sábado, 26 de abril de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 1)



Caminhando no Salmo 119
Álef (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
1 Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor!

2 Como são felizes os que obedecem aos seus estatutos e de todo o coração o buscam!

3 Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor.

4 Tu mesmo ordenaste os teus preceitos para que sejam fielmente obedecidos.

5 Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos.

6 Então não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos.

7 Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças.

8 Obedecerei aos teus decretos; nunca me abandones.

Felicidade é costumeiramente ligada a realizações, e realizações humanas: concluir um curso, conseguir um emprego, conseguir uma promoção, ter um filho, vencer uma doença.
E apesar do valor que essas coisas tem e como elas realmente produzem certa satisfação, todas elas são passageiras. Eventualmente, a emoção e o deslumbramento com a conquista passam, deixando no lugar uma boa lembrança apenas.
Para o salmista, a felicidade real e permanente está ligada à obediência à Palavra de Deus, a observar seus princípios e orientações (v.1).  E fazer isso, sinceramente, comprometidamente (v.2). Um compromisso que afeta cada esfera e pedaço da nossa vida. Que nos leva a viver em uma “contra-cultura” e fora do padrão estabelecido neste mundo. Sendo o resultado lógico, uma vida longe daquilo que Deus classifica como “mal” (v.3).
O salmista, então, observa que tal estilo de vida não é algo opcional, antes, é uma ordem do Senhor para todo aquele que se identifica como andando com o Senhor (v.4). Fidelidade é esperada de nós!
Mas, (sempre parece haver um “mas”) ele também reconhece sua (e nossa) luta: “quem dera...”; esta é a expressão de frustração interior ao perceber nossa luta para nos manter nos caminho do Senhor (v.5). Então, olhamos para o nosso proceder, nossas escolhas e pensamentos e percebemos a distância do padrão de obediência esperado por Deus (v.6)
Jesus, como nosso Sumo-sacerdote (Hb 4.15), compreende tudo que passamos. Ou seja, o salmista, eu e você não estamos diante de um Deus impassível à nossa luta; antes, Ele nos compreende.
Finalmente, ele coloca que seu compromisso e alvo é não se conformar às suas inconsistências e lutas, mas, sim, continuar buscando a obediência que o permitirá louvar com a sinceridade (coerência de vida) que o Senhor é digno (v.7), confiando que o Senhor estará sempre ao seu lado (v.8; cf. Is 66.2).

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma oração...

(vc pode encontrar este texto nas Notas em minha página no Facebook.
❝Não quero a felicidade na vitória; o mais ateus dos homens a pode experimentar!
Não quero a paz na tranquilidade na vida; o mais religioso dos homens pode tê-la!
Não quero o amor aos que merecem; o mais egoísta dos homens pode amar assim!
Não quero uma vida realizada em seus próprios sonhos e planos; o mais egocêntrico dos homens pode assim ser.
Não...
Quero a felicidade que prevalece diante da derrota, até mesmo da maior delas: a morte!
E quero a paz que permanece diante das piores notícias, tendo apenas a esperança da glória para mantê-la.
E quero o amor que ama sem retorno, sem condições, sem sentido.
E quero a realização de ver nada dos meus auto-centrados sonhos se realizarem, mas poder dizer 'não a minha vontade, mas a Tua!
Ver no meu pecado, a Tua graça; nas minhas trevas, a Tua luz; na minha finitude, a Tua capacidade; na minha morte, a Tua vida!❞

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O pensamento de Bret Harte

"O deus capaz de por um câncer num crente, certamente não se comoverá com orações." Bret Harte, poeta e autor, citado em www.ateusdobrasil.com.br/frases
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“Ninguém” precisa de Deus... até que precise. O ser humano é inatamente imbuído de um defeito: orgulho, auto-suficiência ou independência. Somos assim quando crianças, de braços estendidos, pedindo ajuda, movidos pela insegurança das nossas titubeantes pernas. Até que nos firmemos um pouco mais e comecemos a resistir em segurar a mão paterna ou materna que “teima” em nos ajudar.
Bonitinho (alguns achariam) quando é um bebezinho, mas trágico quando ele é apenas uma metáfora de nós adultos evoluídos, intelectuais e pensadores.
Esta face altiva é um grande obstáculo para uma compreensão da pessoa e verdade de Deus. Como olhar para o alto se já “estou” no alto? Claro que nenhum de nós, muito menos Bret Harte, admitiríamos estar assim posicionados. Mas, nosso “eu”, pelo menos, seria mais sincero.
Existe sempre, é claro, a possibilidade de alguém não crer em algo que não conhece, ou seja, ignorância dos intelectuais por não saberem o que a Palavra de Deus ensina sobre Ele e as verdades da vida. Muitas vezes apenas porque a oportunidade não lhes foi estendida, coisa difícil de conceber no século XXI, especialmente no ocidente, mas... podemos dar o benefício da dúvida. Porém, muitas vezes, quando o ensino foi oferecido, não foi acolhido. Afinal, a Palavra de Deus é morta. Calma, não me converti ao pensamento de Bret Harte. Ela é morta até que caia em solo fértil (Mateus 13.3, 8). Ou se você permitir, ela é inerte. Assim, descrédito “pós-moderno” aos absolutos da Palavra de Deus leva o indivíduo a posturas de completa incredulidade e auto-suficiência. E muito disso pode vir como reflexo de experiências negativas de sua infância ou mesmo depois. Quantos não ficaram traumatizados por pais, mães ou padres em orfanatos e internatos? Aqueles que deveriam ser espelho do amor e interesse que o Deus deles supostamente tinha, converteram-se em argumento para descrer de tudo isso.
Existem alguns problemas com o pensamento de Bret Harte. Em primeiro lugar, ele parte da idéia que Deus criou tudo, inclusive o bem e o mal. Na verdade, isto é a Verdade: “Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas”. (Isaías 45.7). Porém, Ele não está diretamente ligado a cada crime, mentira, doença, enfim, todas as mazelas da humanidade. Ter sido o criador da possibilidade do mal não torna Deus responsável. O homem é responsável por suas escolhas. Afinal, eis aí o peso do livre-arbítrio; outra invenção de Deus! E é do interior do próprio homem com livre-arbítrio que vem estas mazelas: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?” (Tiago 4.1), “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jeremias 17.9). Mas por que criar esta possibilidade? Ora, livre-arbítrio sem opção de escolha é um engano e a negação da verdade. Uma impossibilidade, mesmo para um Deus onipotente.
Em segundo lugar, Harte entende Deus como um sádico, como alguém distante, como um ser inalcançável. Afinal, apenas este retrato mostraria alguém que não responde ao clamor que Ele mesmo incita e estimula em suas criaturas. Um Deus que não se compadece, mas que tem prazer no sofrimento como um delinqüente infantil com uma lupa sobre um formigueiro. A Palavra de Deus nos afirma outra realidade: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: ‘Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito’.” (Isaías 57.15). Enquanto viveu entre nós, o Deus-Filho sentiu profunda dor pela morte do seu amigo, a quem, detalhe importante, ressuscitaria em minutos. Dor retratada no menor versículo das Escrituras, “Jesus chorou.” (João 11.35). Ou seja, Deus é o Deus da criação, não da invenção. O inventor se despede da sua invenção e abre mão da posse; o Criador, não! Ele acompanha, nutre, zela, interage, ama, vive pra ela, morre por ela! É uma pena Harte não conhecer esse Criador.
Em terceiro e último lugar, para um ateu, um agnóstico ou, pelo menos, um descrente, Harte dá ao objeto de sua “des-fé” muito crédito. Em apenas uma frase, este ser inexistente adoece a pessoa e ao mesmo tempo não ouvirá as orações por cura!! Nada mal para quem não existe, não? Bem, isso demonstra, na verdade, que voltamos ao orgulho e altivez do ser humano, que nisso, cai na acusação de Paulo quando diz que “os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1.21-22). Torna-se verdade o adágio popular “quem olha apenas para cima, não vê a cova onde cai”.
Concluindo, não é preciso muito pra compreender o mal, as doenças e todas as mazelas. Não é preciso muito para entender e crer na oração. Na verdade, é preciso menos. Menos sabedoria do mundo (melhor ser louco), menos auto-suficiência (melhor depender), menos força própria (melhor ser fraco). Assim, sendo, a vida passará, mas assim passará sem o peso dela mesmo, mas com a leveza da esperança de um Deus que ama e que nos ouve. Um Deus de quem já, assumidamente, precisamos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (19)

Chegamos a nossa última etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Terminando seu longo sermão, hoje veremos Jesus oferecendo um último aviso àqueles que gostam de ouvir a Palavra de Deus, mas, nõa necessariamente, de atendê-la.

O Prudente e o Insensato

24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Para ilustrar nosso texto de hoje, quero lembrar duas situações de nosso mundo moderno. De um lado, vemos muitas vezes pessoas vivendo em áreas de risco, próximas a encostas, por exemplo. Todo ano em minha cidade, testemunhamos pessoa sendo soterradas, perdendo tudo o que tem ou mesmo ente-queridos. Mas, mesmo assim, continuam vivendo em áreas perigosas, mesmo depois de avisadas pelas autoridades. Alguns até dizem não ter pra onde ir. Bem, nenhum lugar pra ir ainda é melhor que o cemitério, não é mesmo. Contudo, não adianta. E assim acontecem as tragédias em tempos de chuva, tal como aquela que ceifou a vida dos quatro filhos de um pedreiro no Rio de Janeiro. Um enorme tristeza.
Por outro lado, os japoneses pararam de lutar contra a natureza e perceberam que precisavam de resursos para manter seus prédios em pé em meio aos constantes terremotos. Hoje em dia, nenhum prédio é erguido no Japão sem que tenha medidas anti-terremotos.
Na última parte desta mensagem de Jesus, Ele aplica a mesma lógica. Como diz o ditado em inglês, “Better be sure than sorry”, “É melhor está seguro do que lamentar”. Ou como dissemos, “Melhor prevenir do que remediar”!
A “casa” é uma óbvia metáfora da nossa vida. E construir a sua casa é o mesmo de estabelecer todas as estruturas e recursos necessários para o seu crescimento. E coisa terrível seria perder TUDO depois ou no processo de completar os objetivos em sua vida.
Os rios transbordantes e ventos retratados por Jesus são as lutas e as surpresas em nossas vidas. Aquelas do dia-a-dia já são muitas vezes desafio o suficiente pra muitos desistirem, porém, outras vezes temos coisas que não esperávamos e tentam nos derrubar completamente. O Senhor nos afirma que nada disso é suficiente quando estamos “na Rocha”, ou seja, quando construímos com cautela e segurança.
Então, temos o último elemento da metáfora: a Rocha. A Bíblia traz várias ocasiões em que o Senhor é identificado como sendo “a Rocha”. “pela mão do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,” (Gn 49.24), “Proclamarei o nome do SENHOR. Louvem a grandeza do nosso Deus! Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é.” (Dt 32.3-4). O Salmista chega a chamá-lO assim três vezes apenas no Salmo 18 (2, 31 e 46): “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus é o meu rochedo, em quem me refugio. Ele é o meu escudo e o podera que me salva,a minha torre alta.Pois quem é Deus além do Senhor? E quem é rocha senão o nosso Deus? O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja Deus, o meu Salvador!
Não havendo sombra de dúvida, resta perguntar: “O que fazer para ter sempre a nossa casa firme na Rocha? Nossa vontade precisa ser colocada em segundo lugar. E para que a vontade dEle seja a nossa, precisamos conhecê-la através da Palavra. Precisa saber o que Ele pensa e deseja... precisamos conviver com o Senhor Deus, com Seu Filho Jesus e com Seu Santo Espírito. As coisas temporárias precisam realmente ser deixadas para trás, e a permanentes e eternas precisam assumir controle da nossa vida.
A contra-cultura do Reino ensinada no sermão da montanha só é possível assim que tomarmos este estilo de vida como o ÚNICO que nos trará real satisfação e realização. Apenas quando o lá e então da eternidade com Deus seja mais real que a própria realidade que vemos diante dos nossos olhos, que, aliás, é passageira e breve. Diferente dAquele que é a nossa Rocha e Refúgio, Eterno socorro, sempre presente na hora da tribulação. Rocha de proteção e libertação. Quem nEle confiar, jamais ficará confundido!
Qual área de sua vida, neste exato momento, você pode largar a posse do controle, e deixar nas mãos dEle? Pense nisso, aja assim.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 27/05/07

Nadando contra a correnteza (18)

Chegamos a nossa penúltima etapa em nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos Jesus demonstrando seu cuidado para com seu rebanho, para conosco.

A Árvore e seu Fruto
15 “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. 16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? 17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18 A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ 23 Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!

Este texto tem sido usado das mais diversas maneiras em nosso meio e fora dele. Alguns ultra-tradicionalistas até o usam para advogar que as igrejas mais recentes são nada mais do que a mais pura expressão de falsidade ensinada neste texto. Especialmente porque eles usam (às vezes, exageradamente) os dons de profecia e línguas para autenticar seu trabalho.
Outros usam este texto para apontar aqueles que não “andam na nossa visão”, excluindo a possibilidade de Deus falar de forma diferente àquela com a qual lhes tem falado.
A verdade é que todo texto bíblico precisa ser examinado primeiro no que significava na época em que foi escrito, depois se extrai o princípio eterno e finalmente se aplica ao nosso tempo moderno. É a ponte entre o “lá e então” e o “aqui e agora”. E nosso texto, avaliado desta forma, demonstra que na época de Jesus existiam falsos profetas (e até falsos Messias) que expulsavam demônios, curavam, e faziam muitas outras coisas. Contudo, não tinham nenhum relacionamento com Deus.
O princípio, portanto, por trás deste texto é a avaliação dos frutos. O nosso problema hoje em dia é que o Diabo tem misturado a verdade com a mentira (lobos com pele de ovelha?), mesmo em meio às nossas igrejas. São igrejas envolvidas com sociedades secretas, com política e com pecados escondidos. São crentes tão arraigados neste mundo que parece que o Arrebatamento e a volta de Jesus nunca de fato acontecerá. Eu, pessoalmente, não creio que Satanás queira necessariamente matar ou acabar com as igrejas. Para ele, é mais vantajoso destituir-nos de nosso poder e autoridade e nos colocar tão mais interessados em “ganhar a vida” e atacar uns aos outros. Porque assim, cada vez mais pessoas interessadas em uma “religião apenas” se juntarão às nossas igrejas, apenas porque a religião de onde vieram não apresentava nenhuma satisfação. E a nossa... nenhuma real diferença da vida do mundo.
Hoje, a análise dos frutos é muito mais difícil, creio eu. Se tomarmos a questão de caráter, veremos algumas pessoas muito religiosas e igualmente zelosas quanto a retidão em suas vidas, enquanto muitos cristãos não o são. Da mesma maneira quanto ao crescimento. Vemos grupos sem nenhum ou pelo menos muito pouca fundamentação e seriedade bíblica crescendo numericamente, e por outro lado, grupos zelosos com a Palavra de Deus, porém, com resultados pífios.
É minha forte convicção, que hoje em dia sem um exame minucioso, não conseguiremos discernir entre o bom e o mau fruto, entre a boa e a má árvore. Também creio que encontraremos em muitos grupos, as duas coisas presentes, mas, não misturadas. Congregações sem poder, mas com alguns indivíduos com profundo relacionamento com Deus. E também ao contrário. Também encontraremos grupos que beiram a heresia, mas que abrigam pessoas zelosas pela Santidade do Senhor.
Um último ponto precisa ser examinado. E se tivermos em nós, áreas que tem se disfarçado de ovelha, mas são lobos? Áreas nas quais a verdade de Deus tem se disfarçado com uma roupagem de espiritualidade, mas na verdade é tudo falso? Trata-se apenas de religiosidade. Na noite em que Jesus foi julgado, nem todos os membros do Sinédrio foram convocados. Certamente, eles chamaram apenas aqueles da “mesma espécie”.Aqueles que concordariam com o julgamento mais absurdo da história da humanidade.
Muitas vezes, nós agimos como lobos, mas não percebemos. Somos movidos pela carne, incentivados pelo Inimigo e apoiados pelo Mundo. E, agimos fora da vontade de Deus e os frutos acompanham, sendo maus e sem valor.
Não viva sua vida espiritual apenas no domingo ou nas reuniões, mas sempre e a toda hora, cada dia. Creia, a cultura dos lobos odeia isso e é afastada por tal disciplina e zelo espirituais. O que restará em nós será apenas o caráter de ovelha, prontos a seguir o Bom Pastor de nossas almas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*Pr. J. é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 20/05/07

Nadando contra a correnteza (17)

Em dois artigos mais, terminaremos nossa jornada pelos ensinos de Jesus, nadando contra a correnteza da cultura deste mundo. Hoje, veremos um dos textos mais famosos do mundo e suas implicações para nossa vida prática.

A Porta Estreita e a Porta Larga

13 “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. 14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.

Eu já ouvi muito um ditado que as pessoas dizem quando lhes é oferecido alguma coisa amarga ou azeda, “de amarga (ou azeda) basta a vida!”. Mesmo não concordando, compreendo que a maioria das pessoas gostariam de uma vida sem problemas, sem lutas e dificuldades e com o máximo de tranqüilidade possível. Em resumo, ninguém quer sofrimento, pelo menos não as pessoas mais normais.
Se aproximando do final do Seu sermão, Jesus toma o tempo para dizer que sabe que as coisas que ensinou não são fáceis, são todas “caminhos estreitos”. Reveja os capítulos 5, 6 e 7 e você verá a lista de coisas difíceis, e, às vezes, muito difíceis de serem praticadas. É como se o Senhor estivesse dizendo “se fosse fácil, não seria mérito algum”, por isso, é um caminho estreito e apertado.
Muitos crêem que este caminho estreito significa apenas o contrário de largo. Ou seja, um tem vários metros e o outro tem uns 3 ou 5 metros. Eu creio que é mais do que isso. Ele é escarpado, irregular, cheio de espinhos e cantos perigosos, enfim, um terror da engenharia natural! Para passarmos por um caminho assim, precisamos de perícia, preparo, ajuda de outros e ferramentas. Não é tarefa para desistidores! E ainda por cima, com tão pouco espaço, muitas vezes estaremos sozinhos!
Que contraste o caminho largo! Este sim, oferece a “vida que se pediu a Deus!” É amplo, reto, sem buracos, cheio de “ amigos” e facilidades. Lá você não precisa lutar segundo as regras e nem muito menos nadar contra a correnteza. É só deixar a vida te levar! Tudo é mais fácil e você pode ser o centro de tudo.
Se é verdade que a viagem, ou seja, o percurso, é tão importante quanto o destino, então, o caminho largo ganha com folga. Afinal, quem gostaria de uma viagem difícil e acidentada, em lugar de uma confortável e com uma bela vista? Ninguém, é claro. Porém, a viagem é importante, mas não se ignorarmos o destino. O que neste caso é absolutamente fundamental: perdição ou vida!
Jesus oferece na conclusão dos caminhos um tremendo contraste. Se escolhermos o caminho largo da vida mais fácil e sem obstáculos, já usufruímos aqui todo o benefício que podíamos, pois na chegada restará apenas perdição, e perdição eterna. É claro que para a maioria, este caminho largo não significará dinheiro ou poder, mas ainda assim, significará uma vida voltada ao redor do “eu”; porque vencê-lo é o que torna o caminho da nossa vida em um caminho estreito.
Por outro lado, se escolhermos o caminho estreito e mais difícil, ele nos levará à vida, e vida eterna! E a lógica funciona ao contrário. Após termos aberto mão de direitos e de prazeres, receberemos o melhor de Deus para nós. Por isso, Paulo nos diz em Filipenses 1.29, “pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele”. A máxima irá sempre funcionar: quanto mais abrirmos mão segundo o mandato do Senhor, mais receberemos depois.
A questão dos dois caminhos passa pelo dilema do imediatismo. Agora ou depois? A Palavra de Deus é recheada de ensinamentos dizendo que devemos esperar, confiar, aguardar, repousar, e etc. Mas, como? No mundo do calmante e do stress, como podemos apenas orar e não fazer nada? Além disso, o mundo cobra sucesso e independência. Como vou encaixar na minha vida a conformidade ao propósito de Deus e a dependência de Sua vontade? Como? Impossível.
Muito pelo contrário, é perfeitamente possível! Quando usamos armas espirituais e confiamos em Deus. Vamos logo tomar o Senhor Jesus como exemplo. Ele poderia simplesmente ter tomado o caminho largo e se libertado de Seus opressores. Poderia usar do Seu poder infinito e exterminar os Seus opositores. Ficaria muito mais fácil apenas com pessoas que concordassem com o que Ele tinha a dizer, não é mesmo? Porém, no mesmo contexto em que Paulo trata o sofrer por Ele como um privilégio, Paulo nos ensina sobre os sacrifícios realizados por Jesus, por amor a nós, até ao ponto de ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8)! E como Ele conseguiu? Da mesma maneira que nós podemos. Aprendendo passo a passo os ensinamentos do caminho estreito, e amadurecendo a medida que o caminho vai se tornando mais difícil e os desafios mais tenazes! Assim mesmo aconteceu com o Senhor Jesus, “Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,” (Hb 5.8-9). A pessoa que entra no caminho estreito nunca será a mesma pessoa que sai dele no final; sempre será uma pessoa mais semelhante ao Senhor Jesus... ainda bem!
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 13/05/07

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (16)

Andar na contra-mão não é fácil. Nem tão pouco... nadar contra a correnteza. Temos estudado isso há 15 semanas, e aprendido o que Jesus nos ensina a fazer quando temos a cultura deste mundo em contraste com a cultura do Reino. Oração é algo completamente alienígena a este mundo. Mesmo que muitos pensem que a praticam, na verdade, é muito mais reza que acontece ao redor do mundo, do que verdadeira oração. Logo veremos o porquê.

A Persistência na Oração
7 “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.8 Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.9 “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11 Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.

Este texto lembra quase exatamente Lucas 11.9-13. Algumas diferenças porém existem. Em Mateus a relação é “pão/pedra” e “peixe/cobra”, enquanto em Lucas é “peixe/cobra” e “ovo/escorpião”, apesar de alguns manuscritos também conterem “pão/pedra”. Outra diferença é Lucas substituir a expressão “coisas boas” por algo muito mais específico, a saber, o “Espírito Santo”!
De qualquer maneira, Jesus estabelece no nosso texto algumas condições para a mera existência da oração, sem mencionar a sua eficácia, ou seja, que ela exista.
Em primeiro lugar, a oração precisa pura e simplesmente acontecer. A esmagadora maioria das pessoas que dizem não ter experiências de oração significativas é por apenas oram pouco ou nada em absoluto. Não possuem disciplina e planejamento em sua vida de oração. Dizem “estou orando por isso”, mas muitas vezes significa apenas que “desejaram espiritualmente” uma vez ou outra. “Desejar espiritualmente” é quando dizemos “se Deus quiser vai acontecer”, mas não colocamos isso debaixo de oração que busca a vontade de Deus, nem entramos em batalha espiritual para arrancar das mãos do Inimigo o que o Senhor deseja nos dar.
Em segundo lugar, a oração precisa ser algo insistente e perseverante. Pedir, buscar, bater... insistir! Tal como ligamos repetidas vezes para um número que insiste em não nos atender ou que está ocupado devido à nossa necessidade de falar com aquele número de telefone, igualmente precisamos insistir e insistir até sermos atendidos. No texto de Lucas 11 no versículo 8, lemos: “Eu lhes digo: Embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que precisar.”. O Senhor nos ensina o segredo, insista até sermos respondidos. Novamente isso requer de nós disciplina e planejamento. Uma lista de oração com datas e dados acompanhada de um tempo separado e protegido de interrupções. Tal como Jesus, precisamos achar o nosso monte e subir nele em busca de tempo com o Pai.
Em terceiro lugar, a oração só existe onde há relacionamento. Sem querer “espremer” demais do texto bíblico, ainda assim creio que existe o objetivo do Senhor em usar a palavra Pai para Deus em relação ao que ora. Não é alguém distante ou estranho com quem desejamos entrar em contato. De forma alguma, se trata de nosso Pai, que nos ama e nos conhece... e a Quem conhecemos. Ou será? Tempo de oração é tempo investido com o Pai. Quanto mais o temos, mais O conhecemos. Simples assim. Oração intercessória, contemplativa, de adoração, de súplica, de qualquer tipo... melhor, de todos os tipos, nos fazem compreender (juntamente com a Palavra de Deus) o caráter e a personalidade do nosso Deus.
Finalmente, em quarto lugar, a oração deve ser gerada em mutualidade com o próximo. Fazer aos outros como desejo que seja feito a mim, neste contexto, certamente significa termos uma rede de intercessão mútua. Em cada grupo cristão que você pertencer: família, células, discipulado, igreja; sempre criarmos uma teia de proteção e suprimento espiritual de mim para os outros e dos outros para mim.
Em resumo, a questão é simples... sem oração, veremos em breve a estagnação e a completa ausência de poder espiritual. O que pedirmos nos será negado, o que buscarmos não encontraremos e as portas nas quais batermos, continuarão fechadas. Tudo o que acontece no mundo natural, primeiro se torna realidade no mundo espiritual. Ora, se tudo é espiritual, sermos “pegos” em meio ao fogo cruzado, sem poder algum, sem munição espiritual, não deve ser muito bom... não é mesmo?
Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho,pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.” Efésios 6.18-20
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 06/05/07