quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (19)

Chegamos a nossa última etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Terminando seu longo sermão, hoje veremos Jesus oferecendo um último aviso àqueles que gostam de ouvir a Palavra de Deus, mas, nõa necessariamente, de atendê-la.

O Prudente e o Insensato

24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Para ilustrar nosso texto de hoje, quero lembrar duas situações de nosso mundo moderno. De um lado, vemos muitas vezes pessoas vivendo em áreas de risco, próximas a encostas, por exemplo. Todo ano em minha cidade, testemunhamos pessoa sendo soterradas, perdendo tudo o que tem ou mesmo ente-queridos. Mas, mesmo assim, continuam vivendo em áreas perigosas, mesmo depois de avisadas pelas autoridades. Alguns até dizem não ter pra onde ir. Bem, nenhum lugar pra ir ainda é melhor que o cemitério, não é mesmo. Contudo, não adianta. E assim acontecem as tragédias em tempos de chuva, tal como aquela que ceifou a vida dos quatro filhos de um pedreiro no Rio de Janeiro. Um enorme tristeza.
Por outro lado, os japoneses pararam de lutar contra a natureza e perceberam que precisavam de resursos para manter seus prédios em pé em meio aos constantes terremotos. Hoje em dia, nenhum prédio é erguido no Japão sem que tenha medidas anti-terremotos.
Na última parte desta mensagem de Jesus, Ele aplica a mesma lógica. Como diz o ditado em inglês, “Better be sure than sorry”, “É melhor está seguro do que lamentar”. Ou como dissemos, “Melhor prevenir do que remediar”!
A “casa” é uma óbvia metáfora da nossa vida. E construir a sua casa é o mesmo de estabelecer todas as estruturas e recursos necessários para o seu crescimento. E coisa terrível seria perder TUDO depois ou no processo de completar os objetivos em sua vida.
Os rios transbordantes e ventos retratados por Jesus são as lutas e as surpresas em nossas vidas. Aquelas do dia-a-dia já são muitas vezes desafio o suficiente pra muitos desistirem, porém, outras vezes temos coisas que não esperávamos e tentam nos derrubar completamente. O Senhor nos afirma que nada disso é suficiente quando estamos “na Rocha”, ou seja, quando construímos com cautela e segurança.
Então, temos o último elemento da metáfora: a Rocha. A Bíblia traz várias ocasiões em que o Senhor é identificado como sendo “a Rocha”. “pela mão do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,” (Gn 49.24), “Proclamarei o nome do SENHOR. Louvem a grandeza do nosso Deus! Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é.” (Dt 32.3-4). O Salmista chega a chamá-lO assim três vezes apenas no Salmo 18 (2, 31 e 46): “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus é o meu rochedo, em quem me refugio. Ele é o meu escudo e o podera que me salva,a minha torre alta.Pois quem é Deus além do Senhor? E quem é rocha senão o nosso Deus? O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja Deus, o meu Salvador!
Não havendo sombra de dúvida, resta perguntar: “O que fazer para ter sempre a nossa casa firme na Rocha? Nossa vontade precisa ser colocada em segundo lugar. E para que a vontade dEle seja a nossa, precisamos conhecê-la através da Palavra. Precisa saber o que Ele pensa e deseja... precisamos conviver com o Senhor Deus, com Seu Filho Jesus e com Seu Santo Espírito. As coisas temporárias precisam realmente ser deixadas para trás, e a permanentes e eternas precisam assumir controle da nossa vida.
A contra-cultura do Reino ensinada no sermão da montanha só é possível assim que tomarmos este estilo de vida como o ÚNICO que nos trará real satisfação e realização. Apenas quando o lá e então da eternidade com Deus seja mais real que a própria realidade que vemos diante dos nossos olhos, que, aliás, é passageira e breve. Diferente dAquele que é a nossa Rocha e Refúgio, Eterno socorro, sempre presente na hora da tribulação. Rocha de proteção e libertação. Quem nEle confiar, jamais ficará confundido!
Qual área de sua vida, neste exato momento, você pode largar a posse do controle, e deixar nas mãos dEle? Pense nisso, aja assim.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 27/05/07

Nadando contra a correnteza (18)

Chegamos a nossa penúltima etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos Jesus demonstrando seu cuidado para com seu rebanho, para conosco.

A Árvore e seu Fruto
15 “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. 16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? 17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18 A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ 23 Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!

Este texto tem sido usado das mais diversas maneiras em nosso meio e fora dele. Alguns ultra-tradicionalistas até o usam para advogar que as igrejas mais recentes são nada mais do que a mais pura expressão de falsidade ensinada neste texto. Especialmente porque eles usam (às vezes, exageradamente) os dons de profecia e línguas para autenticar seu trabalho.
Outros usam este texto para apontar aqueles que não “andam na nossa visão”, excluindo a possibilidade de Deus falar de forma diferente àquela com a qual lhes tem falado.
A verdade é que todo texto bíblico precisa ser examinado primeiro no que significava na época em que foi escrito, depois se extrai o princípio eterno e finalmente se aplica ao nosso tempo moderno. É a ponte entre o “lá e então” e o “aqui e agora”. E nosso texto, avaliado desta forma, demonstra que na época de Jesus existiam falsos profetas (e até falsos Messias) que expulsavam demônios, curavam, e faziam muitas outras coisas. Contudo, não tinham nenhum relacionamento com Deus.
O princípio, portanto, por trás deste texto é a avaliação dos frutos. O nosso problema hoje em dia é que o Diabo tem misturado a verdade com a mentira (lobos com pele de ovelha?), mesmo em meio às nossas igrejas. São igrejas envolvidas com sociedades secretas, com política e com pecados escondidos. São crentes tão arraigados neste mundo que parece que o Arrebatamento e a volta de Jesus nunca de fato acontecerá. Eu, pessoalmente, não creio que Satanás queira necessariamente matar ou acabar com as igrejas. Para ele, é mais vantajoso destituir-nos de nosso poder e autoridade e nos colocar tão mais interessados em “ganhar a vida” e atacar uns aos outros. Porque assim, cada vez mais pessoas interessadas em uma “religião apenas” se juntarão às nossas igrejas, apenas porque a religião de onde vieram não apresentava nenhuma satisfação. E a nossa... nenhuma real diferença da vida do mundo.
Hoje, a análise dos frutos é muito mais difícil, creio eu. Se tomarmos a questão de caráter, veremos algumas pessoas muito religiosas e igualmente zelosas quanto a retidão em suas vidas, enquanto muitos cristãos não o são. Da mesma maneira quanto ao crescimento. Vemos grupos sem nenhum ou pelo menos muito pouca fundamentação e seriedade bíblica crescendo numericamente, e por outro lado, grupos zelosos com a Palavra de Deus, porém, com resultados pífios.
É minha forte convicção, que hoje em dia sem um exame minucioso, não conseguiremos discernir entre o bom e o mau fruto, entre a boa e a má árvore. Também creio que encontraremos em muitos grupos, as duas coisas presentes, mas, não misturadas. Congregações sem poder, mas com alguns indivíduos com profundo relacionamento com Deus. E também ao contrário. Também encontraremos grupos que beiram a heresia, mas que abrigam pessoas zelosas pela Santidade do Senhor.
Um último ponto precisa ser examinado. E se tivermos em nós, áreas que tem se disfarçado de ovelha, mas são lobos? Áreas nas quais a verdade de Deus tem se disfarçado com uma roupagem de espiritualidade, mas na verdade é tudo falso? Trata-se apenas de religiosidade. Na noite em que Jesus foi julgado, nem todos os membros do Sinédrio foram convocados. Certamente, eles chamaram apenas aqueles da “mesma espécie”.Aqueles que concordariam com o julgamento mais absurdo da história da humanidade.
Muitas vezes, nós agimos como lobos, mas não percebemos. Somos movidos pela carne, incentivados pelo Inimigo e apoiados pelo Mundo. E, agimos fora da vontade de Deus e os frutos acompanham, sendo maus e sem valor.
Não viva sua vida espiritual apenas no domingo ou nas reuniões, mas sempre e a toda hora, cada dia. Creia, a cultura dos lobos odeia isso e é afastada por tal disciplina e zelo espirituais. O que restará em nós será apenas o caráter de ovelha, prontos a seguir o Bom Pastor de nossas almas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*Pr. J. é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 20/05/07

Nadando contra a correnteza (17)

Em dois artigos mais, terminaremos nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos um dos textos mais famosos do mundo e suas implicações para nossa vida prática.

A Porta Estreita e a Porta Larga

13 “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. 14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.

Eu já ouvi muito um ditado que as pessoas dizem quando lhes é oferecido alguma coisa amarga ou azeda, “de amarga (ou azeda) basta a vida!”. Mesmo não concordando, compreendo que a maioria das pessoas gostariam de uma vida sem problemas, sem lutas e dificuldades e com o máximo de tranqüilidade possível. Em resumo, ninguém quer sofrimento, pelo menos não as pessoas mais normais.
Se aproximando do final do Seu sermão, Jesus toma o tempo para dizer que sabe que as coisas que ensinou não são fáceis, são todas “caminhos estreitos”. Reveja os capítulos 5, 6 e 7 e você verá a lista de coisas difíceis, e, às vezes, muito difíceis de serem praticadas. É como se o Senhor estivesse dizendo “se fosse fácil, não seria mérito algum”, por isso, é um caminho estreito e apertado.
Muitos crêem que este caminho estreito significa apenas o contrário de largo. Ou seja, um tem vários metros e o outro tem uns 3 ou 5 metros. Eu creio que é mais do que isso. Ele é escarpado, irregular, cheio de espinhos e cantos perigosos, enfim, um terror da engenharia natural! Para passarmos por um caminho assim, precisamos de perícia, preparo, ajuda de outros e ferramentas. Não é tarefa para desistidores! E ainda por cima, com tão pouco espaço, muitas vezes estaremos sozinhos!
Que contraste o caminho largo! Este sim, oferece a “vida que se pediu a Deus!” É amplo, reto, sem buracos, cheio de “ amigos” e facilidades. Lá você não precisa lutar segundo as regras e nem muito menos nadar contra a correnteza. É só deixar a vida te levar! Tudo é mais fácil e você pode ser o centro de tudo.
Se é verdade que a viagem, ou seja, o percurso, é tão importante quanto o destino, então, o caminho largo ganha com folga. Afinal, quem gostaria de uma viagem difícil e acidentada, em lugar de uma confortável e com uma bela vista? Ninguém, é claro. Porém, a viagem é importante, mas não se ignorarmos o destino. O que neste caso é absolutamente fundamental: perdição ou vida!
Jesus oferece na conclusão dos caminhos um tremendo contraste. Se escolhermos o caminho largo da vida mais fácil e sem obstáculos, já usufruímos aqui todo o benefício que podíamos, pois na chegada restará apenas perdição, e perdição eterna. É claro que para a maioria, este caminho largo não significará dinheiro ou poder, mas ainda assim, significará uma vida voltada ao redor do “eu”; porque vencê-lo é o que torna o caminho da nossa vida em um caminho estreito.
Por outro lado, se escolhermos o caminho estreito e mais difícil, ele nos levará à vida, e vida eterna! E a lógica funciona ao contrário. Após termos aberto mão de direitos e de prazeres, receberemos o melhor de Deus para nós. Por isso, Paulo nos diz em Filipenses 1.29, “pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele”. A máxima irá sempre funcionar: quanto mais abrirmos mão segundo o mandato do Senhor, mais receberemos depois.
A questão dos dois caminhos passa pelo dilema do imediatismo. Agora ou depois? A Palavra de Deus é recheada de ensinamentos dizendo que devemos esperar, confiar, aguardar, repousar, e etc. Mas, como? No mundo do calmante e do stress, como podemos apenas orar e não fazer nada? Além disso, o mundo cobra sucesso e independência. Como vou encaixar na minha vida a conformidade ao propósito de Deus e a dependência de Sua vontade? Como? Impossível.
Muito pelo contrário, é perfeitamente possível! Quando usamos armas espirituais e confiamos em Deus. Vamos logo tomar o Senhor Jesus como exemplo. Ele poderia simplesmente ter tomado o caminho largo e se libertado de Seus opressores. Poderia usar do Seu poder infinito e exterminar os Seus opositores. Ficaria muito mais fácil apenas com pessoas que concordassem com o que Ele tinha a dizer, não é mesmo? Porém, no mesmo contexto em que Paulo trata o sofrer por Ele como um privilégio, Paulo nos ensina sobre os sacrifícios realizados por Jesus, por amor a nós, até ao ponto de ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8)! E como Ele conseguiu? Da mesma maneira que nós podemos. Aprendendo passo a passo os ensinamentos do caminho estreito, e amadurecendo a medida que o caminho vai se tornando mais difícil e os desafios mais tenazes! Assim mesmo aconteceu com o Senhor Jesus, “Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,” (Hb 5.8-9). A pessoa que entra no caminho estreito nunca será a mesma pessoa que sai dele no final; sempre será uma pessoa mais semelhante ao Senhor Jesus... ainda bem!
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 13/05/07

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (16)

Andar na contra-mão não é fácil. Nem tão pouco... nadar contra a correnteza. Temos estudado isso há 15 semanas, e aprendido o que Jesus nos ensina a fazer quando temos a cultura deste mundo em contraste com a cultura do Reino. Oração é algo completamente alienígena a este mundo. Mesmo que muitos pensem que a praticam, na verdade, é muito mais reza que acontece ao redor do mundo, do que verdadeira oração. Logo veremos o porquê.

A Persistência na Oração
7 “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.8 Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.9 “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11 Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.

Este texto lembra quase exatamente Lucas 11.9-13. Algumas diferenças porém existem. Em Mateus a relação é “pão/pedra” e “peixe/cobra”, enquanto em Lucas é “peixe/cobra” e “ovo/escorpião”, apesar de alguns manuscritos também conterem “pão/pedra”. Outra diferença é Lucas substituir a expressão “coisas boas” por algo muito mais específico, a saber, o “Espírito Santo”!
De qualquer maneira, Jesus estabelece no nosso texto algumas condições para a mera existência da oração, sem mencionar a sua eficácia, ou seja, que ela exista.
Em primeiro lugar, a oração precisa pura e simplesmente acontecer. A esmagadora maioria das pessoas que dizem não ter experiências de oração significativas é por apenas oram pouco ou nada em absoluto. Não possuem disciplina e planejamento em sua vida de oração. Dizem “estou orando por isso”, mas muitas vezes significa apenas que “desejaram espiritualmente” uma vez ou outra. “Desejar espiritualmente” é quando dizemos “se Deus quiser vai acontecer”, mas não colocamos isso debaixo de oração que busca a vontade de Deus, nem entramos em batalha espiritual para arrancar das mãos do Inimigo o que o Senhor deseja nos dar.
Em segundo lugar, a oração precisa ser algo insistente e perseverante. Pedir, buscar, bater... insistir! Tal como ligamos repetidas vezes para um número que insiste em não nos atender ou que está ocupado devido à nossa necessidade de falar com aquele número de telefone, igualmente precisamos insistir e insistir até sermos atendidos. No texto de Lucas 11 no versículo 8, lemos: “Eu lhes digo: Embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que precisar.”. O Senhor nos ensina o segredo, insista até sermos respondidos. Novamente isso requer de nós disciplina e planejamento. Uma lista de oração com datas e dados acompanhada de um tempo separado e protegido de interrupções. Tal como Jesus, precisamos achar o nosso monte e subir nele em busca de tempo com o Pai.
Em terceiro lugar, a oração só existe onde há relacionamento. Sem querer “espremer” demais do texto bíblico, ainda assim creio que existe o objetivo do Senhor em usar a palavra Pai para Deus em relação ao que ora. Não é alguém distante ou estranho com quem desejamos entrar em contato. De forma alguma, se trata de nosso Pai, que nos ama e nos conhece... e a Quem conhecemos. Ou será? Tempo de oração é tempo investido com o Pai. Quanto mais o temos, mais O conhecemos. Simples assim. Oração intercessória, contemplativa, de adoração, de súplica, de qualquer tipo... melhor, de todos os tipos, nos fazem compreender (juntamente com a Palavra de Deus) o caráter e a personalidade do nosso Deus.
Finalmente, em quarto lugar, a oração deve ser gerada em mutualidade com o próximo. Fazer aos outros como desejo que seja feito a mim, neste contexto, certamente significa termos uma rede de intercessão mútua. Em cada grupo cristão que você pertencer: família, células, discipulado, igreja; sempre criarmos uma teia de proteção e suprimento espiritual de mim para os outros e dos outros para mim.
Em resumo, a questão é simples... sem oração, veremos em breve a estagnação e a completa ausência de poder espiritual. O que pedirmos nos será negado, o que buscarmos não encontraremos e as portas nas quais batermos, continuarão fechadas. Tudo o que acontece no mundo natural, primeiro se torna realidade no mundo espiritual. Ora, se tudo é espiritual, sermos “pegos” em meio ao fogo cruzado, sem poder algum, sem munição espiritual, não deve ser muito bom... não é mesmo?
Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho,pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.” Efésios 6.18-20
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 06/05/07

Nadando contra a correnteza (15)

Chegamos finalmente ao último capítulo do sermão do Monte, o capítulo 7, onde Jesus começa ensinando algo extremamente importante quanto às relações humanas. Certamente o será para a convivência em nossos lares e em nossa igreja.

O Julgamento ao Próximo
1 “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2 Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.3 “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? 4 Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?5 Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.6 “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.

O capítulo 7 começa com mais uma acusação contra a falsa justiça dos Fariseus: o julgamento das pessoas. Eles estavam julgando a Jesus e achando-o inadequado para o “papel”de Messias. Ele não estava oferecendo o tipo de reino que eles esperavam nem estava buscando o tipo de “justiça” que eles tinham para oferecer. Então, era mais fácil apenas rejeitá-lO. Jesus, por outro lado, os avisava sobre o julgamento hipócrita.
Este texto não ensina que nunca se pode julgar, de maneira alguma, é preciso compreender todo o contexto. Na verdade, Jesus também disse, “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (João 7.24). Portanto, a explicação é outra, e esta no restante do texto.
O texto fala sobre “tirar o cisco do olho do seu irmão”, se julgamento fosse totalmente proibido, o versículo 5 não existiria. Assim, o que o Senhor está ensinado não é na verdade sobre nunca julgar, mas, sim, sobre julgar antes de fazer um auto-exame. Nunca devemos ser habitualmente julgativos e crítivos quanto ao que está na vida de outrem, quando aquela área ainda não está sobre tratamento em nossa. Apesar de julgamento ser algumas vezes necessário, aquele que o estiver fazendo precisa estar seguro de sua situação.
Entretanto, um última precaução deve ser tomada. Quando alguém estiver buscando ajudar outrem, ele deve ter cuidado quanto à recepção de sua atitude. Isso se faz examinando o que se deve falar e se é benéfico e apreciável pela parte confrontada. Portanto, não devemos jogar coisas sagradas a pessoas não-santificadas (“cães”) e “pérolas aos porcos”. É bem seguro dizer que o princípio implícito aqui é em relação àqueles que não desejam obedecer à verdade, tal como os Fariseus e mesmo os Gentios, contudo, certamente, podemos extrair um princípio secundário sobre os nossos irmãos e irmãs em Cristo. Muitas vezes apenas não é o momento correto, ou, outras vezes, nós ainda não possuímos o tato para a abordagem necessária. Boa intenção não basta, precisamos ser sensíveis ao momento que a pessoa está passando. Caso contrário, poderemos ser usados pelo Inimigo para endurecer ainda mais o coração que deveria ser tratado e a alma que deveria ser curada.
Paulo nos alerta sobre o cuidado com nossas palavras: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.” (Ef 4.29). Queridos, relacionamentos são um grande alvo do Diabo. Porém, quando nos deixamos ser usados e instruídos por Deus e quando agimos por amor não por orgulho ou vaidade, o Senhor pode nos usar poderosamente e desmascarar todo o engano do inferno.
Assim, somos colocados diante de uma situação complicada. Devemos nos dispor a tirar noss irmão do erro. E isso, ao olhos do mundo, é uma posição de superioridade. Porém, devemos ao mesmo tempo, fazer isso como quem serve ao outro e, ainda, considerando-o superior a nós mesmos!!! (Fp 2.3) Isso, igreja, é a maturidade dos filhos de Deus que o Senhor espera ver em nós.
Então? Vamos começar a praticar? O começo é uma vida sem pendências com o Senhor. Não uma vida perfeita, mas uma vida tratada e em tratamento constante. Um coração arrependido e em arrependimento. Assim, discernimento, entendimento e sabedoria virão do Senhor, além da sua graça para falarmos apenas aquilo que edifica aos meus irmão de sangue, sangue do Senhor!
Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.” Tiago 4.17
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 29/04/07

Nadando contra a correnteza (14)

Pra você que chegou agora ou se perdeu em nossa jornada, estamos há vários domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 6, encontraremos a Jesus após ensinar sobre prioridades, ensinando que quando elas estão corretas, temos menos preocupações em nossa vida.

As Preocupações da Vida
25 “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? 26 Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? 27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?28 “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. 29 Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. 30 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? 31 Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ 32 Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. 33 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.34 Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.

Se uma pessoa está ocupada com as coisas de Deus, o verdadeiro Mestre, como irá cuidar de suas necessidades da vida, tais como comida, roupas e abrigo? Os Fariseus em busca de coisas materiais nunca aprenderam a viver pela fé. Jesus diz a eles e a nós para não nos preocuparmos com essas coisas, pois a vida é mais importante do que coisas materiais. Ele cita diversas ilustrações para provar esse argumento. As aves do céus são alimentadas pelo Pai Celestial e os lírios do campo crescem de uma maneira a serem mais esplendorosos do que o próprio Salomão.
Jesus estava dizendo que Deus havia embutido em sua criação todos os meios pelos quais todas as coisas são cuidadas. As aves são alimentadas porque elas trabalham diligentemente para manter as suas vidas. Elas não estocam grandes quantidades de comida, mas trabalham continuamente. E nós, Seus filhos, somos muito mais valiosos do que as aves! Os lírios crescem diariamente através de um processo natural. Assim, ninguém precisa ficar ansioso pela sua existência, pois a preocupação nunca acrescentará uma hora que seja à duração de sua vida. Ao invés de sermos como os descrentes que se preocupam com coisas materiais e suas necessidades físicas, os discípulos do Senhor deveriam estar ocupados com as coisas do Reino, as coisas do seu Senhor.
O texto anterior que fala quanto aos tesouros no céus e este aqui são, na verdade, duas metades de um só texto. Tudo é a respeito das prioridades e suas conseqüências. Nós, cristão, somos chamados a enxergar que o tempo está terminando em dois sentidos. Primeiro, porque o relógio regressivo da duraçõa da nossa vida é oculto a nós. Não sabemos quanto tempo viveremos. Minha avó já passou dos 80 anos, mas tenho certeza que se perguntassem, ela diria que não achava que chegaria a tanto. A verdade é que pra morrer, conforme dizem, basta estar vivos. E segundo, porque também não conhecemos o relógio regressivo para a volta de Jesus. Pode acontecer antes de você terminar este texto! De uma maneira ou outra, tudo que priorizamos em nossa vida material não compartilhará da eternidade conosco! Tudo ficará! E quanto tempo e energia Satanás rouba de nós quando nos concentramos em uma visão tão mediocre da vida correndo atrás apenas do que comer, vestir ou nos abrigar! Isto, ao invés de viver pelá fé.
Vivendo pela fé, compreendemos que todas nossas necessidades serão supridas pelo Senhor, mesmo que não possamos muitas vezes enxergar como. Não é à toa que “não se preocupem” ocorre três vezes neste trecho. O Senhor Jesus conhece, meu amado, a nossa luta em tirar os olhos das ondas e ventos que ameaçam nossas vidas e famílias, e de confiarmos nEle totalmente.
Porém, cuidado! Quando não confiamos, usamos de recursos que não são nossos de verdade. Usamos do tempo de Deus, do dinheiro de Deus, usamos nossa vontade ,e assim por diante. O resultado? Frustração por não experimentar o livramento do Senhor e o Seu poder em suprir nossas necessidades. Feche hoje mesmo as brechas em sua vida e experimente a liberdade da vontade de Deus.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 22/04/07

Nadando contra a correnteza (13)

Pra você que chegou agora ou se perdeu em nossa jornada, estamos há vários domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 6, encontraremos a Jesus e seu ensino sobre prioridades.

Os Tesouros no Céu
19 “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. 20 Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.22 “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. 23 Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!24 “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.

A forma como alguém encara as coisas materiais é um bom “termômetro” de retidão. No qual, novamente, os Fariseus são reprovados. Eles acreditavam que o Senhor abençoava materialmente aos que Ele amava. Assim, seus focos estavam voltados constantemente a construir riquezas para si. E, certamente, era uma preocupação pastoral de Jesus de que esse comportamento não fosse tomado como um exemplo para o povo que ouvia este ensino.
Contudo, algo interessante é que este povo é quase totalmente formado de pessoas pobres, sem quase nada para se apegar. Por que, então a preocupação de Jesus? A razão óbvia é que o Senhor sabe que todo ser humano é atraído pelo sucesso, riqueza e conforto. Ou será que você conhece muitas pessoas que andam por aí distribuindo sua renda ou mesmo recusando um aumento salarial do seu patrão??? Claro que não. Se isso acontece, são excessões ao comportamento natural do ser humano, isto é, querer mais, sempre mais!
Isso explica o fascínio que muitos têm pela vida das celebridades. Você já percebeu quantas revistas mostrando a intimidade dos “ídolos” e suas casas, carros e casamentos? A maioria deseja o lugar destas pessoas.
Quando não somos assim, infelizmente ainda estamos em um nível perigoso, onde nossas decisões ainda são guiadas pelo material e não pelo espiritual.
Conta-se que foi oferecido a um presidiário duas opções. Ele poderia ganhar 100 reais por cada dia de sua sentença de 20 anos, porém, o dinheiro só poderia ser gasto ali dentro da prisão. Todas as facilidades de compra lhe seriam dadas para usufruir do dinheiro, mas, nenhum centavo sairia com ele quando fosse liberto. A outra opção era ganhar apenas 10 reais por dia em sua prisão, e só poderia usufruir daquele dinheiro após a sua libertação, dali a 20 anos. O que você acha que ele escolheu? O que você escolheria? A maioria das pessoas seguiriam o pensamento “melhor um pássaro na mão do que dois voando”, e ficariam com a primeira opção.
Meu irmão, minha irmã, eu e você estamos na mesma situação, metaforicamente falando. O Senhor está nos perguntando o que preferimos, ser ricos aqui, ou na eternidade? Perseguimos o sucesso material durante os poucos anos de nossa vida, ou trabalhar aqui para termos sucesso e riquezas na eternidade? Aquilo que conquistarmos aqui, não será possível usufruirmos delas na eternidade.
Queridos, façamos uma auto-análise hoje diante do que diz a Palavra de Deus. Quantas vezes temos mais desculpas do que soluções par apresentar ao Senhor? Quantos cristão estão com seus dons e talentos “enterrados” sem utilização para glorificar ao Senhor?
Quantas vezes nosso tempo e disposição para o trabalho são quase inesgotáveis, mas para a obra do Senhor e para glorificar àquele que se deu por nós, só temos falta de ambos?
Uma das mentiras que o Diabo tem lançado é nossa obrigação para com nossos filhos. É a idéia falsa que é mais importante sacrificarmos nosso tempo com o Senhor e na realização de Sua vontade do que deixarmos de cuidar das coisas deste mundo. Isso, quando sabemos que a maior herança humana que podemos deixar para os nossos filhos somos nós mesmos, nosso tempo e atenção. Isso, quando sabemos (ou deveríamos saber) que a maior herança eternal que podemos deixar para os nossos filhos é o conhecimento do Senhor e apontar o caminho da salvação para eles.
Onde está o nosso coração? Onde estão nossas prioridades? Onde está o nosso tesouro? Para onde nossos olhos são atraídos?
O Senhor deseja a resposta dessa auto-análise hoje, de mim e de você. Olhe para a sua agenda? Quais têm sido as suas decisões para com o estudo da Palavra, para com a oração, para com o evangelismo? Onde está o centro da sua vida? Bem, ali você encontrará também o seu coração.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 15/04/07

Nadando contra a correnteza (12)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. Desta vez, este orgulho é conhecido através da forma de se conduzirem durante o jejum.

O Jejum
16 “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.17 Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto,18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.

O jejum era o terceiro exemplo da “retidão” farisaica. Os Fariseus amavam poder jejuar para serem notados pelas pessoas e que estas os olhassem como muito “espirituais”. O jejum enfatiza a mortificação da carne, porém, o Fariseus glorificavam a carne ao atrair a atenção para eles mesmos. O Senhor, por outro lado, enfatiza que tais atos de contrição deveriam ser feitos para Deus, “em secreto”. Ninguém deveria seguir o exemplo dos Fariseus de recusar óleo sobre a sua cabeça. Esta seria a tradução literal do lavar o rosto. o óleo aqui traz uma conotação de alegria e desviaria a atenção das pessoas. Afinal, contrição e dor são mais observáveis como sinais de espiritualidade do que festa e alegria.
O jejum é algo praticado por inúmeras religiões como forma de se aproximar da divindade. A compreensão de que a carne é má não é completa, na verdade, é limitada e primitiva do ponto de vista religioso. Igualmente errada é a idéia de merecimento através do sofrimento. Nada disso se sustenta biblicamente. O jejum bíblico tem como motivação levar-nos a uma predisposição mental para as coisas relativas ao nosso vínculo espiritual com o nosso Deus. Um Deus pessoal, mas que é tornado impessoal pelas coisas materiais ao nosso redor.
O tempo do jejum é uma questão muito mais pessoal do que técnica. Porém, como disse Davi, “Não oferecerei ao SENHOR, o meu Deus, holocaustos (ofertas) que não me custem nada”. Desta forma, o Jejum deve respeitar nossos limites físicos, porém, sem trapaça. Pode-se começar com um jejum parcial cobrindo apenas algumas horas do dia. Porém, isso deve ser estendido quando percebermos que não significa nenhum esforço pessoal.
O jejum também pode ou não ter um propósito prático além da consagração pessoal. Buscar uma resposta da parte de Deus ou alcançar um vitória na vida podem ser reforçadas pelo jejum acompanhando a oração. Mas, sempre tendo em mente, não se trata de uma troca, de uma barganha com Deus. De maneira alguma.
De qualquer maneira, jejuar pelo menos uma vez por mês é algo que deve fazer parte de nossas vidas. Sempre tendo o Senhor como centro e não nós.
Nos três exemplos da “retidão” dos Fariseus - oferta (v.1-4), oração (5-15) e jejum (16-18) - Jesus usa hipócritas (v. 2, 5, 16), ostentação pública (v. 1, 2, 5 e 16), receber sua recompensa diante dos homens (v. 2, 5 e 16), agir em secreto (v. 4, 6 e 18), e ser recompensado pelo Pai que vê em secreto (v. 4, 6, 8 e 18). Obviamente, isso não é uma coincidência; o Senhor estava querendo nos ensinar algo com muita ênfase.
Será que aprendemos? Será que isso é apenas nestas três áreas?
Quantas vezes vemos tanta vaidade por causa dos dons que recebemos ou dos talentos que temos? Quanto orgulho porque “nós temos a interpretação bíblica correta”? Sem mencionar as vezes que nos comparamos uns aos outros ou valorizamos mais ao que demonstram uma espiritualidade exterior que tanto nos atrai.
Creio firmemente que apenas a eternidade vai revelar o nome de homens e mulheres de Deus que serão grandemente recompensadas porque fizeram “em secreto”, apenas para o Senhor. Enquanto que os holofotes se apagarão de sobre aqueles que já receberam a sua recompensa das mãos e olhares dos homens.
Quanto a nós, o que faremos diante deste ensino de Jesus? Quero sugerir uma resposta prática e mensurável... vamos jejuar. Simples assim. Quero desafiar você a ESTA SEMANA separar diante do Senhor um tempo de jejum e oração. Se precisar, busque ajuda e orientação, mas não deixe que a falta de informação se torne uma desculpa para não obedecer à Palavra de Deus. Creia, a recompensa é garantida.
Então os discípulos de João vieram perguntar-lhe: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?” Jesus respondeu: “Como podem os convidados do noivo ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão. (Mateus 9.14-15)
Até que o noivo volte, nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 08/04/07

Nadando contra a correnteza (11)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. O Senhor aproveita e inicia seu ensino sobre a prática de oração que agrada ao Pai.

A Oração
5 “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 9 Vocês, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas.

Logo quando nos convertemos, sentimos certo receio de orar publicamente tendo como maior preocupação o que vamos falar. Será que usaremos as palavras certas, será que usaremos as expressões corretas. Quando ouço pessoas orando assim que se convertem, posso perceber que mesmo esta inquietação não impede a sinceridade das palavras.
Contudo, o problema central apontado por Jesus é na verdade a sua atitude. Em primeiro lugar, direcione para o Senhor as suas palavras. Nunca devemos nos importar em quem está ao nosso redor, nem por reconhecimento, nem mesmo para “mandar recados”. Em segundo lugar, creia que a fonte de poder da oração está também no Senhor e não em nossas palavras. Portanto, não adianta repeti-las como um mantra ou como um encantamento. Constância na oração não é isso, mas, antes, é a perseverância de nossa fé num Deus que “sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem”.
Após apontar a correção da atitude deles, Jesus dá aquela que seria conhecida como a “Oração do Senhor” ou “Pai Nosso”, mas que seria melhor ser conhecida como a “Oração dos Discípulos”. Como modelo, seria assim...
Ela começa com adoração. E chamando-O de “Pai” apontamos a nossa intimidade com Ele. Não é uma adoração religiosa, mas, sim, de quem é chegado ao trono da Graça, mas que mesmo assim é reverente para com Deus!
Segue-se a confiança nas promessas de Deus, “venha o Teu Reino”; o Senhor irá cumprir as suas alianças e as suas promessas. Oramos para um Deus fiel. Essa confiança também é expressada em pedirmos por nossas necessidades, o que demonstra nossa dependência do Pai. “De cada dia” (gr. epiousion, usado apenas aqui em todo N.T.), siginifica “o suficiente para hoje”! Exatamente no mesmo espírito em que o Maná foi dado, o Senhor espera de nós esta dependência apenas pelo dia de hoje, até que amanhã chegue.
A questão do perdão e da confissão de pecados pode ser a mais difícil na oração. Não apenas devido ao exercício de humildade e humilhação de reconhecer e se arrepender de nossos pecados, mas, porque este precisa ser precedido do exercício de restituição àqueles para com quem temos falhado! Apesar do perdão dos pecados não ser baseado no nosso perdão para outros e sim em nosso arrependimento genuíno, a recusa em perdoar aponta uma falha em nosso caráter a qual é dada muita importância pelo Senhor (v.14-15).
Uma vida sem pendências é de grande ajuda na batalha espiritual. Flertar com pecado e pedir libertação do mesmo é no mínimo contraditório. A doração final termina como o outro pão em um sanduíche de uma oração bem feita, e, mas importante, aceita pelo Pai.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 01/04/07

Nadando contra a correnteza (10)

Enquanto chegamos ao nosso décimo domingo, entramos no capítulo 6 de Mateus. Aqui Jesus aponta um problema clássico, a auto-glorificação.

A Ajuda aos Necessitados
1 “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.2 “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.3 Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.

A partir deste ponto, o Senhor deixa de examinar os ensinos dos Fariseus e passa a examinar a hipocrisia das obras deles.
Jesus primeiro fala das ofertas dos Fariseus. Justiça não é uma questão primordialmente entre uma pessoas e os outros, antes entre a pessoa e Deus. Portanto, seus atos não deveriam ser demonstrados diante das pessoas porque assim a sua recompensa viria dessas pessoas (v.1-2). Os Fariseus faziam um grande “show” quando iam ofertar para os pobres ,tanto nas sinagogas quanto nas ruas, achando que assim estariam provando o quão justos eles seriam. Mas, em resposta a isso, o Senhor ensina que quando esti ver dando nem mesmo a sua mão esquerda saiba o que está fazendo a direita, ou seja, deveria ser algo tão secreto, tão interior, tão voltado para Deus que o ofertante mesmo esquece o que ofertou!
Desta maneira, ele demonstraria verdadeira justiça diante de Deus e não diante dos homens, e assim, ser recompensado por Deus. Não é possível alguém receber a recompensa dos homens e de Deus ao mesmo tempo. Principalmente o recebimento da primeira cancela a possibilidade da segunda.
Alguns questionamentos a mais podemos fazer diante deste texto.
Reafirmamos tanto o valor insubstitutível da graça na salvação que esquecemos o papel das obras na santificação! O próprio texto chama de “obras de justiça”, ou seja, tudo que nos fazemos que pertence à justiça que recebemos ao aceitar a Jesus como Senhor e Salvador. Uma coisa não pode andar sem a outra. Sim, somos salvos pela graça, mas as obras são a moldura da linda pintura que a graça fez em nossas vidas.
Amados, nunca aceitemos a mesmice e a omissão da proposta de vida religiosa. Nunca aceitemos que estar na igreja é apenas o que o Senhor espera de nós. De jeito nenhum!
Precisamos então compreender o desafio total deste texto, isto é, fazermos aquilo que o Senhor deseja, porém sem nenhum sinal de auto-promoção ou auto-justiça. Como dizia o compositor sacro quando exaltavam as suas maravilhosas sinfonias e óperas, Soli Deo Gloria, “Apena a Deus a glória”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07