quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (17)

Em dois artigos mais, terminaremos nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos um dos textos mais famosos do mundo e suas implicações para nossa vida prática.

A Porta Estreita e a Porta Larga

13 “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. 14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.

Eu já ouvi muito um ditado que as pessoas dizem quando lhes é oferecido alguma coisa amarga ou azeda, “de amarga (ou azeda) basta a vida!”. Mesmo não concordando, compreendo que a maioria das pessoas gostariam de uma vida sem problemas, sem lutas e dificuldades e com o máximo de tranqüilidade possível. Em resumo, ninguém quer sofrimento, pelo menos não as pessoas mais normais.
Se aproximando do final do Seu sermão, Jesus toma o tempo para dizer que sabe que as coisas que ensinou não são fáceis, são todas “caminhos estreitos”. Reveja os capítulos 5, 6 e 7 e você verá a lista de coisas difíceis, e, às vezes, muito difíceis de serem praticadas. É como se o Senhor estivesse dizendo “se fosse fácil, não seria mérito algum”, por isso, é um caminho estreito e apertado.
Muitos crêem que este caminho estreito significa apenas o contrário de largo. Ou seja, um tem vários metros e o outro tem uns 3 ou 5 metros. Eu creio que é mais do que isso. Ele é escarpado, irregular, cheio de espinhos e cantos perigosos, enfim, um terror da engenharia natural! Para passarmos por um caminho assim, precisamos de perícia, preparo, ajuda de outros e ferramentas. Não é tarefa para desistidores! E ainda por cima, com tão pouco espaço, muitas vezes estaremos sozinhos!
Que contraste o caminho largo! Este sim, oferece a “vida que se pediu a Deus!” É amplo, reto, sem buracos, cheio de “ amigos” e facilidades. Lá você não precisa lutar segundo as regras e nem muito menos nadar contra a correnteza. É só deixar a vida te levar! Tudo é mais fácil e você pode ser o centro de tudo.
Se é verdade que a viagem, ou seja, o percurso, é tão importante quanto o destino, então, o caminho largo ganha com folga. Afinal, quem gostaria de uma viagem difícil e acidentada, em lugar de uma confortável e com uma bela vista? Ninguém, é claro. Porém, a viagem é importante, mas não se ignorarmos o destino. O que neste caso é absolutamente fundamental: perdição ou vida!
Jesus oferece na conclusão dos caminhos um tremendo contraste. Se escolhermos o caminho largo da vida mais fácil e sem obstáculos, já usufruímos aqui todo o benefício que podíamos, pois na chegada restará apenas perdição, e perdição eterna. É claro que para a maioria, este caminho largo não significará dinheiro ou poder, mas ainda assim, significará uma vida voltada ao redor do “eu”; porque vencê-lo é o que torna o caminho da nossa vida em um caminho estreito.
Por outro lado, se escolhermos o caminho estreito e mais difícil, ele nos levará à vida, e vida eterna! E a lógica funciona ao contrário. Após termos aberto mão de direitos e de prazeres, receberemos o melhor de Deus para nós. Por isso, Paulo nos diz em Filipenses 1.29, “pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele”. A máxima irá sempre funcionar: quanto mais abrirmos mão segundo o mandato do Senhor, mais receberemos depois.
A questão dos dois caminhos passa pelo dilema do imediatismo. Agora ou depois? A Palavra de Deus é recheada de ensinamentos dizendo que devemos esperar, confiar, aguardar, repousar, e etc. Mas, como? No mundo do calmante e do stress, como podemos apenas orar e não fazer nada? Além disso, o mundo cobra sucesso e independência. Como vou encaixar na minha vida a conformidade ao propósito de Deus e a dependência de Sua vontade? Como? Impossível.
Muito pelo contrário, é perfeitamente possível! Quando usamos armas espirituais e confiamos em Deus. Vamos logo tomar o Senhor Jesus como exemplo. Ele poderia simplesmente ter tomado o caminho largo e se libertado de Seus opressores. Poderia usar do Seu poder infinito e exterminar os Seus opositores. Ficaria muito mais fácil apenas com pessoas que concordassem com o que Ele tinha a dizer, não é mesmo? Porém, no mesmo contexto em que Paulo trata o sofrer por Ele como um privilégio, Paulo nos ensina sobre os sacrifícios realizados por Jesus, por amor a nós, até ao ponto de ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8)! E como Ele conseguiu? Da mesma maneira que nós podemos. Aprendendo passo a passo os ensinamentos do caminho estreito, e amadurecendo a medida que o caminho vai se tornando mais difícil e os desafios mais tenazes! Assim mesmo aconteceu com o Senhor Jesus, “Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,” (Hb 5.8-9). A pessoa que entra no caminho estreito nunca será a mesma pessoa que sai dele no final; sempre será uma pessoa mais semelhante ao Senhor Jesus... ainda bem!
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 13/05/07

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