Caminhando no Salmo 119
161 Os poderosos perseguem-me sem motivo, mas é
diante da tua palavra que o meu coração treme.
162 Eu me regozijo na tua promessa como alguém que
encontra grandes despojos.
163 Odeio e detesto a falsidade, mas amo a tua lei.
164 Sete vezes por dia eu te louvo por causa das
tuas justas ordenanças.
165 Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há
que os faça tropeçar.
166 Aguardo a tua salvação, Senhor, e pratico os
teus mandamentos.
167 Obedeço aos teus testemunhos; amo-os
infinitamente!
168 Obedeço a todos os teus preceitos e
testemunhos, pois conheces todos os meus caminhos.
Na penúltima parte
do Salmo 119, o salmista continua fazendo comparações entre supostos absolutos
da experiência humana (mestres e idosos como mais sábios, pessoas prósperas
como mais tranquilas) e a realidade de quem vive debaixo do absoluto da Palavra
de Deus.
Ele começa
declarando que pessoas com poder (autoridade) o perseguem injustamente (v.161).
Uma situação de medo para a maioria das pessoas, se torna uma declaração que
mais do que o temor dos homens, ele teme a Palavra de Deus, claramente, por
causa do Deus da Palavra. Ela que determina nossa justiça e expõe nosso pecado.
E diante das suas promessas, encontramos a alegria eterna que as coisas deste
mundo, as conquistas deste mundo só podem tentar emular e imitar, mas nunca
reproduzir (v.162). Imitações de felicidade deveriam nos trazer desgosto
(v.163) em comparação com a alegria real que encontramos nas verdades da
Palavra de Deus. Abandonemos as sombras deste mundo! A realidade é Cristo revelado
em Sua bendita Palavra!
“Sete vezes” não se
trata de um número místico ou uma fórmula a ser seguida (v.164). “Sete” nas
Escrituras é o número de Deus, o número de algo perfeito, no qual nada precisa
ser adicionado. O louvor perfeito vem de uma vida impactada pela absoluta justiça
encontrada nos ensinamentos de Deus. Olhamos ao nosso redor e vemos depravação
e injustiça; o que pode trazer até desespero. Mas, na revelação de Deus
encontramos motivo de adoração, de paz e de estabilidade (v.165). Oh, o que
mais pode nosso coração querer desde que ele dê às costas a este mundo e suas
ofertas?
A vida com Cristo não é monótona e
tediosa como este mundo deseja apontá-la. É um ciclo seguro de obediência e
salvação (isto é graça); às vezes, salvação mesmo em meio à desobediência (isto
é misericórdia). O salmista aguarda a salvação de Deus quanto aos seus inimigos
e ilustra como nos demais versos: “pratico os teus mandamentos”, “pratico os
teus mandamentos”, “obedeço aos teus testemunhos”, “amo-os infinitamente”, “obedeço
a todos os teus preceitos e testemunhos”... Essa linguagem (aparentemente)
repetitiva é, na verdade, uma expressão de convicção e entusiasmo com estas
verdades que podem ser unificadas como tendo o mesmo significado: A OPINIÃO DE
DEUS ME INTERESSA MAIS DO QUE QUALQUER COISA. E é na Palavra que encontramos
esta “opinião”: a mente de Deus.
A
razão derradeira para o salmista fazer isso é porque ele serve a um Deus
próximo, que conhece todos os seus caminhos. Um Deus com quem temos
familiaridade. Ou melhor, um Deus que é familiarizado conosco, no mais íntimo,
profundo e completo sentido.
