sexta-feira, 10 de julho de 2009

O pensamento de Bret Harte

"O deus capaz de por um câncer num crente, certamente não se comoverá com orações." Bret Harte, poeta e autor, citado em www.ateusdobrasil.com.br/frases
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“Ninguém” precisa de Deus... até que precise. O ser humano é inatamente imbuído de um defeito: orgulho, auto-suficiência ou independência. Somos assim quando crianças, de braços estendidos, pedindo ajuda, movidos pela insegurança das nossas titubeantes pernas. Até que nos firmemos um pouco mais e comecemos a resistir em segurar a mão paterna ou materna que “teima” em nos ajudar.
Bonitinho (alguns achariam) quando é um bebezinho, mas trágico quando ele é apenas uma metáfora de nós adultos evoluídos, intelectuais e pensadores.
Esta face altiva é um grande obstáculo para uma compreensão da pessoa e verdade de Deus. Como olhar para o alto se já “estou” no alto? Claro que nenhum de nós, muito menos Bret Harte, admitiríamos estar assim posicionados. Mas, nosso “eu”, pelo menos, seria mais sincero.
Existe sempre, é claro, a possibilidade de alguém não crer em algo que não conhece, ou seja, ignorância dos intelectuais por não saberem o que a Palavra de Deus ensina sobre Ele e as verdades da vida. Muitas vezes apenas porque a oportunidade não lhes foi estendida, coisa difícil de conceber no século XXI, especialmente no ocidente, mas... podemos dar o benefício da dúvida. Porém, muitas vezes, quando o ensino foi oferecido, não foi acolhido. Afinal, a Palavra de Deus é morta. Calma, não me converti ao pensamento de Bret Harte. Ela é morta até que caia em solo fértil (Mateus 13.3, 8). Ou se você permitir, ela é inerte. Assim, descrédito “pós-moderno” aos absolutos da Palavra de Deus leva o indivíduo a posturas de completa incredulidade e auto-suficiência. E muito disso pode vir como reflexo de experiências negativas de sua infância ou mesmo depois. Quantos não ficaram traumatizados por pais, mães ou padres em orfanatos e internatos? Aqueles que deveriam ser espelho do amor e interesse que o Deus deles supostamente tinha, converteram-se em argumento para descrer de tudo isso.
Existem alguns problemas com o pensamento de Bret Harte. Em primeiro lugar, ele parte da idéia que Deus criou tudo, inclusive o bem e o mal. Na verdade, isto é a Verdade: “Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas”. (Isaías 45.7). Porém, Ele não está diretamente ligado a cada crime, mentira, doença, enfim, todas as mazelas da humanidade. Ter sido o criador da possibilidade do mal não torna Deus responsável. O homem é responsável por suas escolhas. Afinal, eis aí o peso do livre-arbítrio; outra invenção de Deus! E é do interior do próprio homem com livre-arbítrio que vem estas mazelas: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?” (Tiago 4.1), “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jeremias 17.9). Mas por que criar esta possibilidade? Ora, livre-arbítrio sem opção de escolha é um engano e a negação da verdade. Uma impossibilidade, mesmo para um Deus onipotente.
Em segundo lugar, Harte entende Deus como um sádico, como alguém distante, como um ser inalcançável. Afinal, apenas este retrato mostraria alguém que não responde ao clamor que Ele mesmo incita e estimula em suas criaturas. Um Deus que não se compadece, mas que tem prazer no sofrimento como um delinqüente infantil com uma lupa sobre um formigueiro. A Palavra de Deus nos afirma outra realidade: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: ‘Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito’.” (Isaías 57.15). Enquanto viveu entre nós, o Deus-Filho sentiu profunda dor pela morte do seu amigo, a quem, detalhe importante, ressuscitaria em minutos. Dor retratada no menor versículo das Escrituras, “Jesus chorou.” (João 11.35). Ou seja, Deus é o Deus da criação, não da invenção. O inventor se despede da sua invenção e abre mão da posse; o Criador, não! Ele acompanha, nutre, zela, interage, ama, vive pra ela, morre por ela! É uma pena Harte não conhecer esse Criador.
Em terceiro e último lugar, para um ateu, um agnóstico ou, pelo menos, um descrente, Harte dá ao objeto de sua “des-fé” muito crédito. Em apenas uma frase, este ser inexistente adoece a pessoa e ao mesmo tempo não ouvirá as orações por cura!! Nada mal para quem não existe, não? Bem, isso demonstra, na verdade, que voltamos ao orgulho e altivez do ser humano, que nisso, cai na acusação de Paulo quando diz que “os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1.21-22). Torna-se verdade o adágio popular “quem olha apenas para cima, não vê a cova onde cai”.
Concluindo, não é preciso muito pra compreender o mal, as doenças e todas as mazelas. Não é preciso muito para entender e crer na oração. Na verdade, é preciso menos. Menos sabedoria do mundo (melhor ser louco), menos auto-suficiência (melhor depender), menos força própria (melhor ser fraco). Assim, sendo, a vida passará, mas assim passará sem o peso dela mesmo, mas com a leveza da esperança de um Deus que ama e que nos ouve. Um Deus de quem já, assumidamente, precisamos.

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