sábado, 13 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 19)



Caminhando no Salmo 119

145 Eu clamo de todo o coração; responde-me, Senhor, e obedecerei aos teus testemunhos!
146 Clamo a ti; salva-me, e obedecerei aos teus estatutos!
147 Antes do amanhecer me levanto e suplico o teu socorro; na tua palavra coloquei minha esperança.
148 Fico acordado nas vigílias da noite, para meditar nas tuas promessas.
149 Ouve a minha voz pelo teu amor leal; faze-me viver, Senhor, conforme as tuas ordenanças.
150 Os meus perseguidores aproximam-se com más intenções; mas estão distantes da tua lei.
151 Tu, porém, Senhor, estás perto e todos os teus mandamentos são verdadeiros.
152 Há muito aprendi dos teus testemunhos que tu os estabeleceste para sempre.

Quando buscamos a face do Senhor, podemos esperar pela Sua reação, Sua resposta À nossa súplica (v.145); nosso Deus é um Deus que se relaciona, que deseja a comunhão com Seus filhos. Um efeito desse relacionamento é o desejo de obedecer ao Deus que nos ouve. O salmista repete o pensamento (v.146) ao reafirmar que diante das lutas que ele está passando a resposta dele à resposta do Senhor será (de novo) a obediência. Por mais que isso possa soar como uma barganha, uma troca, quero propor que não é isso. Antes, o salmista está reafirmando sua continuidade em honrar o Senhor com sua obediência diante da preservação da sua vida, além de fazer isso como um voto. Ora, quantas vezes pessoas que não obedecem, buscam diante de luta? E basta receber a sua “benção” que viram as costas e esquecem do Abençoador. Usam Deus como um caixa automático para o qual não possuem senha ou saldo; mas se acham no direito de buscar no momento da aflição.
A busca na oração e na Palavra (v.147) marcam a vida do obediente salmista, e até entram pelas madrugadas em meditação na Palavra (v.148). A determinação demonstrada é algo a se imitar como o padrão, o estilo das nossas vidas. Em tempos difíceis e em tempos de calmaria.
Mas, por que devemos buscar assim? Baseados em quê? O salmista nos responde, “pelo Teu amor leal” (v.149). Tudo o que vimos até aqui não se baseia em troca ou mérito por sermos tão dedicados à oração e à meditação na Palavra. Oh, que expulsemos de nós a maldição do mérito e do auto-merecimento, pois se trata sempre de Graça. É pelo amor leal de um Deus que se revelou a nós que clamamos e esperamos nEle!
A nossa resposta a um Deus assim é nos diferenciarmos daqueles que querem o nosso mal ativamente (como parece ser o caso do salmista) ou mesmo passivamente como é mais o nosso com o mundo perdido ao nosso redor (v.150). E enquanto eles parecem nos soterrar de tão próximos... nosso Deus está mais perto e Ele é verdadeiro no que nos ensina (v.151).
Que aquilo que temos aprendido pelos anos, mandamento inabaláveis de Deus, seja uma constante em nossas vidas (v.152). E assim, quaisquer que sejam os inimigos, lutas ou problemas, que esses mandamentos sejam nossa rocha e fundamento, enquanto todo outro terreno nada mais seja do que lodaçal e arreia movediça.

domingo, 7 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 18)

Caminhando no Salmo 119

137 Justo és, Senhor, e retas são as tuas ordenanças.
138 Ordenaste os teus testemunhos com justiça; dignos são de inteira confiança!
139 O meu zelo me consome, pois os meus adversários se esquecem das tuas palavras.
140 A tua promessa foi plenamente comprovada, e, por isso, o teu servo a ama.
141 Sou pequeno e desprezado, mas não esqueço os teus preceitos.
142 A tua justiça é eterna, e a tua lei é a verdade.
143 Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer.
144 Os teus testemunhos são eternamente justos, dá-me discernimento para que eu tenha vida.

Muitas injustiças ocorrem ao nosso redor. Mesmo nosso coração é cheio delas. Assim, o salmista aponta para Deus como fonte de justiça e Sua Palavra como a forma de conhece-la (v.137). Assim, o Senhor determinou! Quando olhamos para regras, leis e similares, todos estão debaixo da fragilidade da justiça humana; mas, não quando vem do Senhor. Estes são “dignos de inteira confiança!” (v.138). Oh, se encarássemos assim o que encontrássemos nas Escrituras a cada dia e obedecêssemos sem hesitar ou duvidar!
O salmista está de tal maneira embebido pelos ensinos do Senhor o que lhe incomoda não é o que adversários fazem com ele, mas o ignorar dos mandamentos do Senhor (v.139). Os mesmos que são dignos de confiança. Ele vem comprovando em sua vida tal confiança (v.140); daí vem sua dificuldade de entender o porquê outros desprezam as ordenanças do Senhor. Mas, ele... ele encontra nelas mais um motivo pelo qual amar ao Senhor. Ele reconhece sua limitação, mesmo sua pecaminosidade, mas recorre aos mandamentos do Senhor para se manter firme (v.141).
Tudo o que aprendemos na vida é passageiro e questionável, mas podemos usar adjetivos como “eterna” e declarar fatos como “é a verdade” (v.142) quando se trata da Palavra de Deus (v.142). Estes são os fundamentos da vida daquele que anda com o Senhor fielmente confiando em seus mandamentos.
Mas, não significa uma receita de vida fácil. O salmista produz uma nota edificante ao dizer que mesmo em meio à “tribulação e angústia” ainda encontra prazer na Palavra de Deus (v.143). E ela nem sempre nos diz o que queremos ouvir, mas, o que precisamos ouvir, a fim de na justiça de Deus, e não na nossa, possamos ver com clareza as circunstâncias mesmo em meio a lutas e saber o que fazer. O nome disso é discernimento (v.144). E ele preserva a nossa vida.



sábado, 6 de setembro de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 17)



Caminhando no Salmo 119

129 Os teus testemunhos são maravilhosos; por isso lhes obedeço.
130 A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes.
131 Abro a boca e suspiro, ansiando por teus mandamentos.
132 Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, como sempre fazes aos que amam o teu nome.
133 Dirige os meus passos, conforme a tua palavra; não permitas que nenhum pecado me domine.
134 Resgata-me da opressão dos homens, para que eu obedeça aos teus preceitos.
135 Faze o teu rosto resplandecer sobreh o teu servo, e ensina-me os teus decretos.
136 Rios de lágrimas correm dos meus olhos, porque a tua lei não é obedecida.

Muitas coisas maravilham as pessoas ao nosso redor. Elas são atraídas pelas coisas mais frívolas e mesmo pelas coisas valiosas. Mas, raramente se maravilham pelas coisas de Deus; muito menos pela Sua Palavra. Não no caso do salmista (v.129). Eis aqui alguém que vem experimentando a pessoa de Deus e os efeitos da Sua Palavra em sua vida. Como não obedecer a esta Palavra? Palavras de um Deus as quais iluminam para ajudar até os inexperientes para que estes “emprestem” a sabedoria do Alto (v.130). Diante de tal realidade, o salmista fala como um poeta apaixonado, saudoso da fonte do seu amor. Apenas que neste caso, ele está apaixonado pelos mandamentos do Senhor e por estes mandamentos ele suspira (v.131). De novo: qual de nós experimentamos tal paixão pela Palavra de Deus em nossas vidas?
Então, o salmista clama por socorro (v.132), pela misericórdia do Senhor, pois Ele sempre age assim para com aqueles que amam o nome do Senhor. Amor de mostrado na obediência e no maravilhar diante dos ensinamentos da Palavra de Deus. Aqui o socorro pedido não se deve aparentemente a nenhum inimigo externo, mas ao inimigo interno de todos nós: o pecado (v.133). E por isso ele clama por direção. Sem a firme bússola da Palavra de Deus, assim como o salmista, somos todos presas de nossas emoções e racionalizações que nos levarão finalmente às garras do nosso próprio pecado.
Mas, também havia inimigos externos (v.134). Em lugar de buscar suas próprias forças e meios, ele busca também socorro no Senhor e sua motivação se encontra sempre no mesmo lugar, isto é, em obedecer a Deus. Do Senhor também vem a iluminação para que o salmista aprenda os ensinamentos do Senhor (v.135).
Mas, finalmente, o salmista expressa o maior motivo da sua tristeza. Não o pecado interior, não os inimigos do lado de fora (apesar de serem esses todos problemas graves). O salmista experimenta profunda tristeza por ver a impiedade, a injustiça e outras manifestações do pecado ao seu redor (v.136). Perceba que o foco não está no sofrimento humano, mesmo que isso seja uma triste realidade. Nem mesmo em nada humanamente triste e que levaria lágrimas mesmo ao coração do mais duro ateu. O foco do salmista é Deus, não o homem. Sei que o sofrimento é algo horrível; mas, a verdadeira tristeza é sabermos a causa dele, vê-lo ao nosso redor, e não chorarmos ou fazermos algo pela pregação do Evangelho da Graça.