domingo, 20 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (9)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há nove domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 5, veremos a questão do que fazer quantos aos nossos opositores.

O Amor aos Inimigos
43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. 44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, 45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.

Os Fariseus ensinavam que as pessoas deveriam amor aqueles que eram próximos delas e queridos por elas (Lv 19.18), e que os inimigos de Israel deveriam ser odiados. Alguns Salmos deixam isso muito claro quando pedem que os inimigos de Israel sejam esmagados. Por causa disso tudo, os Fariseus deduziram que o ódio deles era a maneira de Deus julgar os seus inimigos. Mas Jesus declarou que Israel deveria demonstrar o amor de Deus mesmo para com seus inimigos - uma prática que nem sequer havia sido ordenada no Antigo Testamento! Deus os ama; Ele faz raiar o seu sol e derrama a chuva para produzir colheita. Uma vez que o Seu amor se estende a todos, Israel deveria também ser um canal do Seu amor amando a todos. Tal amor demonstraria que eles eram filhos de Deus (cf. Mt 5.16). Amar apenas aqueles que nos amam e saudar apenas seus irmãos era equiparar-se aos “detestáveis” cobradores de impostos e gentios - algo inimaginável para um Fariseus! E certamente também para nós. Quando nosso comportamento é comparado com sendo próximo demais ao comportamento daqueles que não conhecem ao Senhor, que coisa incômoda. Como tem sido a sua relação com os seus opositores? Talvez seja um pouco forte demais usar a palavra “inimigo”. Contudo, todos nós nos defrontamos aqui ou acolá com situações nas quais somos colocados diante de pessoas que desejam nos prejudicar de alguma maneira, mesmo quando não percebem. Nosso desafio desta semana é analisar qual tem sido nossas reações quando estamos nesta situação. Pode ser de um desconhecido no trânsito ou mesmo de um colega de trabalho ou chefe que encontramos todo dia. De qualquer maneira, precisamos levar a sério a palavra do Senhor Jesus: “‘Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

sábado, 12 de maio de 2007

Quando Deus intervém!

Muitas vezes em nossas vidas precisamos de que Deus seja Deus e faça o que nós não podemos fazer, pois o que nos resta é apenas confiar. Era quinta-feira, dia 26 de abril. No fim-de-semana seguinte, eu estaria pregando num acampamento e planejava levar toda a família para um tempo de descanso. Mas, nada saiu como planejado. No final da tarde, Joshua, nosso caçula de 2 anos e 11 meses, começou a tossir um pouco. Acostumados que somos com as crises respiratórias dos nossos filhos, fizemos a nebulização e pronto. Perto das 22:45, Leila percebeu que ele estava febril. Eu não havia percebido porque havia tocado apenas os braços e as pernas, os quais estavam frios; porém, a cabeça dele estava muito quente. Mais tarde, como a febre subia, demos Dipirona, porque não tínhamos Tilenol. Ele até que tomou, mesmo com o gosto ruim. Porém, devido à tosse, uns 30 minutos depois ele vomitou. Pensei logo que a Dipirona tinha saído também. Então, após ele dormir no nosso quarto de assistir televisão, deixei a Leila estudando em nosso quarto e fui atrás de uma farmácia 24 horas para comprar outro anti-térmico. Já era mais de meia-noite. Fui rápido, mas não rápido o suficiente. Leila conta agora o que aconteceu em minha ausência.
Estava no quarto preparando-me para dormir , quando senti a necessidade de voltar ao lugar que deixamos nosso bebê dormindo até Joe chegar com os medicamentos. Percebi quando cheguei à porta do quarto que ele estava tremendo e logo corri para ver de perto o que de fato estava acontecendo.Na verdade, ele já estava em crise de convulsão. Neste momento sem saber o que fazer, pois ele não mais me respondia, gritei por ajuda ao rapaz que está morando conosco há algum tempo, Jonathan já se encontrava dormindo, quando bati bem forte na porta do quarto dizendo: "Jonathan, acorde, o Prezinho está morrendo", e no meio daquela desesperadora situação, Asaph acordou em meio ao choro de desespero meu que certamente o levou a ficar apavorado com toda a situação...Não dá pra esquecer o quanto ele implorou para que seu irmão voltasse e ficasse normal...frases como: “quanto você quer pra viver?” “ Posso te dar todos os brinquedos”... enfim... foram freqüentes na boca de nosso filho mais velho. Neste momento, ele já estava desfalecendo e ficando “roxo”, tentamos apertar o seu peito, mas só o vimos piorar saindo de sua boca uma “estranha espuma”, quando sai correndo para rua com ele no meu colo e fui à casa de nossa vizinha ao lado de nossa casa, que Graças a Deus nos socorreu imediatamente. Ela, Lo-Rhuama, carregou Joshua no colo e tentou soprar na sua boca, que a fez perceber sua respiração muito fraca. Seu filho, Fernando, nos levou no seu carro para o Hospital Infantil de Boa Vista, e quando lá chegamos, Joshua foi levado para a sala do Trauma para receber atendimento. Ele chegou ao Hospital desmaiado.
Enquanto estavam ajudando nosso filho a retornar, Joe chegou ao hospital... sei que daqui pra frente ele mesmo vai falar sobre aquilo que Deus tem nos mostrado com toda essa experiência... Quanto a mim... “O SENHOR, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”. Hb. 2.20 “Bom é confiar no nosso Deus e aguardar em sua salvação, e isso em silêncio.”

Quando eu chegava em frente à nossa casa, dei com o Asaph ao lado do nosso vizinho já na calçada. As palavras, “seu filho”, “muito mal” e “hospital” é tudo que me lembro. Entrei um segundo atrás do meu telefone e sai correndo pro hospital. No caminho comecei a clamar com tudo o que havia em mim, “Deus, não deixe meu filhinho morrer!” Neste meio tempo, o Asaph colocou o vizinho pra orar pelo seu irmãozinho, um fato até engraçado nos acharíamos depois, uma vez que ele não é evangélico. Chegando ao hospital, passei voando por conhecidos e funcionários, e achei Leila na sala de trauma, e meu filho sobre uma maca. Foi grande o impacto. Ele estava sem cor, coberto por um cobertor molhado sobre o corpo e uma toalha sobre a cabeça. A febre havia batido os 39°... por isso, a convulsão.
Imediatamente, comecei a orar impondo as mãos sobre ele. Repreendi todo espírito de morte e enfermidade e pedir especificamente que o Senhor colocasse Seu anjo cobrindo o corpo do meu filho. Liguei também para irmãos de nossa igreja para que orassem e pedissem que outros orassem. Enquanto orava perto do ouvido do Joshua, intercalava com palavras para acalma-lo, porque ele gemia muito.
Pedi à Leila que ficasse no corredor, se acalmasse e orasse. Lá, ao pedir que o Senhor não deixasse nosso filho morrer, ela ouviu de Deus a correção mais difícil pra aquele momento, “Você está me pedindo errado. Você deve pedir pela Minha vontade!”. E assim ela fez.
As próximas horas foram dramáticas enquanto presenciávamos o Senhor agir, e medição após medição, a febre foi baixando. E por volta das 3 horas, Joshua começou a olhar pra nós e conversar conosco. Em meio a muitas palavras, fiz a pergunta que é tipo uma brincadeira entre nós, “Cadê o amor do papai?”. Como foi bom ouvi-lo dizer “Tá ati”. Mesmo agora depois de tantos dias, ainda é difícil segurar a emoção diante do amor de Deus, mas do que o Seu agir.
Mas, o mais importante é que hoje, dia 13 de maio, nosso filho completa 3 anos. Há 3 anos o vimos chegar ao mundo com apenas 7 meses e apenas 1.350 gramas. Há 3 anos o vimos lutar pra viver e vencer. Há 3 anos o chamamos Joshua, “Josué”, “Ieshua”, “Jesus”, ou... “Jeová Salva”.
“Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam.” Isaías 64.4 (este versículo está dentre de nossas alianças.)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (8)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

A Vingança
38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.

As palavras “olho por olho, e dente por dente” vem de diversas passagens no Antigo Testamento (Ex 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21); elas são chamadas de lex talionis, a Lei da Retaliação. Esta lei fora dada para proteger o inocente e para assegurar que retaliação não ocorresse além da ofensa cometida. Jesus, contudo, destacou que enquanto os direitos do inocente eram protegidos pela Lei, o justo não precisava necessariamente exigir seus direitos. Um homem justo seria caracterizado por humildade e altruísmo. Assim, ele andaria a “segunda milha” para manter a paz. Quando injustiçado por ter sido atingido na face, ou processado pela sua túnica (vestimenta interior, a capa era a vestimenta exterior.), ou forçado a viajar com alguém por uma milha, ele não contra atacaria, não exigiria ressarcimento, nem se recusaria acompanhar. Em lugar de retaliar, ele faria o contrário, e ainda deixaria tudo com o Senhor que um dia colocará todas as coisas em ordem (conf. Rm 12.17-21). Tudo isso foi visto ao extremo na própria vida do Senhor Jesus, como foi apontado por Pedro (1 Pe 2.23). Quando lemos tudo isso, certamente achamos tudo muito lindo, porém, olharmos para nossas vidas vem o questionamento: “será possível viver isso?”. E esta é a razão de se tratar de uma contra-cultura. Só com o auxílio de quem já conseguiu concretizar esta vitória é possível para nós alcançarmos o mesmo. Aliás, apenas seguindo os passos do Mestre, podemos ter uma vida magistral.
"Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos. 'Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca.' Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados." (1 Pe 2 .20-24)
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 11/03/07

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Nadando contra a correnteza (7)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

Os Juramentos
33 “Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamentei, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. 34 Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelos céus, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36 E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. 37 Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno.


A questão de fazer juramentos vem na seqüência de ensinamentos do Senhor no sermão do Monte. Os Fariseus eram conhecidos por seus juramentos, os quais eram feitos pelos motivos mais fúteis. Todavia, eles tinham precauções mentais em seus juramentos. Se desejassem ser livres de um juramento que haviam feito “pelos céus”... “pela terra”... “por Jerusalém”... ou pela cabeça de alguém, eles apenas podiam argumentar que uma vez que Deus mesmo não havia sido envolvido naquele juramento, o mesmo não os amarrava. Mas Jesus diz que juramentos nem mesmo deveriam ser necessários: “Não jurem de forma alguma”. O fato de se usar juramentos enfatizava a maldade do coração do homem. Além do mais, jurar “pelos céus”, “pela terra” ou “por Jerusalém” amarrava, sim, aquele que jurava, pois era o “trono”, o “estrado” e a “cidade” de Deus, respectivamente. Até mesmo a cor de nossos cabelos é determinada pela soberania de Deus. Por outro lado, Jesus mais tarde iria responder a um juramento (Mt 26.63-64) e Paulo também (2 Co 1.23). O que o Senhor está dizendo é que a vida de uma pessoa deveria ser suficiente para sustentar a palavra desta pessoa. Um “sim” deveria ser sempre “sim” e um “não” deveria ser sempre um “não”.
Tiago parece estar repetindo as palavras de Jesus em sua epístola (Tg 5.12) Para nós da Videira, a principal aplicação deste texto pode ser a palavra lealdade. Temos sido abençoados e temos abençoado uns aos outros. E precisamos nos ter em alto conceito e cultivar a lealdade em palavras e ações para com nossos irmãos. Há tantas aplicações práticas quanto a isso. Na célula, nos discipulados, nos demais eventos de nossa comunidade. Eu quero viver o que a Palavra nos ensina quanto a isso, “nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.” (Fp 2.3); e assim considerar meus irmãos, discípulos e ovelhas, com lealdade. Para tanto, como Jesus nos ensina, ter uma vida que sustente aquilo que eu falo ou faço.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 04/03/07.

terça-feira, 27 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (6)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há seis domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão do divórcio.


O Divórcio
31 “Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. 32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.

Entre os líderes judeus havia duas correntes de pensamento quanto à questão do divórcio (Dt 24.1). Aqueles que seguiam ao rabino Hillel diziam ser permitido para um marido se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, enquanto o outro grupo, que seguia o rabino Shammai diziam que apenas uma ofensa de grande importância seria motivo para divórcio. Em Sua resposta, Jesus ensina fortemente que o casamento é visto por Deus como uma união indissolúvel e que o casamento não deveria ser terminado pelo divórcio. A “cláusula de exceção”, “exceto por imoralidade sexual” (gr. porneias), é compreendida em diversas maneiras por estudiosos das Escrituras. Quatro dessas maneiras são: (a) um adúltério que aconteça apenas uma vez; (b) infidelidade durante o período de noivado; (c) casamento entre pessoas de parentesco próximo (Lv 18.618); e (d) promiscuidade contínua. Sem entrar na questão entre os dois rabinos, Jesus já no capítulo 19, também de Mateus, lembra os líderes religiosos do propósito original de Deus em estabelecer o laço do casamento. Deus fez as pessoas homem ou mulher (v.4; Gn 1.27). No casamento, Ele junta os dois em uma ligação inseparável. Esta ligação possui um chamado maior do que entre pais e filhos, pois o homem deve deixar pai e mãe e se juntar a sua esposa num relacionamento de uma só carne (Gn 2.24). Assim, o que Deus juntou que nenhum homem separe, ou divorcie. Em resposta aos judeus sobre a “cláusula de exceção”, Jesus diz que foi a resposta de Moisés à dureza do coração do povo. Tal expressão é muito forte. Ela contém a palavra kardia significando “coração” acrescentada da palavra skleros, “dureza”, e de onde vem nossa palavra “esclerose”! Ou seja, apenas para pessoas de coração esclerosado, sem possibilidade de flexibilidade, sem possibilidade de ministrar graça. Mesmo com todas as interpretações, que possibilitam ou não o recasamento da parte traída, o ponto fundamental a ser observado é que o Senhor deixa claro que o propósito inicial de Deus deve ser o mesmo dos Seus filhos. Em outras palavras, nunca considere o divórcio como uma alternativa aberta a todo e qualquer momento. Nem mesmo com a condição de infidelidade. Esta é apenas para aqueles que querem ocupar a categoria de “pessoas de coração endurecido.” Acima disso, a lei do perdão sempre deve prevalecer porque prova a atuação de Deus em nossas vidas e não apenas o exercício de NOSSOS direitos e NOSSAS vontades.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 25/02/07

domingo, 25 de março de 2007

Nadando contra a correnteza (5)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há cinco domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos um dos assuntos mais doloridos na vida de qualquer pessoa: o adultério.


27 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. 28 Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno."
Jesus usa esta expressão do versículo 27 sempre quando deseja fazer um contraste entre o ensinamento anterior e o Seu. Ou, como é o caso aqui, quando Ele desejava apenas apontar que o entendimento quanto ao que fora ensinado estava errado. Não adulterar para as pessoas que desejam viver uma vida religiosa pode ser apenas não se deitar com uma pessoa que não seja o seu cônjuge, mas para Jesus era mais do apenas isso. Jesus não deseja apenas pureza exterior para os Seus discípulos, antes Ele almeja também pureza interior. E por que será isso? A razão é precaução. Arrisco a dizer que 100% dos casos de adultério começaram com a remoção das cercas de proteção da vida das pessoas. Cercas como o relacionamento físico com seu cônjuge, a intimidade espiritual com o Senhor, a transparência da prestação do contas no discipulado, a confissão de pecados para o Senhor, e etc. Por isso, Jesus diz que não devemos nos preocupar apenas quando estamos já a cair, mas, sim, quando ainda estamos bem de pé, contudo, brincando com o inimigo.
E isso é ainda mais relevante em nosso estado. Há algum tempo atrás, uma conferencista em visita à nossa cidade declarou que no momento em que colocou os pés em nosso solo, ela teve o discernimento espiritual de que a destruição de famílias através do adultério é o maior item na agenda das forças espirituais das trevas que agem por aqui. Isso, na verdade, apenas veio a confirmar o que já achávamos por nós mesmos. Interessante que nem precisa ser cristão para notar isso. Há alguns meses uma das participantes do Casados Para Sempre declarou que uma amiga disse a ela “cuidado com o seu marido aqui”; detalhe, esta amiga nem cristã era!
Por isso, Jesus declara que a palavra de ordem é precaução! Marido, cuide de sua esposa; esposa, cuide do seu marido. Talvez o nosso problema é que realmente achamos que após o casamento, as coisas irão “naturalmente” seguirem o seu curso, que não precisamos investir mais nada... afinal, já casamos, não é mesmo? Confesso que também em alguns momentos pensei ou agi desta maneira. Mas, a verdade é que a negligência é uma das maiores razões que levam cônjuges a serem infiéis. É claro que isso não justifica, mas explica o que acontece em nossas famílias. Portanto, precisamos compreender de uma vez por todas quem são as pessoas mais importantes em nossas vidas, primeiro nosso cônjuge, depois nossos filhos.
Voltando às nossas “cercas de proteção”, a última parte do texto é muito importante. Jesus trata sobre a seriedade com a qual devemos encarar aquilo que alguns chamam de “destruidores de cercas’. Isto é, as coisas, hábitos, eventos, acontecimentos e principalmente pessoas que são usadas para paulatinamente destruir o que foi colocado em nossas vidas por Deus e para nossa proteção. Por isso o Senhor nos adverte que é melhor perdermos algumas coisas das quais achamos que temos direito do que deixá-las nos prejudicar. E Ele é tão sério sobre isso, que usa o exemplo de uma amputação de um braço ou mesmo um olho.
Na verdade, o princípio que Jesus está nos ensinando não é, de maneira alguma, o de auto-mutilação. Isso seria absurdo. Antes, se trata do princípio de abrir mão de sua liberdade. Por exemplo, há alguns anos eu competia em bicicross. Poderia até ser considerado razoável e em crescimento. Tinha razões pra continuar. Mas, de pouquinho em pouquinho, o esporte foi tomando meu tempo. E sem perceber, já estava chegando atrasado nas reuniões de minha igreja e também negligenciando meus compromissos. Eu tinha que tomar uma decisão: poderia manter as duas coisas acontecendo satisfatoriamente? Compreendi que não. Então, “amputei” a prática competitiva daquele esporte de minha vida. Deus e a Sua obra eram mais importantes.
É claro que no caso de ameaças de infidelidade, as ameaças às nossas cercas são mais sérias. Começa com a distância entre marido e mulher, continua com a distância entre a pessoa e o Senhor, e assim, por diante. Ovelha sozinha vira petisco de lobo. E isso é verdade para os grupos pequenos, mas também nos demais relacionamentos. Mantenha pessoas de Deus ao seu redor, mantenha-se protegido.
Paralelamente, mantenha as ameaças longe. Amizades com o sexo oposto precisam ser sempre vistas com reservas e cuidado. Não seja ingênuo. Não seja também arrogante. A aparência do mal (”Afastem-se de toda forma de mal”, 1 Ts 5.22) não é apenas perigosa e não deve apenas ser evitada pelo que as pessoas possam pensar, mas igualmente por aquilo que aquilo pode fazer com as pessoas que estão perto demais. É precisamente por causa disso que Paulo advertiu a Timóteo que trata-se as irmãs mais velhas em sua igreja como mães e as mais novas como irmãs (1 Tm 5.2). Ele sabia que algumas pessoas fracas e fragilizadas poderiam confundir os relacionamentos, em especial com alguém em posição de autoridade.
Enfim, o conselho de Jesus no sermão do monte é importantíssimo. Jesus deseja que o companheirismo e camaradagem entre os membros de Sua Igreja seja sempre crescente no amor fraternal. E que vejamos qualquer ameaça a unidade da Igreja ou de nossos lares como algo digno de ser extirpado de nossas vidas.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 11/02/07

Nadando contra a correnteza (4)

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus nos trazem o chamado “Sermão do Monte”. O que este sermão tem de mais peculiar é a forma como ele contrasta seus ensinos com o pensamento da nossa sociedade. Tanto isso é verdade que ele foi chamado de “a contra-cultura do reino”. Hoje, quero pedir sua atenção para o texto abaixo:
O Homicídio
21 “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.23 “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, 24 deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.25 “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. 26 Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo.”
As pessoas na época de Jesus tinham a tendência a achar que os mandamentos eram apenas o que eles diziam e que detalhes mais práticos da vida cotidiana não importavam. Assim, desde que você não literalmente mate, tire a vida de alguém, você poderia tratar a outra pessoa como um lixo, ou com desprezo, ou mesmo com violência verbal. Afinal, nada disso era fatal, não é mesmo?
Porém, com a sua contra-cultura, Jesus muda a forma das pessoas verem tudo. Ele nos ensina coisas preciosas que às vezes preferimos fingir para nós mesmo que não sabemos.
Em primeiro lugar, precisamos lembrar que os padrões de Deus têm como alvo muito mais o nosso coração do que apenas as nossas ações. As nossas motivações também são importantes. Não basta fazer o correto, precisamos estar fazendo o bem dentro de nós. Alías, sobre fazer, precisamos fazer o bem e não apenas não fazer o mal.
Em segundo lugar, nossos problemas de relacionamento atrapalham nossas ofertas ao Senhor. E não apenas ofertas financeiras. Ofertas de louvor, por exemplo, também estão incluídas. Como adorar ao Senhor se duas fileiras atrás está um irmão em Cristo Jesus com quem não tenho comunhão espiritual, ou até mesmo, com quem estou em conflito? Adoração é algo pessoal, mas também é uma experiência comunitária. Ao mesmo tempo que é “eu e Deus”, também é “nós e Deus”. Procure hoje ainda a pessoa ou pessoas que você tem tido dificuldade no relacionamento, e zere este débito em sua vida.
Um aspecto interessante no versículo 23 é que podem haver casos em que o irmão tenha algo contra mim, e mesmo que eu não ache que devo nada a ninguém, é meu papel buscar aquela pessoa e reconciliar-me. Jesus, de forma muito inteligente, “amarra” a situação de ambos os lados. Creio que na esperança que a dureza do coração de um ou de outro fosse quebrada, e alguém desse o primeiro passo.
Precisamos sempre supor que nosso irmão pode genuinamente não saber que nos magoou de alguma forma. Resista a supor o contrário, pois é exatamente isso que a carne deseja de nós. Ela deseja que pensemos “se ele não veio falar comigo, eu que não vou falar com ele”. Criando assim um impasse e criando dois ofertantes defeituosos.
A liberdade de falarmos francamente uns aos outros é algo fundamental em nossa vida em igreja, em nosso vida como irmãos em Cristo. Satanás sabe disso. Então, toda a vez que ele perceber um caminho livre e sem obstáculos entre mim e você, entre você e eu, Satanás tentará jogar entulhos de sentimentos feridos e mal-entendidos no caminho. Acabando assim com nossa comunhão.
Em terceiro e último lugar, o final do texto nos transmite a noção de urgência, “entre em acordo depressa”. A preocupação de Jesus é a nossa procastinação, ou seja, nosso eterno “deixa pra depois”. De alguma forma, achamos que o tempo cura tudo. Contudo, algumas coisas o tempo piora. Mágoas, por exemplo, podem se tornar amargura. Aborrecimento bobos podem se tornar raiva. Assim, é preciso tomar o conselho do apóstolo Paulo, “Quando vocês ficarem irados, não pequem”. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao Diabo.” (Efésios 4.26-27). Notemos bem que o diferencial entre pecarmos ou não pecarmos não são nossos sentimentos principalmente, mas, sim, o que fazemos com eles. Ou melhor, quando fazemos algo a respeito deles. Realmente não sei se Jesus quis dizer até o pôr-do-sol realmente, ou até o final de um dia (24 horas), ou algo diferente. O que podemos saber com certeza é que é muito menos tempo do que geralmente nós levamos para consertar uma situação errada em nossos relacionamentos.
E quanto a nós... e quanto a você? Estamos dispostos a viver a contra-cultura de Jesus e talvez até mesmo nos humilharmos para obedecer ao Senhor? Tire um tempo hoje para orar pelas lições que a Palavra de Jesus nos ensinou aqui hoje. Isso será fonte de libertação, bênção e graça, não apenas na sua vida, mas nas vidas de todos ao redor de você... nas vidas de todos a começar nas vidas da Comunidade Batista Videira.

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12.14
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira*.
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira.
originalmente publicado em 04/02/07