sábado, 23 de agosto de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 16)



Caminhando no Salmo 119

121 Tenho vivido com justiça e retidão; não me abandones nas mãos dos meus opressores.
122 Garante o bem-estar do teu servo; não permitas que os arrogantes me oprimam.
123 Os meus olhos fraquejam, aguardando a tua salvação e o cumprimento da tua justiça.
124 Trata o teu servo conforme o teu amor leal e ensina-me os teus decretos.
125 Sou teu servo; dá-me discernimento para compreender os teus testemunhos.
126 Já é tempo de agires, Senhor, pois a tua lei está sendo desrespeitada.
127 Eu amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro puro.
128 Por isso considero justos os teus preceitos e odeio todo caminho de falsidade.

O salmista faz um clamor ao Senhor por proteção (v.121) baseado na vida reta que ele leva. Agora, quem vem acompanhando o Salmo 119 desde o começo sabe qual a origem desta vida reta. Isso mesmo: a Palavra de Deus. Obviamente que pela ação do Espírito Santo, mas Ele usa os ensinamentos da Palavra para gerar transformação em nossas vidas. Em contraste ao que anda reto, estão os opressores e os arrogantes (v.122), contra os quais ele pede pelo seu “bem-estar”. O uso de arrogantes (ou soberbos), em um contexto de submissão aos ensinos da Palavra, nos faz concluir que se trata da postura destes em relação aos princípios das Escrituras. Eles se rebelam arrogantemente contra aquilo que Deus estabeleceu.
Enquanto isso, a dependência e a espera por Deus não é um exercício fácil (v.123). Nossa resistência e perseverança muitas vezes parece falhar, mas nos mantemos confiantes na justiça de Deus. A base dessa confiança está no “amor leal” (traduzido, “misericórdia” na ARA) de Deus, no חֶ֫סֶד (Hesed) de Deus: seu amor pactual, ligado à sua imutável natureza (v.124). Pacto, Aliança, Concerto... ligações de Deus com Seu povo, firmadas pelos decretos que o salmista deseja aprender. A Nova Aliança, o Evangelho, é também nossa fonte de segurança dada pelo Deus que não pode mentir.
Debaixo dessa Aliança, somos servos deste bondoso Senhor e queremos entender tudo que diz respeito a Ele (v.125) e a ideia de que aquilo que Ele estabeleceu esteja sendo desrespeitada (v.126) traz descontentamento e certa revolta ao salmista; tal como já ocorreu em outra parte do salmo. Não uma indignação pessoal, mas zelo por causa do Nome do Senhor.
O verso 127 nos leva a compreender que riquezas estavam sendo preferidas em lugar da justiça e da submissão aos preceitos de Deus. Daí a indignação do salmista. O qual, por outro lado, prefere aos mandamentos eternos mais do que a riqueza que perece. E o caminho de justiça trilhado por eles mais do que o caminho da falsidade (v.128), independentemente das vantagens que ele possa trazer.

sábado, 16 de agosto de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 15)



Caminhando no Salmo 119
113 Odeio os que são inconstantes, mas amo a tua lei.
114 Tu és o meu abrigo e o meu escudo; e na tua palavra coloquei minha esperança.
115 Afastem-se de mim os que praticam o mal! Quero obedecer aos mandamentos do meu Deus!
116 Sustenta-me, segundo a tua promessa, e eu viverei; não permitas que se frustrem as minhas esperanças.
117 Ampara-me, e estarei seguro; sempre estarei atento aos teus decretos.
118 Tu rejeitas todos os que se desviam dos teus decretos, pois os seus planos enganosos são inúteis.
119 Tu destróis como refugo todos os ímpios da terra; por isso amo os teus testemunhos.
120 O meu corpo estremece diante de ti; as tuas ordenanças enchem-me de temor.

O verbo usado no início do nosso texto (v.113), pode parecer duro e até “anti-cristão” (a versão atualizada usa, “aborreço”), mas o significado é apenas de ultraje, inconformidade diante de um zelo pelas verdades da Palavra de Deus. Calma, ninguém vai matar ninguém neste versículo. E em contraste a este desprezo para com a Verdade das Escrituras, o salmista coloca Deus como a fonte de toda segurança que ele tem (v.114), e mais especificamente isso vem da esperança oriunda do que está na Palavra. É sempre bom relembrar-nos que a esperança bíblica não é uma possibilidade, mas, sim, uma certeza! Não é como dizermos, “Tenho esperança de rever meus amigos de infância”. Na verdade, a Bíblia nos traz promessas que são garantidas por Aquele que prometeu; e Ele sempre cumpre o que promete.
Muitas vezes, somos afetados pelas pessoas ao nosso redor. Diante disso, o salmista exclama que se afaste dele os desobedientes (v.115), pois ele deseja seguir o caminho da obediência. Claro que não devemos nos isolar totalmente das pessoas; porém, precisamos reconhecer quando alguém não é uma influência correta na nossa vida.
Enquanto as pessoas confiam nas suas capacidades, posses, realizações, o salmista pede que o Senhor o sustente segundo a Sua promessa (v.116) e o ampare, trazendo-lhe segurança (v.117). Quando experimentamos tal firmeza exterior à nossa fraqueza, o resultado é (1) a confiança que será o Senhor que não frustrará a minha confiança e (2) eu seguirei um padrão de foco nos decretos de Deus.
Muitos desejam seguir a Deus “do seu jeito”. Desde 3.000 anos atrás, o salmista já afirma que esses são rejeitados (v.118), e que seus planos são enganosos e inúteis! Ou seja, o contrário da Verdade e da utilidade para a vida que encontramos nas Escrituras. E mesmo que no verso 119, a destruição desses seja atribuída ao Senhor (e realmente está certo), Deus usa os enganos e inutilidades aos quais o ímpio se apega para provocar a destruição deste.
O salmista termina em amor aos testemunhos de Deus e temor (v.120) a eles ao mesmo tempo. Amamos e tememos estes mandamentos porque eles são definitivos na morte e na vida entre os desobedientes e obedientes. O que nos leva a nos pergunta o porquê de tantas vezes nos preferirmos o engano e a inutilidade do pecado e da nossa carne, quando temos tanta sabedoria revelada a nós nas Escrituras. O que você acha?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 14)



Caminhando no Salmo 119
Num (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
105 A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.
106 Prometi sob juramento e o cumprirei: vou obedecer às tuas justas ordenanças.
107 Passei por muito sofrimento; preserva, Senhor, a minha vida, conforme a tua promessa.
108 Aceita, Senhor, a oferta de louvor dos meus lábios, e ensina-me as tuas ordenanças.
109 A minha vida está sempre em perigo, mas não me esqueço da tua lei.
110 Os ímpios prepararam uma armadilha contra mim, mas não me desviei dos teus preceitos.
111 Os teus testemunhos são a minha herança permanente; são a alegria do meu coração.
112 Dispus o meu coração para cumprir os teus decretos até o fim.

O verso 105 é provavelmente um dos poucos versículos do Salmo 119 que muita gente conhece. E quão poderoso ele é ao comparar a Palavra de Deus com uma luz que expulsa as trevas de diante de nós. Ao lê-lo, podemos imaginar uma trilha escura e desconhecida, mas que vai sendo desvelada à medida que caminhamos por ela com uma fonte qualquer de luz. E quando isso se torna uma realidade, podemos resolutamente decidir obedecer àquilo que podemos enxergar (v.106). Porque, oras, quem discute com o que vê como se não estivesse lá está à beira da loucura!
O salmista chegou a esta conclusão não “pelo amor”, mas, sim, “pela dor” (v.107). Porém, ela o levou a (1) buscar segurança nas promessas de Deus e não em sua autossuficiência em “sair dessa”. E não só isso, mas (2) o levou a um estado de adoração diante da luta (v.108); ação de graças em lugar de murmuração.
Oh, quantas vezes diante das lutas nos esquecemos daquilo que aprendemos na Palavra. Voltamos aos recursos da carne e agimos (quase) como se nem Deus conhecêssemos! Mas, não o salmista (v.109)! Mesmo reconhecendo a luta constante, os princípios da Palavra são também constantes em sua vida. Nossas lutas existem, mas elas pioram muito mais por nossas reações do que por qualquer outra coisa. Quando reagimos bem, com dependência de Deus e gratidão, qualquer problema é enfraquecido em seu alcance.
E é isso que o salmista ilustra a seguir (v.110) descrevendo sua firmeza nos princípios da Palavra, mesmo em meio à armadilhas contra a sua vida. Quer permanecer na tempestade? Uma vida fundamentada em princípios eternos é a resposta.
E mesmo em meio a isso, existe a realidade de vivermos em alegria (v.111). Isso porque não esperamos nas bênçãos, mas nas coisas eternas, na herança eterna. Viver para a eternidade, mesmos ainda aqui, nos liberta da opressão das coisas e circunstâncias. E, nisso, precisamos saber que não basta começar bem, precisamos também terminar bem (v.112).