terça-feira, 16 de outubro de 2007

Nadando contra a correnteza (12)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. Desta vez, este orgulho é conhecido através da forma de se conduzirem durante o jejum.

O Jejum
16 “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.17 Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto,18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.

O jejum era o terceiro exemplo da “retidão” farisaica. Os Fariseus amavam poder jejuar para serem notados pelas pessoas e que estas os olhassem como muito “espirituais”. O jejum enfatiza a mortificação da carne, porém, o Fariseus glorificavam a carne ao atrair a atenção para eles mesmos. O Senhor, por outro lado, enfatiza que tais atos de contrição deveriam ser feitos para Deus, “em secreto”. Ninguém deveria seguir o exemplo dos Fariseus de recusar óleo sobre a sua cabeça. Esta seria a tradução literal do lavar o rosto. o óleo aqui traz uma conotação de alegria e desviaria a atenção das pessoas. Afinal, contrição e dor são mais observáveis como sinais de espiritualidade do que festa e alegria.
O jejum é algo praticado por inúmeras religiões como forma de se aproximar da divindade. A compreensão de que a carne é má não é completa, na verdade, é limitada e primitiva do ponto de vista religioso. Igualmente errada é a idéia de merecimento através do sofrimento. Nada disso se sustenta biblicamente. O jejum bíblico tem como motivação levar-nos a uma predisposição mental para as coisas relativas ao nosso vínculo espiritual com o nosso Deus. Um Deus pessoal, mas que é tornado impessoal pelas coisas materiais ao nosso redor.
O tempo do jejum é uma questão muito mais pessoal do que técnica. Porém, como disse Davi, “Não oferecerei ao SENHOR, o meu Deus, holocaustos (ofertas) que não me custem nada”. Desta forma, o Jejum deve respeitar nossos limites físicos, porém, sem trapaça. Pode-se começar com um jejum parcial cobrindo apenas algumas horas do dia. Porém, isso deve ser estendido quando percebermos que não significa nenhum esforço pessoal.
O jejum também pode ou não ter um propósito prático além da consagração pessoal. Buscar uma resposta da parte de Deus ou alcançar um vitória na vida podem ser reforçadas pelo jejum acompanhando a oração. Mas, sempre tendo em mente, não se trata de uma troca, de uma barganha com Deus. De maneira alguma.
De qualquer maneira, jejuar pelo menos uma vez por mês é algo que deve fazer parte de nossas vidas. Sempre tendo o Senhor como centro e não nós.
Nos três exemplos da “retidão” dos Fariseus - oferta (v.1-4), oração (5-15) e jejum (16-18) - Jesus usa hipócritas (v. 2, 5, 16), ostentação pública (v. 1, 2, 5 e 16), receber sua recompensa diante dos homens (v. 2, 5 e 16), agir em secreto (v. 4, 6 e 18), e ser recompensado pelo Pai que vê em secreto (v. 4, 6, 8 e 18). Obviamente, isso não é uma coincidência; o Senhor estava querendo nos ensinar algo com muita ênfase.
Será que aprendemos? Será que isso é apenas nestas três áreas?
Quantas vezes vemos tanta vaidade por causa dos dons que recebemos ou dos talentos que temos? Quanto orgulho porque “nós temos a interpretação bíblica correta”? Sem mencionar as vezes que nos comparamos uns aos outros ou valorizamos mais ao que demonstram uma espiritualidade exterior que tanto nos atrai.
Creio firmemente que apenas a eternidade vai revelar o nome de homens e mulheres de Deus que serão grandemente recompensadas porque fizeram “em secreto”, apenas para o Senhor. Enquanto que os holofotes se apagarão de sobre aqueles que já receberam a sua recompensa das mãos e olhares dos homens.
Quanto a nós, o que faremos diante deste ensino de Jesus? Quero sugerir uma resposta prática e mensurável... vamos jejuar. Simples assim. Quero desafiar você a ESTA SEMANA separar diante do Senhor um tempo de jejum e oração. Se precisar, busque ajuda e orientação, mas não deixe que a falta de informação se torne uma desculpa para não obedecer à Palavra de Deus. Creia, a recompensa é garantida.
Então os discípulos de João vieram perguntar-lhe: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?” Jesus respondeu: “Como podem os convidados do noivo ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão. (Mateus 9.14-15)
Até que o noivo volte, nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 08/04/07

Nadando contra a correnteza (11)

Continuando nossa caminhada no capítulo 6 de Mateus, veremos aqui Jesus lidando com outro problema na conduta farisaica, o orgulho religioso. O Senhor aproveita e inicia seu ensino sobre a prática de oração que agrada ao Pai.

A Oração
5 “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 9 Vocês, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas.

Logo quando nos convertemos, sentimos certo receio de orar publicamente tendo como maior preocupação o que vamos falar. Será que usaremos as palavras certas, será que usaremos as expressões corretas. Quando ouço pessoas orando assim que se convertem, posso perceber que mesmo esta inquietação não impede a sinceridade das palavras.
Contudo, o problema central apontado por Jesus é na verdade a sua atitude. Em primeiro lugar, direcione para o Senhor as suas palavras. Nunca devemos nos importar em quem está ao nosso redor, nem por reconhecimento, nem mesmo para “mandar recados”. Em segundo lugar, creia que a fonte de poder da oração está também no Senhor e não em nossas palavras. Portanto, não adianta repeti-las como um mantra ou como um encantamento. Constância na oração não é isso, mas, antes, é a perseverância de nossa fé num Deus que “sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem”.
Após apontar a correção da atitude deles, Jesus dá aquela que seria conhecida como a “Oração do Senhor” ou “Pai Nosso”, mas que seria melhor ser conhecida como a “Oração dos Discípulos”. Como modelo, seria assim...
Ela começa com adoração. E chamando-O de “Pai” apontamos a nossa intimidade com Ele. Não é uma adoração religiosa, mas, sim, de quem é chegado ao trono da Graça, mas que mesmo assim é reverente para com Deus!
Segue-se a confiança nas promessas de Deus, “venha o Teu Reino”; o Senhor irá cumprir as suas alianças e as suas promessas. Oramos para um Deus fiel. Essa confiança também é expressada em pedirmos por nossas necessidades, o que demonstra nossa dependência do Pai. “De cada dia” (gr. epiousion, usado apenas aqui em todo N.T.), siginifica “o suficiente para hoje”! Exatamente no mesmo espírito em que o Maná foi dado, o Senhor espera de nós esta dependência apenas pelo dia de hoje, até que amanhã chegue.
A questão do perdão e da confissão de pecados pode ser a mais difícil na oração. Não apenas devido ao exercício de humildade e humilhação de reconhecer e se arrepender de nossos pecados, mas, porque este precisa ser precedido do exercício de restituição àqueles para com quem temos falhado! Apesar do perdão dos pecados não ser baseado no nosso perdão para outros e sim em nosso arrependimento genuíno, a recusa em perdoar aponta uma falha em nosso caráter a qual é dada muita importância pelo Senhor (v.14-15).
Uma vida sem pendências é de grande ajuda na batalha espiritual. Flertar com pecado e pedir libertação do mesmo é no mínimo contraditório. A doração final termina como o outro pão em um sanduíche de uma oração bem feita, e, mas importante, aceita pelo Pai.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 01/04/07

Nadando contra a correnteza (10)

Enquanto chegamos ao nosso décimo domingo, entramos no capítulo 6 de Mateus. Aqui Jesus aponta um problema clássico, a auto-glorificação.

A Ajuda aos Necessitados
1 “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.2 “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.3 Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, 4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.

A partir deste ponto, o Senhor deixa de examinar os ensinos dos Fariseus e passa a examinar a hipocrisia das obras deles.
Jesus primeiro fala das ofertas dos Fariseus. Justiça não é uma questão primordialmente entre uma pessoas e os outros, antes entre a pessoa e Deus. Portanto, seus atos não deveriam ser demonstrados diante das pessoas porque assim a sua recompensa viria dessas pessoas (v.1-2). Os Fariseus faziam um grande “show” quando iam ofertar para os pobres ,tanto nas sinagogas quanto nas ruas, achando que assim estariam provando o quão justos eles seriam. Mas, em resposta a isso, o Senhor ensina que quando esti ver dando nem mesmo a sua mão esquerda saiba o que está fazendo a direita, ou seja, deveria ser algo tão secreto, tão interior, tão voltado para Deus que o ofertante mesmo esquece o que ofertou!
Desta maneira, ele demonstraria verdadeira justiça diante de Deus e não diante dos homens, e assim, ser recompensado por Deus. Não é possível alguém receber a recompensa dos homens e de Deus ao mesmo tempo. Principalmente o recebimento da primeira cancela a possibilidade da segunda.
Alguns questionamentos a mais podemos fazer diante deste texto.
Reafirmamos tanto o valor insubstitutível da graça na salvação que esquecemos o papel das obras na santificação! O próprio texto chama de “obras de justiça”, ou seja, tudo que nos fazemos que pertence à justiça que recebemos ao aceitar a Jesus como Senhor e Salvador. Uma coisa não pode andar sem a outra. Sim, somos salvos pela graça, mas as obras são a moldura da linda pintura que a graça fez em nossas vidas.
Amados, nunca aceitemos a mesmice e a omissão da proposta de vida religiosa. Nunca aceitemos que estar na igreja é apenas o que o Senhor espera de nós. De jeito nenhum!
Precisamos então compreender o desafio total deste texto, isto é, fazermos aquilo que o Senhor deseja, porém sem nenhum sinal de auto-promoção ou auto-justiça. Como dizia o compositor sacro quando exaltavam as suas maravilhosas sinfonias e óperas, Soli Deo Gloria, “Apena a Deus a glória”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

domingo, 20 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (9)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há nove domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, terminando o capítulo 5, veremos a questão do que fazer quantos aos nossos opositores.

O Amor aos Inimigos
43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. 44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, 45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! 47 E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.

Os Fariseus ensinavam que as pessoas deveriam amor aqueles que eram próximos delas e queridos por elas (Lv 19.18), e que os inimigos de Israel deveriam ser odiados. Alguns Salmos deixam isso muito claro quando pedem que os inimigos de Israel sejam esmagados. Por causa disso tudo, os Fariseus deduziram que o ódio deles era a maneira de Deus julgar os seus inimigos. Mas Jesus declarou que Israel deveria demonstrar o amor de Deus mesmo para com seus inimigos - uma prática que nem sequer havia sido ordenada no Antigo Testamento! Deus os ama; Ele faz raiar o seu sol e derrama a chuva para produzir colheita. Uma vez que o Seu amor se estende a todos, Israel deveria também ser um canal do Seu amor amando a todos. Tal amor demonstraria que eles eram filhos de Deus (cf. Mt 5.16). Amar apenas aqueles que nos amam e saudar apenas seus irmãos era equiparar-se aos “detestáveis” cobradores de impostos e gentios - algo inimaginável para um Fariseus! E certamente também para nós. Quando nosso comportamento é comparado com sendo próximo demais ao comportamento daqueles que não conhecem ao Senhor, que coisa incômoda. Como tem sido a sua relação com os seus opositores? Talvez seja um pouco forte demais usar a palavra “inimigo”. Contudo, todos nós nos defrontamos aqui ou acolá com situações nas quais somos colocados diante de pessoas que desejam nos prejudicar de alguma maneira, mesmo quando não percebem. Nosso desafio desta semana é analisar qual tem sido nossas reações quando estamos nesta situação. Pode ser de um desconhecido no trânsito ou mesmo de um colega de trabalho ou chefe que encontramos todo dia. De qualquer maneira, precisamos levar a sério a palavra do Senhor Jesus: “‘Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.”.
Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 18/03/07

sábado, 12 de maio de 2007

Quando Deus intervém!

Muitas vezes em nossas vidas precisamos de que Deus seja Deus e faça o que nós não podemos fazer, pois o que nos resta é apenas confiar. Era quinta-feira, dia 26 de abril. No fim-de-semana seguinte, eu estaria pregando num acampamento e planejava levar toda a família para um tempo de descanso. Mas, nada saiu como planejado. No final da tarde, Joshua, nosso caçula de 2 anos e 11 meses, começou a tossir um pouco. Acostumados que somos com as crises respiratórias dos nossos filhos, fizemos a nebulização e pronto. Perto das 22:45, Leila percebeu que ele estava febril. Eu não havia percebido porque havia tocado apenas os braços e as pernas, os quais estavam frios; porém, a cabeça dele estava muito quente. Mais tarde, como a febre subia, demos Dipirona, porque não tínhamos Tilenol. Ele até que tomou, mesmo com o gosto ruim. Porém, devido à tosse, uns 30 minutos depois ele vomitou. Pensei logo que a Dipirona tinha saído também. Então, após ele dormir no nosso quarto de assistir televisão, deixei a Leila estudando em nosso quarto e fui atrás de uma farmácia 24 horas para comprar outro anti-térmico. Já era mais de meia-noite. Fui rápido, mas não rápido o suficiente. Leila conta agora o que aconteceu em minha ausência.
Estava no quarto preparando-me para dormir , quando senti a necessidade de voltar ao lugar que deixamos nosso bebê dormindo até Joe chegar com os medicamentos. Percebi quando cheguei à porta do quarto que ele estava tremendo e logo corri para ver de perto o que de fato estava acontecendo.Na verdade, ele já estava em crise de convulsão. Neste momento sem saber o que fazer, pois ele não mais me respondia, gritei por ajuda ao rapaz que está morando conosco há algum tempo, Jonathan já se encontrava dormindo, quando bati bem forte na porta do quarto dizendo: "Jonathan, acorde, o Prezinho está morrendo", e no meio daquela desesperadora situação, Asaph acordou em meio ao choro de desespero meu que certamente o levou a ficar apavorado com toda a situação...Não dá pra esquecer o quanto ele implorou para que seu irmão voltasse e ficasse normal...frases como: “quanto você quer pra viver?” “ Posso te dar todos os brinquedos”... enfim... foram freqüentes na boca de nosso filho mais velho. Neste momento, ele já estava desfalecendo e ficando “roxo”, tentamos apertar o seu peito, mas só o vimos piorar saindo de sua boca uma “estranha espuma”, quando sai correndo para rua com ele no meu colo e fui à casa de nossa vizinha ao lado de nossa casa, que Graças a Deus nos socorreu imediatamente. Ela, Lo-Rhuama, carregou Joshua no colo e tentou soprar na sua boca, que a fez perceber sua respiração muito fraca. Seu filho, Fernando, nos levou no seu carro para o Hospital Infantil de Boa Vista, e quando lá chegamos, Joshua foi levado para a sala do Trauma para receber atendimento. Ele chegou ao Hospital desmaiado.
Enquanto estavam ajudando nosso filho a retornar, Joe chegou ao hospital... sei que daqui pra frente ele mesmo vai falar sobre aquilo que Deus tem nos mostrado com toda essa experiência... Quanto a mim... “O SENHOR, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”. Hb. 2.20 “Bom é confiar no nosso Deus e aguardar em sua salvação, e isso em silêncio.”

Quando eu chegava em frente à nossa casa, dei com o Asaph ao lado do nosso vizinho já na calçada. As palavras, “seu filho”, “muito mal” e “hospital” é tudo que me lembro. Entrei um segundo atrás do meu telefone e sai correndo pro hospital. No caminho comecei a clamar com tudo o que havia em mim, “Deus, não deixe meu filhinho morrer!” Neste meio tempo, o Asaph colocou o vizinho pra orar pelo seu irmãozinho, um fato até engraçado nos acharíamos depois, uma vez que ele não é evangélico. Chegando ao hospital, passei voando por conhecidos e funcionários, e achei Leila na sala de trauma, e meu filho sobre uma maca. Foi grande o impacto. Ele estava sem cor, coberto por um cobertor molhado sobre o corpo e uma toalha sobre a cabeça. A febre havia batido os 39°... por isso, a convulsão.
Imediatamente, comecei a orar impondo as mãos sobre ele. Repreendi todo espírito de morte e enfermidade e pedir especificamente que o Senhor colocasse Seu anjo cobrindo o corpo do meu filho. Liguei também para irmãos de nossa igreja para que orassem e pedissem que outros orassem. Enquanto orava perto do ouvido do Joshua, intercalava com palavras para acalma-lo, porque ele gemia muito.
Pedi à Leila que ficasse no corredor, se acalmasse e orasse. Lá, ao pedir que o Senhor não deixasse nosso filho morrer, ela ouviu de Deus a correção mais difícil pra aquele momento, “Você está me pedindo errado. Você deve pedir pela Minha vontade!”. E assim ela fez.
As próximas horas foram dramáticas enquanto presenciávamos o Senhor agir, e medição após medição, a febre foi baixando. E por volta das 3 horas, Joshua começou a olhar pra nós e conversar conosco. Em meio a muitas palavras, fiz a pergunta que é tipo uma brincadeira entre nós, “Cadê o amor do papai?”. Como foi bom ouvi-lo dizer “Tá ati”. Mesmo agora depois de tantos dias, ainda é difícil segurar a emoção diante do amor de Deus, mas do que o Seu agir.
Mas, o mais importante é que hoje, dia 13 de maio, nosso filho completa 3 anos. Há 3 anos o vimos chegar ao mundo com apenas 7 meses e apenas 1.350 gramas. Há 3 anos o vimos lutar pra viver e vencer. Há 3 anos o chamamos Joshua, “Josué”, “Ieshua”, “Jesus”, ou... “Jeová Salva”.
“Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam.” Isaías 64.4 (este versículo está dentre de nossas alianças.)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nadando contra a correnteza (8)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

A Vingança
38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado.

As palavras “olho por olho, e dente por dente” vem de diversas passagens no Antigo Testamento (Ex 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21); elas são chamadas de lex talionis, a Lei da Retaliação. Esta lei fora dada para proteger o inocente e para assegurar que retaliação não ocorresse além da ofensa cometida. Jesus, contudo, destacou que enquanto os direitos do inocente eram protegidos pela Lei, o justo não precisava necessariamente exigir seus direitos. Um homem justo seria caracterizado por humildade e altruísmo. Assim, ele andaria a “segunda milha” para manter a paz. Quando injustiçado por ter sido atingido na face, ou processado pela sua túnica (vestimenta interior, a capa era a vestimenta exterior.), ou forçado a viajar com alguém por uma milha, ele não contra atacaria, não exigiria ressarcimento, nem se recusaria acompanhar. Em lugar de retaliar, ele faria o contrário, e ainda deixaria tudo com o Senhor que um dia colocará todas as coisas em ordem (conf. Rm 12.17-21). Tudo isso foi visto ao extremo na própria vida do Senhor Jesus, como foi apontado por Pedro (1 Pe 2.23). Quando lemos tudo isso, certamente achamos tudo muito lindo, porém, olharmos para nossas vidas vem o questionamento: “será possível viver isso?”. E esta é a razão de se tratar de uma contra-cultura. Só com o auxílio de quem já conseguiu concretizar esta vitória é possível para nós alcançarmos o mesmo. Aliás, apenas seguindo os passos do Mestre, podemos ter uma vida magistral.
"Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos. 'Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca.' Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados." (1 Pe 2 .20-24)
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
Originalmente publicado em 11/03/07

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Nadando contra a correnteza (7)

Pra você que chegou agora em nossa jornada, estamos há sete domingos caminhando na contra-cultura ensinada por Jesus no sermão do Monte. Hoje, ainda no capítulo 5, veremos a questão dos juramentos.

Os Juramentos
33 “Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamentei, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. 34 Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelos céus, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36 E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. 37 Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno.


A questão de fazer juramentos vem na seqüência de ensinamentos do Senhor no sermão do Monte. Os Fariseus eram conhecidos por seus juramentos, os quais eram feitos pelos motivos mais fúteis. Todavia, eles tinham precauções mentais em seus juramentos. Se desejassem ser livres de um juramento que haviam feito “pelos céus”... “pela terra”... “por Jerusalém”... ou pela cabeça de alguém, eles apenas podiam argumentar que uma vez que Deus mesmo não havia sido envolvido naquele juramento, o mesmo não os amarrava. Mas Jesus diz que juramentos nem mesmo deveriam ser necessários: “Não jurem de forma alguma”. O fato de se usar juramentos enfatizava a maldade do coração do homem. Além do mais, jurar “pelos céus”, “pela terra” ou “por Jerusalém” amarrava, sim, aquele que jurava, pois era o “trono”, o “estrado” e a “cidade” de Deus, respectivamente. Até mesmo a cor de nossos cabelos é determinada pela soberania de Deus. Por outro lado, Jesus mais tarde iria responder a um juramento (Mt 26.63-64) e Paulo também (2 Co 1.23). O que o Senhor está dizendo é que a vida de uma pessoa deveria ser suficiente para sustentar a palavra desta pessoa. Um “sim” deveria ser sempre “sim” e um “não” deveria ser sempre um “não”.
Tiago parece estar repetindo as palavras de Jesus em sua epístola (Tg 5.12) Para nós da Videira, a principal aplicação deste texto pode ser a palavra lealdade. Temos sido abençoados e temos abençoado uns aos outros. E precisamos nos ter em alto conceito e cultivar a lealdade em palavras e ações para com nossos irmãos. Há tantas aplicações práticas quanto a isso. Na célula, nos discipulados, nos demais eventos de nossa comunidade. Eu quero viver o que a Palavra nos ensina quanto a isso, “nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.” (Fp 2.3); e assim considerar meus irmãos, discípulos e ovelhas, com lealdade. Para tanto, como Jesus nos ensina, ter uma vida que sustente aquilo que eu falo ou faço.

Nas Garras da Graça, Pr. Joversi Ferreira
*Pr. Joversi Ferreira é o convicto pastor da Comunidade Batista Videira
originalmente publicado em 04/03/07.