sábado, 19 de julho de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 13)



Caminhando no Salmo 119
Mem (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
97 Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro.
98 Os teus mandamentos me tornam mais sábio que os meus inimigos, porquanto estão sempre comigo.
99 Tenho mais discernimento que todos os meus mestres, pois medito nos teus testemunhos.
100 Tenho mais entendimento que os anciãos, pois obedeço aos teus preceitos.
101 Afasto os pés de todo caminho mau para obedecer à tua palavra.
102 Não me afasto das tuas ordenanças, pois tu mesmo me ensinas.
103 Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para a minha boca!
104 Ganho entendimento por meio dos teus preceitos; por isso odeio todo caminho de falsidade.
 Eu sei que usamos o verbo amar para coisas que gostamos, admiramos, com as quais nos entusiasmamos, e que realmente amamos. Uma palavra flexível, e usada para diversas coisas e pessoas. Porém, não há dúvida de que o salmista a usa (v.97) no sentido de amar mesmo as Escrituras, uma vez que ele medita nelas “o dia inteiro”. É óbvio que ele não passa o dia inteiro com a “cara enfiada” no santo livro. Mas, durante o seu dia ele “rumina”, ele traz de volta à sua lembrança o texto do seu devocional, da mensagem de domingo, daquele livro ou artigo cristão que ele estava lendo. Ou seja, ele interaja o seu dia e sua rotina com as verdades das Escrituras.
O resultado (v.98) é sabedoria para a vida e para vencer os desafios (inimigos). Em lugar de usar sua esperteza e sabedoria carnais, é preferível usar aquela que vem do alto (Tg 3.17). Igualmente, o meditar na Palavra de Deus o faz ultrapassar aqueles que foram um dia referência para ele, seus mestres (v.99). Tal como aconteceu com Paulo, em áreas específicas podemos crescer enquanto aqueles que vieram antes de nós ficam, por assim dizer, para trás. Não que seja uma competição, pois em outras áreas é muito provável que os lugares se invertam. Mas, não para com os nossos inimigos e mestres. O crescimento na sabedoria que vem da Palavra pode nos capacitar a ultrapassar mesmos aqueles que possuem mais experiência de vida do que nós: os anciãos (v.100). Claramente, isso não muda o respeito que “as cãs”, os cabelos brancos, merecem. Mas, é um sinal de que mesmo um jovem pode ser exemplo para os adultos se o seu coração for tomado pela Palavra de Deus e pela Sua sabedoria.
Os resultados práticos dessa sabedoria estão no negativo e no positivo. Primeiro, positivamente (v.101), ela nos ajuda a nos afastar do mau caminho. É realmente ficar longe e não “brincar com o perigo”. E segundo, negativamente, ela nos ensina a nos manter perto dos mandamentos de Deus, renovando e dando manutenção a este crescimento em sabedoria (v.102).
Pode parecer algo árido e seco, mas os ensinamentos da Palavra de Deus e aquilo que ela nos ensina devem nos trazer prazer e deleite (v.103). O mel era a substância mais prazerosa que existia no mundo antigo. Pense em todos os doces, chocolates e tortas que temos hoje; não existiam. Mas, eles tinham o mel! O prazer de comê-lo era menor do que o prazer dos ensinos recebidos do Senhor. Era o prazer que lhe dava entendimento (v.104) e os faziam reconhecer o real e verdadeiro e, por outro lado, o errado e falso.
Esta semana, renove seu prazer na Palavra de Deus.

sábado, 12 de julho de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 12)



Caminhando no Salmo 119
Lâmed (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
89 A tua palavra, Senhor, para sempre está firmada nos céus. 
90 A tua fidelidade é constante por todas as gerações; estabeleceste a terra, que firme subsiste.
91 Conforme as tuas ordens, tudo permanece até hoje, pois tudo está a teu serviço.
92 Se a tua lei não fosse o meu prazer, o sofrimento já me teria destruído.
93 Jamais me esquecerei dos teus preceitos, pois é por meio deles que preservas a minha vida.
94 Salva-me, pois a ti pertenço e busco os teus preceitos!
95 Os ímpios estão à espera para destruir-me, mas eu considero os teus testemunhos.
96 Tenho constatado que toda perfeição tem limite; mas não há limite para o teu mandamento.
Nestes dias, estamos tendo lua cheia. Fiquei pensando em como ela era importante séculos atrás para os navegantes no meio do nada do oceano. Era um ponto de referência dos dias passando; a qual ao lado das estrelas ajudava a nortear o caminho deles. No verso 89, o salmista tem a Palavra como referência de direção em sua vida. Ela está lá em cima, nos céus, para nos orientar sobre o caminho. Eterna e imutável, ela nos transfere sabedoria para a vida.
A constância da Palavra é acompanhada pela constância da fidelidade do Senhor (v.90). Durante nossa história (anterior, atual e posterior), Deus vem sendo completamente fiel e vem mantendo a criação debaixo do Seu poder. Nada muda (v.91) sem que Ele queira e mudam quando assim Deus quer. A Soberania dEle é absoluta. E enquanto mal conseguimos prevenir ou antever o que acontece ao nosso redor, mesmo analisando fatos e ocorrências, o nosso Deus sabe de cada movimento de cada gota de água no mundo, mesmo antes dele acontecer!
Diante disso tudo, da constância da Palavra e da fidelidade de Deus, temos alento diante do sofrimento (v.92). Ora, como o Deus que assim é, poderia perder o controle sobre a nossa vida? Como seria para Ele surpresa ou difícil lidar com qualquer coisa que nos aconteça? E como não estaria debaixo da Sua soberana vontade?  E é na vida mantida pela Palavra de Deus que encontramos nossa preservação diante das curvas acentuadas do caminho (v.93). Quando nos afastamos da Palavra, as dificuldade que já são em si desafios, se tornam monstros e gigantes, pois não sabemos mais como enfrentá-los do jeito de Deus, e acabamos fazendo do nosso jeito. Porém, andando nos preceitos de Deus, podemos contar com Seu socorro (v.94).
Os inimigos continuarão à espreita (v.95), mas não há motivo de medo quando usamos as armas de Deus. Há a capacidade deles, há a nossa; mas, a capacidade de Deus é ilimitada (v.96)! Enquanto nossos inimigos vêm apenas na sua força e enquanto só possuímos a nossa para resistir, em Deus eles encontram um inimigo imbatível e incomparável para com as suas forças. E, nós... encontramos o melhor aliado que poderíamos esperar para esta vida.

sábado, 5 de julho de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 11)



Caminhando no Salmo 119
Caf (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
81 Estou quase desfalecido, aguardando a tua salvação, mas na tua palavra coloquei a minha esperança.
82 Os meus olhos fraquejam de tanto esperar pela tua promessa, e pergunto: Quando me consolarás?
83 Embora eu seja como uma vasilha inútil, não me esqueço dos teus decretos.
84 Até quando o teu servo deverá esperar para que castigues os meus perseguidores?
85 Cavaram uma armadilha contra mim os arrogantes, os que não seguem a tua lei.
86 Todos os teus mandamentos merecem confiança; ajuda-me, pois sou perseguido com mentiras.
87 Quase acabaram com a minha vida na terra, mas não abandonei os teus preceitos.
88 Preserva a minha vida pelo teu amor, e obedecerei aos estatutos que decretaste.

Na décima-primeira parte do Salmo 119, o salmista se encontra em um momento de luta (v.81). Tal qual nós já vivemos, ele também. Porém, na segunda sentença, já surge a expressão de confiança em Deus; e não em si mesmo. Antes ele aguarda no Senhor, e usa a Palavra de Deus como fonte dessa confiança. Não obstante, o salmista é de carne e osso, e a espera é cansativa (v.82). O questionamento em meio à luta não é necessariamente um sinal de incredulidade, mas, antes de humanidade, fragilidade, finitude de nossa parte.
Diante das lutas, ele perde a direção, sua idéia de valor próprio, ele é uma “vasilha inútil” (literalmente, “vasilha de fumaça”). Este momento de desânimo e perda de valor próprio seria o fim, a não ser que continuemos confiando no que o Senhor nos revela em Sua Palavra (v.83).
Outra demonstração de humanidade é a “cobrança” feita a Deus (v.84). A eterna divergência entre o tempo que se pode medir em minutos e segundos e aquele que é a manifestação da vontade de Deus sempre será um desafio quando esperamos pelo Senhor. Especialmente quando precisamos muito da resposta de Deus como é o caso do salmista (v.85). Enquanto ele se mantém firme na Palavra de Deus, seus perseguidores vivem por padrões e princípios mundanos. Tentar viver corretamente enquanto muitos trapaceiam ao nosso redor é um desafio tanto de obediência quanto de dependência do Deus que faz todas as coisas para o nosso bem.
Então, ele renova sua confiança nos mandamentos de Deus (v.86) e pede ajuda ao Autor deles para o proteger dos mentirosos. Nossa arma de guerra e defesa precisa ser o Senhor. Quando usamos armas carnais e humanas, nos igualamos aos que não conhecem a Deus. Mesmo em face da morte (v.87) (algo muito difícil em nosso mundo ocidental), a fidelidade à Palavra é a única escolha para o salmista; e para nós também. Pois quando o livramento chega a nós enquanto vivemos em fidelidade, podemos renovar nosso compromisso de obediência mesmo quando as coisas estão mais tranqüilas (v.88). Isso é a verdadeira fidelidade: na luta, tanto quanto na tranqüilidade.