus preceitos e testemunhos”... Essa linguagem (aparentemente) repetitiva é, na verdade, uma expressão de convicção e entusiasmo com estas verdades que podem ser unificadas como tendo o mesmo significado: A OPINIÃO DE DEUS ME INTERESSA MAIS DO QUE QUALQUER COISA. E é na Palavra que encontramos esta “opinião”: a mente de Deus.

         A razão derradeira para o salmista fazer isso é porque ele serve a um Deus próximo, que conhece todos os seus caminhos. Um Deus com quem temos familiaridade. Ou melhor, um Deus que é familiarizado conosco, no mais íntimo, profundo e completo sentido.

domingo, 9 de novembro de 2014

O “pastorado” dos homens em seus lares


    "Dentro de suas próprias casas, eu digo, em alguns casos, você são bispos e reis; sua esposa, filhos, funcionários e familiares estão a sua responsabilidade e bispado; de vocês será requerido o cuidado e diligência com o qual você sempre os instrua no verdadeiro conhecimento de Deus ... Faça-os participantes na leitura, exortando e fazendo as orações comuns em cada casa, uma vez por dia, pelo menos."   John Knox, reformador escocês (1514-1572).
     Tragicamente, ouvi e testemunhei como que pais, especialmente os pais-homens, transferiam a responsabilidade espiritual de seus lares para a igreja e para a esposa. Se vendo como os “ganhadores de pão”, eles se convencem que criar os filhos “segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Ef 6.4) seja uma atribuição de pastores, professores de EBD e, claro, das esposas.
    Contudo, o vocábulo “pateres” significa primordialmente “homens que são pais” e não se refere ao casal. De fato, dentre as versões em inglês, nenhuma optou por traduzir “parents” (pais no coletivo), mas, sim, “fathers” (“pais” do sexo masculino.
    Tal fato não significa que as mães não possuam papel algum na criação e instrução espiritual dos filhos. De maneira alguma Apenas destaca que tal papel deve ser encabeçado, incentivado e cobrado dos homens.
    Outra “desculpa” que homens contam a si mesmo é a vida moderna, dizendo que o tempo era mais disponível há 2.000 anos atrás e mesmo antes disso no A.T.. Tal pensamento é uma falácia. Na verdade, sem leis de trabalho modernas e tendo que lutar com a própria sobrevivência, homens geralmente trabalhavam mais do que trabalham hoje.
    Contudo, hoje, nosso tempo é consumido por distrações e falsas prioridades. Além é claro, muitas vezes, de pura indolência e preguiça. Sejamos sinceros: criar (e aturar) filhos dá trabalho. E será que vale a pena? Eu creio que sim.
    A primeira razão é o legado de ver um filho andando com o Senhor, o que deve ser o maior motivo de alegria  (3 Jo 4). Algo que fazemos em obediência a Deus, mas também por amor aos filhos.
    A Segunda razão é poupar-nos de decepções futuras. Filhos piedosos e convertidos são alvo da ação do Espírito Santo. Ele os conduzirá na Palavra e na santidade.
    A terceira razão é poupar a eles mesmos de dificuldades futuras. A vida já é difícil. Mais ainda se eles a encararem por si mesmos e sem caminhar com o Senhor.
    A quarta razão é a propagação do Reino. Nossos filhos com nossos primeiros discípulos se multiplicarão em outras vidas ganhas para Cristo, e também em seus próprios filhos ao continuarem o legado de piedade.
    Tudo o que precisamos, irmãos, é ter visão do futuro maravilhoso de uma família que anda com o Senhor. É valorizar isso mais do que a faculdade e o concurso que eles venham a conquistar. E perceber que estamos semeando para a eternidade; a eternidade com eles. Pois a coisa mais importante na vida é sermos salvos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 20)


Caminhando no Salmo 119

 

153 Olha para o meu sofrimento e livra-me, pois não me esqueço da tua lei.
154 Defende a minha causa e resgata-me; preserva a minha vida conforme a tua promessa.
155 A salvação está longe dos ímpios, pois eles não buscam os teus decretos.
156 Grande é a tua compaixão, Senhor; preserva a minha vida conforme as tuas leis.
157 Muitos são os meus adversários e os meus perseguidores, mas eu não me desvio dos teus estatutos.
158 Com grande desgosto vejo os infiéis, que não obedecem à tua palavra.
159 Vê como amo os teus preceitos! Dá-me vida, Senhor, conforme o teu amor leal.
160 A verdade é a essência da tua palavra, e todas as tuas justas ordenanças são eternas.
 

Frequentemente, enfrentaremos situações que nos farão (ou pelo menos tentarão) nos fazer desesperar da vida (v.153). Aquelas em que “o chão some” de debaixo dos nossos pés. Podem ser diferentes daquelas que o salmista passa, mas duas coisas são iguais: (1) o efeito desamparo em nossas vidas e (2) a fonte do nosso socorro. Isso, nunca mudará. A fonte, claro, é Deus, mas o Salmo 119 insiste em toda a sua extensão em nos lembrar: intimidade com a Palavra é a chave! “pois não me esqueço da Tua lei”. Muitas situações difíceis podem ser resolvidas quando cremos corretamente e obedecemos diligentemente através da Palavra de Deus. E podemos continuar clamando (v.154) diante da injustiça focados naquilo que o Senhor promete na Sua Palavra e não nas circunstâncias ao nosso redor ou em nós mesmos.

Na verdade, ao olharmos ao redor, percebemos o desespero de causa naqueles que não tem o Senhor (v.155) e não em nós. Nós contamos com a compaixão (v.156) do nosso Deus e Sua mão cuidando das nossas vidas, conforme prometeu!

Diante das lutas, de adversários, somos tentados a lutar com armas carnais, humanas. Nosso desafio é nos manter nos princípios da Palavra de Deus (v.157) independentemente do que e de quem esteja contra nós. Mateus 5 a 7 nos traz muito desta contra-cultura do Reino. Atitudes e posturas que não conseguiremos por nós mesmos; apenas serão possíveis através da Graça do nosso Deus.

E é reconhecendo que só conseguimos por causa da Graça que nos entristecemos com o que vemos ao nosso redor (v.158). Caso contrário, seríamos arrebatados pela arrogância de nos achar melhores do que os que andam sem Cristo. Não nos enganemos. Não somos melhores: CRISTO é muito melhor!

Continuemos apenas amando a Palavra de Deus (v.159) como um mel doce para o corpo e como água para a boca sedenta e experimentaremos os efeitos práticos da real vida Eterna que já vivemos. Fomos chamados para esta vida, mas muitas vezes não a vivemos. Um andar em pecado e mentira, em injustiça e autossuficiência precisa ser crucificado a cada dia. E, assim, andando em verdade, na verdade da Palavra (v.160), experimentaremos os ventos e brisas da eternidade... mesmo que ainda deste lado do céu.

sábado, 13 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 19)



Caminhando no Salmo 119

145 Eu clamo de todo o coração; responde-me, Senhor, e obedecerei aos teus testemunhos!
146 Clamo a ti; salva-me, e obedecerei aos teus estatutos!
147 Antes do amanhecer me levanto e suplico o teu socorro; na tua palavra coloquei minha esperança.
148 Fico acordado nas vigílias da noite, para meditar nas tuas promessas.
149 Ouve a minha voz pelo teu amor leal; faze-me viver, Senhor, conforme as tuas ordenanças.
150 Os meus perseguidores aproximam-se com más intenções; mas estão distantes da tua lei.
151 Tu, porém, Senhor, estás perto e todos os teus mandamentos são verdadeiros.
152 Há muito aprendi dos teus testemunhos que tu os estabeleceste para sempre.

Quando buscamos a face do Senhor, podemos esperar pela Sua reação, Sua resposta À nossa súplica (v.145); nosso Deus é um Deus que se relaciona, que deseja a comunhão com Seus filhos. Um efeito desse relacionamento é o desejo de obedecer ao Deus que nos ouve. O salmista repete o pensamento (v.146) ao reafirmar que diante das lutas que ele está passando a resposta dele à resposta do Senhor será (de novo) a obediência. Por mais que isso possa soar como uma barganha, uma troca, quero propor que não é isso. Antes, o salmista está reafirmando sua continuidade em honrar o Senhor com sua obediência diante da preservação da sua vida, além de fazer isso como um voto. Ora, quantas vezes pessoas que não obedecem, buscam diante de luta? E basta receber a sua “benção” que viram as costas e esquecem do Abençoador. Usam Deus como um caixa automático para o qual não possuem senha ou saldo; mas se acham no direito de buscar no momento da aflição.
A busca na oração e na Palavra (v.147) marcam a vida do obediente salmista, e até entram pelas madrugadas em meditação na Palavra (v.148). A determinação demonstrada é algo a se imitar como o padrão, o estilo das nossas vidas. Em tempos difíceis e em tempos de calmaria.
Mas, por que devemos buscar assim? Baseados em quê? O salmista nos responde, “pelo Teu amor leal” (v.149). Tudo o que vimos até aqui não se baseia em troca ou mérito por sermos tão dedicados à oração e à meditação na Palavra. Oh, que expulsemos de nós a maldição do mérito e do auto-merecimento, pois se trata sempre de Graça. É pelo amor leal de um Deus que se revelou a nós que clamamos e esperamos nEle!
A nossa resposta a um Deus assim é nos diferenciarmos daqueles que querem o nosso mal ativamente (como parece ser o caso do salmista) ou mesmo passivamente como é mais o nosso com o mundo perdido ao nosso redor (v.150). E enquanto eles parecem nos soterrar de tão próximos... nosso Deus está mais perto e Ele é verdadeiro no que nos ensina (v.151).
Que aquilo que temos aprendido pelos anos, mandamento inabaláveis de Deus, seja uma constante em nossas vidas (v.152). E assim, quaisquer que sejam os inimigos, lutas ou problemas, que esses mandamentos sejam nossa rocha e fundamento, enquanto todo outro terreno nada mais seja do que lodaçal e arreia movediça.

domingo, 7 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 18)

Caminhando no Salmo 119

137 Justo és, Senhor, e retas são as tuas ordenanças.
138 Ordenaste os teus testemunhos com justiça; dignos são de inteira confiança!
139 O meu zelo me consome, pois os meus adversários se esquecem das tuas palavras.
140 A tua promessa foi plenamente comprovada, e, por isso, o teu servo a ama.
141 Sou pequeno e desprezado, mas não esqueço os teus preceitos.
142 A tua justiça é eterna, e a tua lei é a verdade.
143 Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer.
144 Os teus testemunhos são eternamente justos, dá-me discernimento para que eu tenha vida.

Muitas injustiças ocorrem ao nosso redor. Mesmo nosso coração é cheio delas. Assim, o salmista aponta para Deus como fonte de justiça e Sua Palavra como a forma de conhece-la (v.137). Assim, o Senhor determinou! Quando olhamos para regras, leis e similares, todos estão debaixo da fragilidade da justiça humana; mas, não quando vem do Senhor. Estes são “dignos de inteira confiança!” (v.138). Oh, se encarássemos assim o que encontrássemos nas Escrituras a cada dia e obedecêssemos sem hesitar ou duvidar!
O salmista está de tal maneira embebido pelos ensinos do Senhor o que lhe incomoda não é o que adversários fazem com ele, mas o ignorar dos mandamentos do Senhor (v.139). Os mesmos que são dignos de confiança. Ele vem comprovando em sua vida tal confiança (v.140); daí vem sua dificuldade de entender o porquê outros desprezam as ordenanças do Senhor. Mas, ele... ele encontra nelas mais um motivo pelo qual amar ao Senhor. Ele reconhece sua limitação, mesmo sua pecaminosidade, mas recorre aos mandamentos do Senhor para se manter firme (v.141).
Tudo o que aprendemos na vida é passageiro e questionável, mas podemos usar adjetivos como “eterna” e declarar fatos como “é a verdade” (v.142) quando se trata da Palavra de Deus (v.142). Estes são os fundamentos da vida daquele que anda com o Senhor fielmente confiando em seus mandamentos.
Mas, não significa uma receita de vida fácil. O salmista produz uma nota edificante ao dizer que mesmo em meio à “tribulação e angústia” ainda encontra prazer na Palavra de Deus (v.143). E ela nem sempre nos diz o que queremos ouvir, mas, o que precisamos ouvir, a fim de na justiça de Deus, e não na nossa, possamos ver com clareza as circunstâncias mesmo em meio a lutas e saber o que fazer. O nome disso é discernimento (v.144). E ele preserva a nossa vida.