Caminhando no Salmo 119
121 Tenho vivido com justiça e retidão; não me
abandones nas mãos dos meus opressores.
122 Garante o bem-estar do teu servo; não permitas
que os arrogantes me oprimam.
123 Os meus olhos fraquejam, aguardando a tua
salvação e o cumprimento da tua justiça.
124 Trata o teu servo conforme o teu amor leal e
ensina-me os teus decretos.
125 Sou teu servo; dá-me discernimento para
compreender os teus testemunhos.
126 Já é tempo de agires, Senhor, pois a tua lei
está sendo desrespeitada.
127 Eu amo os teus mandamentos mais do que o ouro,
mais do que o ouro puro.
128 Por isso considero justos os teus preceitos e
odeio todo caminho de falsidade.
O salmista faz um
clamor ao Senhor por proteção (v.121) baseado na vida reta que ele leva. Agora,
quem vem acompanhando o Salmo 119 desde o começo sabe qual a origem desta vida
reta. Isso mesmo: a Palavra de Deus. Obviamente que pela ação do Espírito
Santo, mas Ele usa os ensinamentos da Palavra para gerar transformação em
nossas vidas. Em contraste ao que anda reto, estão os opressores e os
arrogantes (v.122), contra os quais ele pede pelo seu “bem-estar”. O uso de
arrogantes (ou soberbos), em um contexto de submissão aos ensinos da Palavra,
nos faz concluir que se trata da postura destes em relação aos princípios das
Escrituras. Eles se rebelam arrogantemente contra aquilo que Deus estabeleceu.
Enquanto isso, a
dependência e a espera por Deus não é um exercício fácil (v.123). Nossa
resistência e perseverança muitas vezes parece falhar, mas nos mantemos
confiantes na justiça de Deus. A base dessa confiança está no “amor leal”
(traduzido, “misericórdia” na ARA) de Deus, no חֶ֫סֶד (Hesed) de Deus:
seu amor pactual, ligado à sua imutável natureza (v.124). Pacto, Aliança,
Concerto... ligações de Deus com Seu povo, firmadas pelos decretos que o
salmista deseja aprender. A Nova Aliança, o Evangelho, é também nossa fonte de
segurança dada pelo Deus que não pode mentir.
Debaixo dessa
Aliança, somos servos deste bondoso Senhor e queremos entender tudo que diz
respeito a Ele (v.125) e a ideia de que aquilo que Ele estabeleceu esteja sendo
desrespeitada (v.126) traz descontentamento e certa revolta ao salmista; tal
como já ocorreu em outra parte do salmo. Não uma indignação pessoal, mas zelo
por causa do Nome do Senhor.
O verso 127 nos
leva a compreender que riquezas estavam sendo preferidas em lugar da justiça e
da submissão aos preceitos de Deus. Daí a indignação do salmista. O qual, por
outro lado, prefere aos mandamentos eternos mais do que a riqueza que perece. E
o caminho de justiça trilhado por eles mais do que o caminho da falsidade
(v.128), independentemente das vantagens que ele possa trazer.

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