sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 21)

Caminhando no Salmo 119

161 Os poderosos perseguem-me sem motivo, mas é diante da tua palavra que o meu coração treme.
162 Eu me regozijo na tua promessa como alguém que encontra grandes despojos.
163 Odeio e detesto a falsidade, mas amo a tua lei.
164 Sete vezes por dia eu te louvo por causa das tuas justas ordenanças.
165 Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há que os faça tropeçar.
166 Aguardo a tua salvação, Senhor, e pratico os teus mandamentos.
167 Obedeço aos teus testemunhos; amo-os infinitamente!
168 Obedeço a todos os teus preceitos e testemunhos, pois conheces todos os meus caminhos.

Na penúltima parte do Salmo 119, o salmista continua fazendo comparações entre supostos absolutos da experiência humana (mestres e idosos como mais sábios, pessoas prósperas como mais tranquilas) e a realidade de quem vive debaixo do absoluto da Palavra de Deus.
Ele começa declarando que pessoas com poder (autoridade) o perseguem injustamente (v.161). Uma situação de medo para a maioria das pessoas, se torna uma declaração que mais do que o temor dos homens, ele teme a Palavra de Deus, claramente, por causa do Deus da Palavra. Ela que determina nossa justiça e expõe nosso pecado. E diante das suas promessas, encontramos a alegria eterna que as coisas deste mundo, as conquistas deste mundo só podem tentar emular e imitar, mas nunca reproduzir (v.162). Imitações de felicidade deveriam nos trazer desgosto (v.163) em comparação com a alegria real que encontramos nas verdades da Palavra de Deus. Abandonemos as sombras deste mundo! A realidade é Cristo revelado em Sua bendita Palavra!
“Sete vezes” não se trata de um número místico ou uma fórmula a ser seguida (v.164). “Sete” nas Escrituras é o número de Deus, o número de algo perfeito, no qual nada precisa ser adicionado. O louvor perfeito vem de uma vida impactada pela absoluta justiça encontrada nos ensinamentos de Deus. Olhamos ao nosso redor e vemos depravação e injustiça; o que pode trazer até desespero. Mas, na revelação de Deus encontramos motivo de adoração, de paz e de estabilidade (v.165). Oh, o que mais pode nosso coração querer desde que ele dê às costas a este mundo e suas ofertas?
A vida com Cristo não é monótona e tediosa como este mundo deseja apontá-la. É um ciclo seguro de obediência e salvação (isto é graça); às vezes, salvação mesmo em meio à desobediência (isto é misericórdia). O salmista aguarda a salvação de Deus quanto aos seus inimigos e ilustra como nos demais versos: “pratico os teus mandamentos”, “pratico os teus mandamentos”, “obedeço aos teus testemunhos”, “amo-os infinitamente”, “obedeço a todos os teus preceitos e testemunhos”... Essa linguagem (aparentemente) repetitiva é, na verdade, uma expressão de convicção e entusiasmo com estas verdades que podem ser unificadas como tendo o mesmo significado: A OPINIÃO DE DEUS ME INTERESSA MAIS DO QUE QUALQUER COISA. E é na Palavra que encontramos esta “opinião”: a mente de Deus.

         A razão derradeira para o salmista fazer isso é porque ele serve a um Deus próximo, que conhece todos os seus caminhos. Um Deus com quem temos familiaridade. Ou melhor, um Deus que é familiarizado conosco, no mais íntimo, profundo e completo sentido.

domingo, 9 de novembro de 2014

O “pastorado” dos homens em seus lares


    "Dentro de suas próprias casas, eu digo, em alguns casos, você são bispos e reis; sua esposa, filhos, funcionários e familiares estão a sua responsabilidade e bispado; de vocês será requerido o cuidado e diligência com o qual você sempre os instrua no verdadeiro conhecimento de Deus ... Faça-os participantes na leitura, exortando e fazendo as orações comuns em cada casa, uma vez por dia, pelo menos."   John Knox, reformador escocês (1514-1572).
     Tragicamente, ouvi e testemunhei como que pais, especialmente os pais-homens, transferiam a responsabilidade espiritual de seus lares para a igreja e para a esposa. Se vendo como os “ganhadores de pão”, eles se convencem que criar os filhos “segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Ef 6.4) seja uma atribuição de pastores, professores de EBD e, claro, das esposas.
    Contudo, o vocábulo “pateres” significa primordialmente “homens que são pais” e não se refere ao casal. De fato, dentre as versões em inglês, nenhuma optou por traduzir “parents” (pais no coletivo), mas, sim, “fathers” (“pais” do sexo masculino.
    Tal fato não significa que as mães não possuam papel algum na criação e instrução espiritual dos filhos. De maneira alguma Apenas destaca que tal papel deve ser encabeçado, incentivado e cobrado dos homens.
    Outra “desculpa” que homens contam a si mesmo é a vida moderna, dizendo que o tempo era mais disponível há 2.000 anos atrás e mesmo antes disso no A.T.. Tal pensamento é uma falácia. Na verdade, sem leis de trabalho modernas e tendo que lutar com a própria sobrevivência, homens geralmente trabalhavam mais do que trabalham hoje.
    Contudo, hoje, nosso tempo é consumido por distrações e falsas prioridades. Além é claro, muitas vezes, de pura indolência e preguiça. Sejamos sinceros: criar (e aturar) filhos dá trabalho. E será que vale a pena? Eu creio que sim.
    A primeira razão é o legado de ver um filho andando com o Senhor, o que deve ser o maior motivo de alegria  (3 Jo 4). Algo que fazemos em obediência a Deus, mas também por amor aos filhos.
    A Segunda razão é poupar-nos de decepções futuras. Filhos piedosos e convertidos são alvo da ação do Espírito Santo. Ele os conduzirá na Palavra e na santidade.
    A terceira razão é poupar a eles mesmos de dificuldades futuras. A vida já é difícil. Mais ainda se eles a encararem por si mesmos e sem caminhar com o Senhor.
    A quarta razão é a propagação do Reino. Nossos filhos com nossos primeiros discípulos se multiplicarão em outras vidas ganhas para Cristo, e também em seus próprios filhos ao continuarem o legado de piedade.
    Tudo o que precisamos, irmãos, é ter visão do futuro maravilhoso de uma família que anda com o Senhor. É valorizar isso mais do que a faculdade e o concurso que eles venham a conquistar. E perceber que estamos semeando para a eternidade; a eternidade com eles. Pois a coisa mais importante na vida é sermos salvos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 20)


Caminhando no Salmo 119

 

153 Olha para o meu sofrimento e livra-me, pois não me esqueço da tua lei.
154 Defende a minha causa e resgata-me; preserva a minha vida conforme a tua promessa.
155 A salvação está longe dos ímpios, pois eles não buscam os teus decretos.
156 Grande é a tua compaixão, Senhor; preserva a minha vida conforme as tuas leis.
157 Muitos são os meus adversários e os meus perseguidores, mas eu não me desvio dos teus estatutos.
158 Com grande desgosto vejo os infiéis, que não obedecem à tua palavra.
159 Vê como amo os teus preceitos! Dá-me vida, Senhor, conforme o teu amor leal.
160 A verdade é a essência da tua palavra, e todas as tuas justas ordenanças são eternas.
 

Frequentemente, enfrentaremos situações que nos farão (ou pelo menos tentarão) nos fazer desesperar da vida (v.153). Aquelas em que “o chão some” de debaixo dos nossos pés. Podem ser diferentes daquelas que o salmista passa, mas duas coisas são iguais: (1) o efeito desamparo em nossas vidas e (2) a fonte do nosso socorro. Isso, nunca mudará. A fonte, claro, é Deus, mas o Salmo 119 insiste em toda a sua extensão em nos lembrar: intimidade com a Palavra é a chave! “pois não me esqueço da Tua lei”. Muitas situações difíceis podem ser resolvidas quando cremos corretamente e obedecemos diligentemente através da Palavra de Deus. E podemos continuar clamando (v.154) diante da injustiça focados naquilo que o Senhor promete na Sua Palavra e não nas circunstâncias ao nosso redor ou em nós mesmos.

Na verdade, ao olharmos ao redor, percebemos o desespero de causa naqueles que não tem o Senhor (v.155) e não em nós. Nós contamos com a compaixão (v.156) do nosso Deus e Sua mão cuidando das nossas vidas, conforme prometeu!

Diante das lutas, de adversários, somos tentados a lutar com armas carnais, humanas. Nosso desafio é nos manter nos princípios da Palavra de Deus (v.157) independentemente do que e de quem esteja contra nós. Mateus 5 a 7 nos traz muito desta contra-cultura do Reino. Atitudes e posturas que não conseguiremos por nós mesmos; apenas serão possíveis através da Graça do nosso Deus.

E é reconhecendo que só conseguimos por causa da Graça que nos entristecemos com o que vemos ao nosso redor (v.158). Caso contrário, seríamos arrebatados pela arrogância de nos achar melhores do que os que andam sem Cristo. Não nos enganemos. Não somos melhores: CRISTO é muito melhor!

Continuemos apenas amando a Palavra de Deus (v.159) como um mel doce para o corpo e como água para a boca sedenta e experimentaremos os efeitos práticos da real vida Eterna que já vivemos. Fomos chamados para esta vida, mas muitas vezes não a vivemos. Um andar em pecado e mentira, em injustiça e autossuficiência precisa ser crucificado a cada dia. E, assim, andando em verdade, na verdade da Palavra (v.160), experimentaremos os ventos e brisas da eternidade... mesmo que ainda deste lado do céu.

sábado, 13 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 19)



Caminhando no Salmo 119

145 Eu clamo de todo o coração; responde-me, Senhor, e obedecerei aos teus testemunhos!
146 Clamo a ti; salva-me, e obedecerei aos teus estatutos!
147 Antes do amanhecer me levanto e suplico o teu socorro; na tua palavra coloquei minha esperança.
148 Fico acordado nas vigílias da noite, para meditar nas tuas promessas.
149 Ouve a minha voz pelo teu amor leal; faze-me viver, Senhor, conforme as tuas ordenanças.
150 Os meus perseguidores aproximam-se com más intenções; mas estão distantes da tua lei.
151 Tu, porém, Senhor, estás perto e todos os teus mandamentos são verdadeiros.
152 Há muito aprendi dos teus testemunhos que tu os estabeleceste para sempre.

Quando buscamos a face do Senhor, podemos esperar pela Sua reação, Sua resposta À nossa súplica (v.145); nosso Deus é um Deus que se relaciona, que deseja a comunhão com Seus filhos. Um efeito desse relacionamento é o desejo de obedecer ao Deus que nos ouve. O salmista repete o pensamento (v.146) ao reafirmar que diante das lutas que ele está passando a resposta dele à resposta do Senhor será (de novo) a obediência. Por mais que isso possa soar como uma barganha, uma troca, quero propor que não é isso. Antes, o salmista está reafirmando sua continuidade em honrar o Senhor com sua obediência diante da preservação da sua vida, além de fazer isso como um voto. Ora, quantas vezes pessoas que não obedecem, buscam diante de luta? E basta receber a sua “benção” que viram as costas e esquecem do Abençoador. Usam Deus como um caixa automático para o qual não possuem senha ou saldo; mas se acham no direito de buscar no momento da aflição.
A busca na oração e na Palavra (v.147) marcam a vida do obediente salmista, e até entram pelas madrugadas em meditação na Palavra (v.148). A determinação demonstrada é algo a se imitar como o padrão, o estilo das nossas vidas. Em tempos difíceis e em tempos de calmaria.
Mas, por que devemos buscar assim? Baseados em quê? O salmista nos responde, “pelo Teu amor leal” (v.149). Tudo o que vimos até aqui não se baseia em troca ou mérito por sermos tão dedicados à oração e à meditação na Palavra. Oh, que expulsemos de nós a maldição do mérito e do auto-merecimento, pois se trata sempre de Graça. É pelo amor leal de um Deus que se revelou a nós que clamamos e esperamos nEle!
A nossa resposta a um Deus assim é nos diferenciarmos daqueles que querem o nosso mal ativamente (como parece ser o caso do salmista) ou mesmo passivamente como é mais o nosso com o mundo perdido ao nosso redor (v.150). E enquanto eles parecem nos soterrar de tão próximos... nosso Deus está mais perto e Ele é verdadeiro no que nos ensina (v.151).
Que aquilo que temos aprendido pelos anos, mandamento inabaláveis de Deus, seja uma constante em nossas vidas (v.152). E assim, quaisquer que sejam os inimigos, lutas ou problemas, que esses mandamentos sejam nossa rocha e fundamento, enquanto todo outro terreno nada mais seja do que lodaçal e arreia movediça.

domingo, 7 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 18)

Caminhando no Salmo 119

137 Justo és, Senhor, e retas são as tuas ordenanças.
138 Ordenaste os teus testemunhos com justiça; dignos são de inteira confiança!
139 O meu zelo me consome, pois os meus adversários se esquecem das tuas palavras.
140 A tua promessa foi plenamente comprovada, e, por isso, o teu servo a ama.
141 Sou pequeno e desprezado, mas não esqueço os teus preceitos.
142 A tua justiça é eterna, e a tua lei é a verdade.
143 Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer.
144 Os teus testemunhos são eternamente justos, dá-me discernimento para que eu tenha vida.

Muitas injustiças ocorrem ao nosso redor. Mesmo nosso coração é cheio delas. Assim, o salmista aponta para Deus como fonte de justiça e Sua Palavra como a forma de conhece-la (v.137). Assim, o Senhor determinou! Quando olhamos para regras, leis e similares, todos estão debaixo da fragilidade da justiça humana; mas, não quando vem do Senhor. Estes são “dignos de inteira confiança!” (v.138). Oh, se encarássemos assim o que encontrássemos nas Escrituras a cada dia e obedecêssemos sem hesitar ou duvidar!
O salmista está de tal maneira embebido pelos ensinos do Senhor o que lhe incomoda não é o que adversários fazem com ele, mas o ignorar dos mandamentos do Senhor (v.139). Os mesmos que são dignos de confiança. Ele vem comprovando em sua vida tal confiança (v.140); daí vem sua dificuldade de entender o porquê outros desprezam as ordenanças do Senhor. Mas, ele... ele encontra nelas mais um motivo pelo qual amar ao Senhor. Ele reconhece sua limitação, mesmo sua pecaminosidade, mas recorre aos mandamentos do Senhor para se manter firme (v.141).
Tudo o que aprendemos na vida é passageiro e questionável, mas podemos usar adjetivos como “eterna” e declarar fatos como “é a verdade” (v.142) quando se trata da Palavra de Deus (v.142). Estes são os fundamentos da vida daquele que anda com o Senhor fielmente confiando em seus mandamentos.
Mas, não significa uma receita de vida fácil. O salmista produz uma nota edificante ao dizer que mesmo em meio à “tribulação e angústia” ainda encontra prazer na Palavra de Deus (v.143). E ela nem sempre nos diz o que queremos ouvir, mas, o que precisamos ouvir, a fim de na justiça de Deus, e não na nossa, possamos ver com clareza as circunstâncias mesmo em meio a lutas e saber o que fazer. O nome disso é discernimento (v.144). E ele preserva a nossa vida.



sábado, 6 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 17)



Caminhando no Salmo 119

129 Os teus testemunhos são maravilhosos; por isso lhes obedeço.
130 A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes.
131 Abro a boca e suspiro, ansiando por teus mandamentos.
132 Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, como sempre fazes aos que amam o teu nome.
133 Dirige os meus passos, conforme a tua palavra; não permitas que nenhum pecado me domine.
134 Resgata-me da opressão dos homens, para que eu obedeça aos teus preceitos.
135 Faze o teu rosto resplandecer sobreh o teu servo, e ensina-me os teus decretos.
136 Rios de lágrimas correm dos meus olhos, porque a tua lei não é obedecida.

Muitas coisas maravilham as pessoas ao nosso redor. Elas são atraídas pelas coisas mais frívolas e mesmo pelas coisas valiosas. Mas, raramente se maravilham pelas coisas de Deus; muito menos pela Sua Palavra. Não no caso do salmista (v.129). Eis aqui alguém que vem experimentando a pessoa de Deus e os efeitos da Sua Palavra em sua vida. Como não obedecer a esta Palavra? Palavras de um Deus as quais iluminam para ajudar até os inexperientes para que estes “emprestem” a sabedoria do Alto (v.130). Diante de tal realidade, o salmista fala como um poeta apaixonado, saudoso da fonte do seu amor. Apenas que neste caso, ele está apaixonado pelos mandamentos do Senhor e por estes mandamentos ele suspira (v.131). De novo: qual de nós experimentamos tal paixão pela Palavra de Deus em nossas vidas?
Então, o salmista clama por socorro (v.132), pela misericórdia do Senhor, pois Ele sempre age assim para com aqueles que amam o nome do Senhor. Amor de mostrado na obediência e no maravilhar diante dos ensinamentos da Palavra de Deus. Aqui o socorro pedido não se deve aparentemente a nenhum inimigo externo, mas ao inimigo interno de todos nós: o pecado (v.133). E por isso ele clama por direção. Sem a firme bússola da Palavra de Deus, assim como o salmista, somos todos presas de nossas emoções e racionalizações que nos levarão finalmente às garras do nosso próprio pecado.
Mas, também havia inimigos externos (v.134). Em lugar de buscar suas próprias forças e meios, ele busca também socorro no Senhor e sua motivação se encontra sempre no mesmo lugar, isto é, em obedecer a Deus. Do Senhor também vem a iluminação para que o salmista aprenda os ensinamentos do Senhor (v.135).
Mas, finalmente, o salmista expressa o maior motivo da sua tristeza. Não o pecado interior, não os inimigos do lado de fora (apesar de serem esses todos problemas graves). O salmista experimenta profunda tristeza por ver a impiedade, a injustiça e outras manifestações do pecado ao seu redor (v.136). Perceba que o foco não está no sofrimento humano, mesmo que isso seja uma triste realidade. Nem mesmo em nada humanamente triste e que levaria lágrimas mesmo ao coração do mais duro ateu. O foco do salmista é Deus, não o homem. Sei que o sofrimento é algo horrível; mas, a verdadeira tristeza é sabermos a causa dele, vê-lo ao nosso redor, e não chorarmos ou fazermos algo pela pregação do Evangelho da Graça.


sábado, 23 de agosto de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 16)



Caminhando no Salmo 119

121 Tenho vivido com justiça e retidão; não me abandones nas mãos dos meus opressores.
122 Garante o bem-estar do teu servo; não permitas que os arrogantes me oprimam.
123 Os meus olhos fraquejam, aguardando a tua salvação e o cumprimento da tua justiça.
124 Trata o teu servo conforme o teu amor leal e ensina-me os teus decretos.
125 Sou teu servo; dá-me discernimento para compreender os teus testemunhos.
126 Já é tempo de agires, Senhor, pois a tua lei está sendo desrespeitada.
127 Eu amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro puro.
128 Por isso considero justos os teus preceitos e odeio todo caminho de falsidade.

O salmista faz um clamor ao Senhor por proteção (v.121) baseado na vida reta que ele leva. Agora, quem vem acompanhando o Salmo 119 desde o começo sabe qual a origem desta vida reta. Isso mesmo: a Palavra de Deus. Obviamente que pela ação do Espírito Santo, mas Ele usa os ensinamentos da Palavra para gerar transformação em nossas vidas. Em contraste ao que anda reto, estão os opressores e os arrogantes (v.122), contra os quais ele pede pelo seu “bem-estar”. O uso de arrogantes (ou soberbos), em um contexto de submissão aos ensinos da Palavra, nos faz concluir que se trata da postura destes em relação aos princípios das Escrituras. Eles se rebelam arrogantemente contra aquilo que Deus estabeleceu.
Enquanto isso, a dependência e a espera por Deus não é um exercício fácil (v.123). Nossa resistência e perseverança muitas vezes parece falhar, mas nos mantemos confiantes na justiça de Deus. A base dessa confiança está no “amor leal” (traduzido, “misericórdia” na ARA) de Deus, no חֶ֫סֶד (Hesed) de Deus: seu amor pactual, ligado à sua imutável natureza (v.124). Pacto, Aliança, Concerto... ligações de Deus com Seu povo, firmadas pelos decretos que o salmista deseja aprender. A Nova Aliança, o Evangelho, é também nossa fonte de segurança dada pelo Deus que não pode mentir.
Debaixo dessa Aliança, somos servos deste bondoso Senhor e queremos entender tudo que diz respeito a Ele (v.125) e a ideia de que aquilo que Ele estabeleceu esteja sendo desrespeitada (v.126) traz descontentamento e certa revolta ao salmista; tal como já ocorreu em outra parte do salmo. Não uma indignação pessoal, mas zelo por causa do Nome do Senhor.
O verso 127 nos leva a compreender que riquezas estavam sendo preferidas em lugar da justiça e da submissão aos preceitos de Deus. Daí a indignação do salmista. O qual, por outro lado, prefere aos mandamentos eternos mais do que a riqueza que perece. E o caminho de justiça trilhado por eles mais do que o caminho da falsidade (v.128), independentemente das vantagens que ele possa trazer.