terça-feira, 27 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (6)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há seis domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão do divórcio.


O Divórcio
31 “Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. 32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.

Entre os líderes judeus havia duas correntes de pensamento quanto à questão do divórcio (Dt 24.1). Aqueles que seguiam ao rabino Hillel diziam ser permitido para um marido se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, enquanto o outro grupo, que seguia o rabino Shammai diziam que apenas uma ofensa de grande importância seria motivo para divórcio. Em Sua resposta, Jesus ensina fortemente que o casamento é visto por Deus como uma união indissolúvel e que o casamento não deveria ser terminado pelo divórcio. A “cláusula de exceção”, “exceto por imoralidade sexual” (gr. porneias), é compreendida em diversas maneiras por estudiosos das Escrituras. Quatro dessas maneiras são: (a) um adúltério que aconteça apenas uma vez; (b) infidelidade durante o período de noivado; (c) casamento entre pessoas de parentesco próximo (Lv 18.618); e (d) promiscuidade contínua. Sem entrar na questão entre os dois rabinos, Jesus já no capítulo 19, também de Mateus, lembra os líderes religiosos do propósito original de Deus em estabelecer o laço do casamento. Deus fez as pessoas homem ou mulher (v.4; Gn 1.27). No casamento, Ele junta os dois em uma ligação inseparável. Esta ligação possui um chamado maior do que entre pais e filhos, pois o homem deve deixar pai e mãe e se juntar a sua esposa num relacionamento de uma só carne (Gn 2.24). Assim, o que Deus juntou que nenhum homem separe, ou divorcie. Em resposta aos judeus sobre a “cláusula de exceção”, Jesus diz que foi a resposta de Moisés à dureza do coração do povo. Tal expressão é muito forte. Ela contém a palavra kardia significando “coração” acrescentada da palavra skleros, “dureza”, e de onde vem nossa palavra “esclerose”! Ou seja, apenas para pessoas de coração esclerosado, sem possibilidade de flexibilidade, sem possibilidade de ministrar graça. Mesmo com todas as interpretações, que possibilitam ou não o recasamento da parte traída, o ponto fundamental a ser observado é que o Senhor deixa claro que o propósito inicial de Deus deve ser o mesmo dos Seus filhos. Em outras palavras, nunca considere o divórcio como uma alternativa aberta a todo e qualquer momento. Nem mesmo com a condição de infidelidade. Esta é apenas para aqueles que querem ocupar a categoria de “pessoas de coração endurecido.” Acima disso, a lei do perdão sempre deve prevalecer porque prova a atuação de Deus em nossas vidas e não apenas o exercício de NOSSOS direitos e NOSSAS vontades.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 25/02/07

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