sábado, 24 de maio de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 5)

Caminhando no Salmo 119

Hê (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
33 Ensina-me, Senhor, o caminho dos teus decretos, e a eles obedecerei até o fim.
34 Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei e a ela obedeça de todo o coração.
35 Dirige-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois nele encontro satisfação.
36 Inclina o meu coração para os teus estatutos, e não para a ganância.
37 Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste.
38 Cumpre a tua promessa para com o teu servo, para que sejas temido.
39 Livra-me da afronta que me apavora, pois as tuas ordenanças são boas.
40 Como anseio pelos teus preceitos! Preserva a minha vida por tua justiça!

Mais importante do que começar bem é terminar bem. Aos olhos do salmista, isto era seu plano: obedecer até o fim (v.33); e para tanto, o pré-requisito era ser ensinado pelo Senhor sobre os Seus decretos, ou seja, a Sua Palavra. Ele clama por entendimento (v.34) e não por sensações ou experiências subjetivas. Apenas um mente que está em crescente entendimento de quem Deus é e do que Ele faz pode ser levada à obediência permanente; aquela que não depende de emoções e sensações.


E à medida que andamos neste caminho de entendimento, o "brilho deste mundo" se revela opaco e somos atraídos pela satisfação em Deus e em Sua Palavra (v.35). O que é apenas lógico porque são coisas eternas como nós e tudo neste mundo é passageiro.
Falando em coisas passageiras, a ganância é geralmente colocada em cima de coisas que não duram. Precisamos ser atraídos para longe dela e para perto dos eternos mandamentos do Senhor (v.36). Até porque somos seres muito visuais e nossos olhos levam para nosso cérebro imagens que atraem nossa carne e nossos desejos por conforto e sucesso, do ponto de vista humano. Mas, Deus tem planos diferentes traçados para nós (v.37).
Nossa carne certamente não deseja isso, mas aquilo que muitos chamariam de rigidez e dureza dos mandamentos de Deus são na verdade uma arma: o temor ao Senhor. Neste caso, ao se perceber que Ele realiza em nossas vidas exatamente o que prometeu (v.38), em contraste com as promessas vazias das coisas deste mundo; mesmo aquelas que tanto atraem nossa carne ao serem capturadas pelos nossos olhos.
Diante disso, o mundo e as pessoas revidarão. Um estilo de vida piedoso ofende aqueles que vivem na contra-mão da Palavra. Que o Senhor nos relembre a cada dia o quão maravilhoso é viver segundo a visão dEle e não a do mundo (v.39). E assim, podemos ansiar por este estilo de vida que nos afastará do mundo, mas preservará nossa vida, nosso contentamento, nossa visão eterna da vida na justiça (v.40)

sábado, 17 de maio de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 4)

Caminhando no Salmo 119
Dálet (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
25 Agora estou prostrado no pó; preserva a minha vida conforme a tua promessa.
26 A ti relatei os meus caminhos e tu me respondeste; ensina-me os teus decretos.
27 Faze-me discernir o propósito dos teus preceitos; então meditarei nas tuas maravilhas.
28 A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me conforme a tua promessa.
29 Desvia-me dos caminhos enganosos; por tua graça, ensina-me a tua lei.
30 Escolhi o caminho da fidelidade; decidi seguir as tuas ordenanças.
31 Apego-me aos teus testemunhos, ó Senhor; não permitas que eu fique decepcionado.
32 Corro pelo caminho que os teus mandamentos apontam, pois me deste maior entendimento.
  A quarta divisão do Salmo 119, começa no versículo 25 com um pedido em humilhação: preserva a minha vida; tal pedido é motivado, é abastecido de fé por algo que o salmista recebeu como palavra de Deus. Nossos pedidos precisam ser mais baseados no que Deus promete do que no que nós desejamos ou achamos importante.
Em meio a problemas, (v.26) nossa atitude para com o Senhor deve ser de transparência. Obviamente, Ele sabe de todas as coisas, mas existe algo de terapêutico em abrirmos nossa vida mesmo para Ele, o qual em resposta pode corrigir nossos caminhos segundo a Sua Palavra. Muito da qual, às vezes, é difícil para que entendamos (v.27), mas o salmista está pedindo o auxílio do Senhor para que ele entenda e possa meditar em tão maravilhosos propósitos.
Porém, de novo ele retorna à sua dor, mas não se desvia da fonte de consolo e restauração: sempre as Escrituras (v.28). E reconhece que, estando vulnerável, precisa muito da Graça do Senhor para não cair em armadilhas e continuar no caminho da obediência (v.29).
Em resposta ao seu próprio pedido, ele ainda se determina a um caminho de fidelidade; mesmo que ainda não tenha obtido resposta às súplicas até agora feitas (v.30-32). Ou seja, nossa fidelidade e obediência nunca podem ser condicionadas às ações do Senhor. Elas são o mínimo que o nosso Deus merece, enquanto, nós, nada merecemos. Decepções virão, mas permanecemos firmados por causa dos imutáveis mandamentos do nosso Deus. E assim, podemos percorrer o caminho trilhado pela Palavra de Deus confiados de ser o melhor caminho, pois mesmo que não vejamos o fim, já experimentamos agora o discernimento e entendimento vindos do Senhor deste caminho.

domingo, 11 de maio de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 3)

Caminhando no Salmo 119
Guímel (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
17 Trata com bondade o teu servo para que eu viva e obedeça à tua palavra.
18 Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei.
19 Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
20 A minha alma consome-se de perene desejo das tuas ordenanças.
21 Tu repreendes os arrogantes; malditos os que se desviam dos teus mandamentos!
22 Tira de mim a afronta e o desprezo, pois obedeço aos teus estatutos.
23 Mesmo que os poderosos se reúnam para conspirar contra mim, ainda assim o teu servo meditará nos teus decretos.
24 Sim, os teus testemunhos são o meu prazer; eles são os meus conselheiros.
 Este trecho do Salmo 119 começa com um pedido que poderia ser parafraseado, “cuida de mim, preserva a minha vida, para que eu tenha mais dias para obedecer à tua Palavra”. Muitos querem uma vida longa para ser feliz mais tempo, rico por mais tempo, bem-sucedido por mais tempo. Obedecer a Deus era a motivação da longevidade do salmista.
De forma similar, a visão, o entendimento é pedido para que ele conheça mais da Palavra (v.18) e de suas maravilhas. E a necessidade de tudo isso é porque não somos deste mundo (v.19) e precisamos da clareza dos mandamentos de Deus para obter a sabedoria que nos ajudará a navegar por este mundo sem sermos abatidos pela artilharia inimiga. E isso, é algo a se ansiar como a própria vida (v.20) ou um tesouro precioso!
Reconhecer nossa limitação reflete nossa humildade em depender de Deus e de Sua Palavra; coisa que o homem que anda em seus próprios conselhos não tem (v.21). O fim deles não é surpresa: serão repreendidos pelo Senhor. E a afronta e o desprezo que destinam aos que andam nos mandamentos de Deus será removido como honra pela obediência (v.22).
Uma decisão firme em andar com Deus, mesmo em meio a oposição de pessoas influentes em nossas vidas e que possuam algum poder temporário sobre nós (v.23) revela um homem ou uma mulher de Deus que tem prazer na Palavra e sabe do valor de tê-la como sua Conselheira de vida.

O segundo trecho do Salmo 119 começa exatamente oferecendo conselho sobre isso (v.9). E a vida cheia da Palavra de Deus e da obediência a ela é o caminho para esta pureza. Não apenas conhecimento, não apenas frases de efeito tiradas (ou não) das Escrituras, muito menos sensações e emoções. O caminho é pavimentado com decisões de obedecer. É ler a Bíblia contra mim. É vela como um espelho que revela a maldade do meu coração e aponta para a perfeição em Cristo.
Mas, o salmista é honesto em clamar por socorro para não se desviar, mesmo que esteja intensamente buscando o Senhor (v.10). Precisamos reconhecer que quedas acontecerão e que não é o “fim do mundo”; levantar-se delas através da Graça de Deus é a única opção para àquele que O busca em sinceridade.
A sinceridade está provada no zelo com a Palavra (v.11). Este verso é usado muito como um incentivo a que se decore versículos bíblicos. Não creio ser uma “forçação do texto”. Decorar textos bíblicos tem enorme serventia em nosso crescimento espiritual e nas lutas. Porém, também creio que o texto está falando novamente sobre obediência. Aquilo que está “no coração” tende a reger a minha vida. E, então, adoramos enquanto clamamos a Deus para que Ele mesmo seja o nosso tutor nessa caminhada em seus mandamentos (v.12).
No verso 13, o salmista escreve sobre falar os mandamentos de Deus. Será que a Palavra de Deus está em nossas conversas? Ou isso é “coisa de igreja”, “coisa de domingo”? Não apenas uma repetição monótona e religiosa, mas os princípios dela estarem presentes em nossa rotina. Isso afetará, por exemplo, nossa escala de valores: obediência é mais importante do que ser rico! (v.14) E daí vem apenas a grande alegria de ver a Palavra permeando nossas decisões, nossas vidas, nossas famílias, enfim, tudo! E o meditar diário nela vai aumentando nosso prazer por ela em nossa vida diária (v.15-16). Esta é a vida feliz e bem-aventurada!

domingo, 4 de maio de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 2)

Caminhando no Salmo 119

Bêt (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
9 Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a tua palavra.
10 Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos.
11 Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.
12 Bendito sejas, Senhor! Ensina-me os teus decretos.
13 Com os lábios repito todas as leis que promulgaste.
14 Regozijo-me em seguir os teus testemunhos como o que se regozija com grandes riquezas.
15 Meditarei nos teus preceitos e darei atenção às tuas veredas.
16 Tenho prazer nos teus decretos; não me esqueço da tua palavra.

Entre as lutas de todos os jovens, lidar com tentações que buscam roubar sua pureza de ações e pensamentos é uma das mais constantes. Já conversei com jovens que questionaram até mesmo sua salvação diante da dificuldade de vencer suas lutas internas.
O segundo trecho do Salmo 119 começa exatamente oferecendo conselho sobre isso (v.9). E a vida cheia da Palavra de Deus e da obediência a ela é o caminho para esta pureza. Não apenas conhecimento, não apenas frases de efeito tiradas (ou não) das Escrituras, muito menos sensações e emoções. O caminho é pavimentado com decisões de obedecer. É ler a Bíblia contra mim. É vela como um espelho que revela a maldade do meu coração e aponta para a perfeição em Cristo.
Mas, o salmista é honesto em clamar por socorro para não se desviar, mesmo que esteja intensamente buscando o Senhor (v.10). Precisamos reconhecer que quedas acontecerão e que não é o “fim do mundo”; levantar-se delas através da Graça de Deus é a única opção para àquele que O busca em sinceridade.
A sinceridade está provada no zelo com a Palavra (v.11). Este verso é usado muito como um incentivo a que se decore versículos bíblicos. Não creio ser uma “forçação do texto”. Decorar textos bíblicos tem enorme serventia em nosso crescimento espiritual e nas lutas. Porém, também creio que o texto está falando novamente sobre obediência. Aquilo que está “no coração” tende a reger a minha vida. E, então, adoramos enquanto clamamos a Deus para que Ele mesmo seja o nosso tutor nessa caminhada em seus mandamentos (v.12).
No verso 13, o salmista escreve sobre falar os mandamentos de Deus. Será que a Palavra de Deus está em nossas conversas? Ou isso é “coisa de igreja”, “coisa de domingo”? Não apenas uma repetição monótona e religiosa, mas os princípios dela estarem presentes em nossa rotina. Isso afetará, por exemplo, nossa escala de valores: obediência é mais importante do que ser rico! (v.14) E daí vem apenas a grande alegria de ver a Palavra permeando nossas decisões, nossas vidas, nossas famílias, enfim, tudo! E o meditar diário nela vai aumentando nosso prazer por ela em nossa vida diária (v.15-16). Esta é a vida feliz e bem-aventurada!

sábado, 26 de abril de 2014

Caminhando no Salmo 119 (Parte 1)



Caminhando no Salmo 119
Álef (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico com esta letra)
1 Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor!

2 Como são felizes os que obedecem aos seus estatutos e de todo o coração o buscam!

3 Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor.

4 Tu mesmo ordenaste os teus preceitos para que sejam fielmente obedecidos.

5 Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos.

6 Então não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos.

7 Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças.

8 Obedecerei aos teus decretos; nunca me abandones.

Felicidade é costumeiramente ligada a realizações, e realizações humanas: concluir um curso, conseguir um emprego, conseguir uma promoção, ter um filho, vencer uma doença.
E apesar do valor que essas coisas tem e como elas realmente produzem certa satisfação, todas elas são passageiras. Eventualmente, a emoção e o deslumbramento com a conquista passam, deixando no lugar uma boa lembrança apenas.
Para o salmista, a felicidade real e permanente está ligada à obediência à Palavra de Deus, a observar seus princípios e orientações (v.1).  E fazer isso, sinceramente, comprometidamente (v.2). Um compromisso que afeta cada esfera e pedaço da nossa vida. Que nos leva a viver em uma “contra-cultura” e fora do padrão estabelecido neste mundo. Sendo o resultado lógico, uma vida longe daquilo que Deus classifica como “mal” (v.3).
O salmista, então, observa que tal estilo de vida não é algo opcional, antes, é uma ordem do Senhor para todo aquele que se identifica como andando com o Senhor (v.4). Fidelidade é esperada de nós!
Mas, (sempre parece haver um “mas”) ele também reconhece sua (e nossa) luta: “quem dera...”; esta é a expressão de frustração interior ao perceber nossa luta para nos manter nos caminho do Senhor (v.5). Então, olhamos para o nosso proceder, nossas escolhas e pensamentos e percebemos a distância do padrão de obediência esperado por Deus (v.6)
Jesus, como nosso Sumo-sacerdote (Hb 4.15), compreende tudo que passamos. Ou seja, o salmista, eu e você não estamos diante de um Deus impassível à nossa luta; antes, Ele nos compreende.
Finalmente, ele coloca que seu compromisso e alvo é não se conformar às suas inconsistências e lutas, mas, sim, continuar buscando a obediência que o permitirá louvar com a sinceridade (coerência de vida) que o Senhor é digno (v.7), confiando que o Senhor estará sempre ao seu lado (v.8; cf. Is 66.2).

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma oração...

(vc pode encontrar este texto nas Notas em minha página no Facebook.
❝Não quero a felicidade na vitória; o mais ateus dos homens a pode experimentar!
Não quero a paz na tranquilidade na vida; o mais religioso dos homens pode tê-la!
Não quero o amor aos que merecem; o mais egoísta dos homens pode amar assim!
Não quero uma vida realizada em seus próprios sonhos e planos; o mais egocêntrico dos homens pode assim ser.
Não...
Quero a felicidade que prevalece diante da derrota, até mesmo da maior delas: a morte!
E quero a paz que permanece diante das piores notícias, tendo apenas a esperança da glória para mantê-la.
E quero o amor que ama sem retorno, sem condições, sem sentido.
E quero a realização de ver nada dos meus auto-centrados sonhos se realizarem, mas poder dizer 'não a minha vontade, mas a Tua!
Ver no meu pecado, a Tua graça; nas minhas trevas, a Tua luz; na minha finitude, a Tua capacidade; na minha morte, a Tua vida!❞

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O pensamento de Bret Harte

"O deus capaz de por um câncer num crente, certamente não se comoverá com orações." Bret Harte, poeta e autor, citado em www.ateusdobrasil.com.br/frases
==============================================================
“Ninguém” precisa de Deus... até que precise. O ser humano é inatamente imbuído de um defeito: orgulho, auto-suficiência ou independência. Somos assim quando crianças, de braços estendidos, pedindo ajuda, movidos pela insegurança das nossas titubeantes pernas. Até que nos firmemos um pouco mais e comecemos a resistir em segurar a mão paterna ou materna que “teima” em nos ajudar.
Bonitinho (alguns achariam) quando é um bebezinho, mas trágico quando ele é apenas uma metáfora de nós adultos evoluídos, intelectuais e pensadores.
Esta face altiva é um grande obstáculo para uma compreensão da pessoa e verdade de Deus. Como olhar para o alto se já “estou” no alto? Claro que nenhum de nós, muito menos Bret Harte, admitiríamos estar assim posicionados. Mas, nosso “eu”, pelo menos, seria mais sincero.
Existe sempre, é claro, a possibilidade de alguém não crer em algo que não conhece, ou seja, ignorância dos intelectuais por não saberem o que a Palavra de Deus ensina sobre Ele e as verdades da vida. Muitas vezes apenas porque a oportunidade não lhes foi estendida, coisa difícil de conceber no século XXI, especialmente no ocidente, mas... podemos dar o benefício da dúvida. Porém, muitas vezes, quando o ensino foi oferecido, não foi acolhido. Afinal, a Palavra de Deus é morta. Calma, não me converti ao pensamento de Bret Harte. Ela é morta até que caia em solo fértil (Mateus 13.3, 8). Ou se você permitir, ela é inerte. Assim, descrédito “pós-moderno” aos absolutos da Palavra de Deus leva o indivíduo a posturas de completa incredulidade e auto-suficiência. E muito disso pode vir como reflexo de experiências negativas de sua infância ou mesmo depois. Quantos não ficaram traumatizados por pais, mães ou padres em orfanatos e internatos? Aqueles que deveriam ser espelho do amor e interesse que o Deus deles supostamente tinha, converteram-se em argumento para descrer de tudo isso.
Existem alguns problemas com o pensamento de Bret Harte. Em primeiro lugar, ele parte da idéia que Deus criou tudo, inclusive o bem e o mal. Na verdade, isto é a Verdade: “Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas”. (Isaías 45.7). Porém, Ele não está diretamente ligado a cada crime, mentira, doença, enfim, todas as mazelas da humanidade. Ter sido o criador da possibilidade do mal não torna Deus responsável. O homem é responsável por suas escolhas. Afinal, eis aí o peso do livre-arbítrio; outra invenção de Deus! E é do interior do próprio homem com livre-arbítrio que vem estas mazelas: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?” (Tiago 4.1), “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jeremias 17.9). Mas por que criar esta possibilidade? Ora, livre-arbítrio sem opção de escolha é um engano e a negação da verdade. Uma impossibilidade, mesmo para um Deus onipotente.
Em segundo lugar, Harte entende Deus como um sádico, como alguém distante, como um ser inalcançável. Afinal, apenas este retrato mostraria alguém que não responde ao clamor que Ele mesmo incita e estimula em suas criaturas. Um Deus que não se compadece, mas que tem prazer no sofrimento como um delinqüente infantil com uma lupa sobre um formigueiro. A Palavra de Deus nos afirma outra realidade: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: ‘Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito’.” (Isaías 57.15). Enquanto viveu entre nós, o Deus-Filho sentiu profunda dor pela morte do seu amigo, a quem, detalhe importante, ressuscitaria em minutos. Dor retratada no menor versículo das Escrituras, “Jesus chorou.” (João 11.35). Ou seja, Deus é o Deus da criação, não da invenção. O inventor se despede da sua invenção e abre mão da posse; o Criador, não! Ele acompanha, nutre, zela, interage, ama, vive pra ela, morre por ela! É uma pena Harte não conhecer esse Criador.
Em terceiro e último lugar, para um ateu, um agnóstico ou, pelo menos, um descrente, Harte dá ao objeto de sua “des-fé” muito crédito. Em apenas uma frase, este ser inexistente adoece a pessoa e ao mesmo tempo não ouvirá as orações por cura!! Nada mal para quem não existe, não? Bem, isso demonstra, na verdade, que voltamos ao orgulho e altivez do ser humano, que nisso, cai na acusação de Paulo quando diz que “os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1.21-22). Torna-se verdade o adágio popular “quem olha apenas para cima, não vê a cova onde cai”.
Concluindo, não é preciso muito pra compreender o mal, as doenças e todas as mazelas. Não é preciso muito para entender e crer na oração. Na verdade, é preciso menos. Menos sabedoria do mundo (melhor ser louco), menos auto-suficiência (melhor depender), menos força própria (melhor ser fraco). Assim, sendo, a vida passará, mas assim passará sem o peso dela mesmo, mas com a leveza da esperança de um Deus que ama e que nos ouve. Um Deus de quem já, assumidamente, precisamos.