Caminhando no Salmo 119
Caf (cada verso nesta sessão, começa em Hebraico
com esta letra)
81 Estou quase desfalecido, aguardando a tua
salvação, mas na tua palavra coloquei a minha esperança.
82 Os meus olhos fraquejam de tanto esperar pela
tua promessa, e pergunto: Quando me consolarás?
83 Embora eu seja como uma vasilha inútil, não me
esqueço dos teus decretos.
84 Até quando o teu servo deverá esperar para que
castigues os meus perseguidores?
85 Cavaram uma armadilha contra mim os arrogantes,
os que não seguem a tua lei.
86 Todos os teus mandamentos merecem confiança;
ajuda-me, pois sou perseguido com mentiras.
87 Quase acabaram com a minha vida na terra, mas
não abandonei os teus preceitos.
88 Preserva a minha vida pelo teu amor, e obedecerei
aos estatutos que decretaste.
Na décima-primeira
parte do Salmo 119, o salmista se encontra em um momento de luta (v.81). Tal
qual nós já vivemos, ele também. Porém, na segunda sentença, já surge a expressão
de confiança em Deus; e não em si mesmo. Antes ele aguarda no Senhor, e usa a
Palavra de Deus como fonte dessa confiança. Não obstante, o salmista é de carne
e osso, e a espera é cansativa (v.82). O questionamento em meio à luta não é
necessariamente um sinal de incredulidade, mas, antes de humanidade,
fragilidade, finitude de nossa parte.
Diante das lutas,
ele perde a direção, sua idéia de valor próprio, ele é uma “vasilha inútil” (literalmente,
“vasilha de fumaça”). Este momento de desânimo e perda de valor próprio seria o
fim, a não ser que continuemos confiando no que o Senhor nos revela em Sua
Palavra (v.83).
Outra demonstração
de humanidade é a “cobrança” feita a Deus (v.84). A eterna divergência entre o
tempo que se pode medir em minutos e segundos e aquele que é a manifestação da
vontade de Deus sempre será um desafio quando esperamos pelo Senhor.
Especialmente quando precisamos muito da resposta de Deus como é o caso do
salmista (v.85). Enquanto ele se mantém firme na Palavra de Deus, seus
perseguidores vivem por padrões e princípios mundanos. Tentar viver
corretamente enquanto muitos trapaceiam ao nosso redor é um desafio tanto de obediência
quanto de dependência do Deus que faz todas as coisas para o nosso bem.
Então, ele renova
sua confiança nos mandamentos de Deus (v.86) e pede ajuda ao Autor deles para o
proteger dos mentirosos. Nossa arma de guerra e defesa precisa ser o Senhor.
Quando usamos armas carnais e humanas, nos igualamos aos que não conhecem a
Deus. Mesmo em face da morte (v.87) (algo muito difícil em nosso mundo
ocidental), a fidelidade à Palavra é a única escolha para o salmista; e para
nós também. Pois quando o livramento chega a nós enquanto vivemos em
fidelidade, podemos renovar nosso compromisso de obediência mesmo quando as
coisas estão mais tranqüilas (v.88). Isso é a verdadeira fidelidade: na luta,
tanto quanto na tranqüilidade.

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